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Composição em Tempo Real, João Fiadeiro / Forum Dança

TECER | CTR

Tempo | Estudo | Composição | Experimentação | Real

“Se observarmos a aranha a agir, o que ela eventualmente trama primeiro (…) não é a teia; o que eventualmente ocorre é que a pérola de visgo por ela tecida, suspensa na ponta do fio levado pelo vento, encontra um galho [um muro, um canto]. Esse primeiro fio estendido transversalmente esboçará o alinhamento indispensável à tecelagem. (…) Será possível dizer que a aranha tem o projeto de tecer sua teia? Não creio. Melhor dizer que a teia tem o projeto de ser tecida.”

 

Fernand Deligny, O Aracniano

Apresentação

TECER | CTR é um projeto dirigido por João Fiadeiro no quadro da sua posição de Artista Investigador Residente do Forum Dança. Através desta plataforma, João Fiadeiro pretende transmitir o estudo (e estudar a transmissão) da Composição em Tempo Real (CTR)*, uma prática (teórica) e uma teoria (prática) que se oferece enquanto “campo”, um lugar-território que tem como objetivo acolher e hospedar as forças que estão em jogo naquilo a que convencionamos chamar de presente. No interior desse presente e na perspetiva da CTR, movimenta-se um tempo expandido, simultaneamente “não mais” e “ainda não”. Um tempo não-linear, vivido como uma banda de Möbius, sem interior nem exterior, sem antes nem depois. Um tempo onde a sombra, a margem e o fragmento têm o mesmo protagonismo daquilo que está na luz, ao centro e no todo. Um tempo onde as posições se tomam, para que as com-posições se deem.

 

Transmitir a Composição em Tempo Real a partir da força que o “não-saber” transporta e não do poder que o “saber” carrega. Partilhar a Composição em Tempo Real, reduzindo a distância e a cisão entre teoria e prática, processo e produto, ação e observação, ação e procrastinação, memória e esquecimento, ensino e aprendizagem.

 

Eis a ambição de TECER | CTR enquanto centro de estudo e experimentação da Composição em Tempo Real.

Contextualização

Selecione cada uma das secções abaixo para saber mais.

Sensibilidade às Condições Iniciais

Em Composição em Tempo Real, as regras do jogo são definidas à medida que o jogo é jogado e não, como na maioria dos jogos (incluindo o jogo da vida), antes do jogo começar. Antes de se dar início à prática da Composição em Tempo Real, aquilo que se estabelece como chão comum são as premissas e os princípios que regem o jogo, numa espécie de compromisso ético coletivo onde se circunscreve a sua singularidade, se define os seus eixos cardinais e se estabelece o enquadramento conceptual desta prática. Em linhas gerais, as três premissas que guiam este compromisso podem ser sintetizadas a partir de coordenadas simples:

  1. Não se explicam as jogadas;
  2. Não se joga duas vezes seguidas;
  3. Não se corrige a jogada precedente.

Na sequência (e em consequência) destas restrições iniciais, o jogo desdobra-se numa gestão fina e minuciosa entre doses de repetição e diferença que vão, a cada jogada, sendo introduzidas no sistema.

 

Outro conceito chave desta prática é o princípio da “não linearidade”. Em Composição em Tempo Real é sempre a ação posterior que estabelece, retroativamente, as regras do jogo (daquele jogo em particular, porque mal o jogo em questão termine, as regras ficam imediatamente obsoletas). É por isso que só se pode falar verdadeiramente em jogo, quando o jogo já vai a meio. Ou seja, a maior parte do tempo da experiência em Composição em Tempo Real não se utiliza para jogar o jogo, mas para encontrar o jogo. Esse encontro dá-se a) quando, a partir de uma posição, se cria uma relação; e b) quando, a partir dessa relação, se estabelece uma operação. Esse processo dá-se em três tempos:

  1. O tempo onde se dá uma “posição”;
  2. O tempo onde se dá um “com” (criando uma relação do tipo “posição-com”);
  3. O tempo onde se dá uma “posição-com” (criando uma operação do tipo “posição-com-posição”).

A operação “posição-com-posição” resultante, funciona como uma equação, um fractal que se expande para o interior daquilo a que chamamos de instante, momento ou presente. Desenvolver uma sensibilidade a esta tríade – posição-com-posição – é a condição necessária para se jogar o jogo da Composição em Tempo Real.

*Composição em Tempo Real

Composição em Tempo Real é uma designação utilizada em inúmeras interações e contextos artísticos, sendo mais usual a sua utilização no campo da música eletrónica e na sua relação com a ciência da computação. No campo da dança contemporânea é utilizada por diversos artistas, como sinónimo da prática da “improvisação” (um termo de certa forma “sequestrado” pelo senso comum, como uma experiência arbitrária, desorganizada ou caótica), de forma a enfatizar a complexidade e o rigor envolvidos no ato de improvisar, sobretudo quando apresentada de forma pública.

 

Quando, nos anos noventa, João Fiadeiro deu início à sua investigação em torno da improvisação, a expressão mais utilizada para reivindicar esse rigor era a expressão “composição instantânea”. De forma meio intuitiva, João Fiadeiro decidiu adotar a noção de “composição em tempo real” para designar a sua investigação, porque era o termo que correspondia melhor à experiência de tempo expandido, distendido e plástico que ele experimentava quando “colidia” com o desconhecido, seja quando improvisava, seja quando compunha. Mais tarde conseguiu formular melhor essa resistência ao termo “instantâneo”, quando percebeu que uma parte importante da hipótese que colocava enquanto investigador, sobre a experiência do performer na sua relação com o tempo, sustentava-se na premissa de que a ideia de “instante” é uma construção artificial do ser humano, que decidiu, a partir do seu interesse (e proveito) próprio, que um instante é a fatia mais fina do tempo e que os momentos sucessivos substituem o anterior.

 

Mais recentemente, ao aceder ao pensamento de autores que estudam o conceito de tempo, essa convicção ganhou ainda mais corpo. Nomeadamente através da formulação de “tempo operativo” que Giorgio Agamben utiliza em “O tempo que resta”. Agamben apoia-se no linguista Gustave Guillaume (1883-1960) que afirma (no seu livro Temps et verbe) que “toda a experiência mental, por mais rápida [que seja], necessita de um certo tempo, que pode ser brevíssimo, mas nem por isso menos real”. Aquilo a que Guillaume define como “tempo operativo” (e João Fiadeiro como “tempo real”) é exatamente “o tempo que a mente emprega para realizar uma imagem-tempo”. Agamben complementa este raciocínio quando diz que “um exame atento dos fenómenos da linguagem mostra que as línguas organizam os seus sistemas verbais, não segundo o esquema linear precedente (…) mas através da referência da imagem construída no tempo operativo da sua construção.”. O tempo operativo (ou, como diria Fiadeiro, “tempo real”) “não é nem a linha – representável mas impensável – do tempo cronológico, nem o instante – igualmente impensável – do seu fim, e muito menos um segmento extraído do tempo cronológico (…). É antes o tempo operativo que urge no tempo cronológico e o trabalha e transforma a partir do interior, tempo do qual precisamos para fazer findar o tempo – nesse sentido: o tempo que nos resta.”.

 

Percebe-se, pelo que foi dito, que ao se debater sobre o termo de “instante” ou de “tempo real” para designar o tipo de “composição” que está aqui em jogo, João Fiadeiro não tem como referência o tempo partilhado entre improvisador e espetador, mas o tempo interno do performer, na gestão da experiência que medeia a identificação, a circunscrição e o processamento dos estímulos; a seleção e escolha das possibilidades de relação; e a sua consequente manifestação em forma de gesto e ação.

 

A utilização da expressão “Composição em Tempo Real” utilizada por João Fiadeiro para designar a sua investigação e prática, tem que ser entendida à luz desta reflexão.

João Fiadeiro

Forum Dança | PACAP 5 - João Fiadeiro
João Fiadeiro © Ana Viotti

João Fiadeiro (1965) pertence à geração de artistas que surgiu no final dos anos oitenta em Portugal e deu origem à Nova Dança Portuguesa, movimento fortemente influenciado pelo Judson Dance Theatre na América e pela cena New Dance na Europa.

 

Entre 1990 e 2019 foi diretor artístico do Atelier RE.AL, espaço que teve um papel preponderante no desenvolvimento da dança contemporânea e de iniciativas transdisciplinares em Portugal, tanto no âmbito da arte como entre arte, ciência e sociedade. Entre os projetos organizados por esta associação, destacam-se o LAB/Moving Projects (1992-2006), uma plataforma de work in progress de artistas emergentes; “Restos, rastos e traços” e “G.host” (2009-2011), dois programas de residência com foco em práticas de documentação para a arte contemporânea; e o projeto AND_Lab (2011-2014), um laboratório de pesquisa que trabalha a relação entre ética, estética e política, estão entre as iniciativas de maior impacto na comunidade.

 

João Fiadeiro tem feito extensas digressões pela Europa, América do Norte e América do Sul com os seus trabalhos a solo e em grupo. As suas peças navegam entre disciplinas (performance, dança e teatro), contextos (teatros, museus ou site-specific) e formatos (coreografias, happenings ou palestras-performances), numa tentativa de manter uma “sensibilidade radical” face ao presente e manter-se vigilante contra qualquer forma de estagnação ou perda do discurso crítico.

 

Entre 1995 e 2003 colaborou com os Artistas Unidos, companhia de teatro sediada em Lisboa, onde foi responsável pela movimentação dos atores em peças de Silva Melo, Shakespeare, Brecht, Goethe, etc. encenou peças de Samuel Beckett (Waiting for Godot), Sarah Kane (Psychosis 4’48’‘) e Jon Fosse (Nightsongs).

 

Paralelamente ao seu trabalho como coreógrafo, encenador e curador, João Fiadeiro estudou e praticou de forma intensa o Contacto-Improvisação nos anos 90, o que o levou a prosseguir e sistematizar a sua própria investigação sobre improvisação sob a designação de Composição em Tempo Real. Esta investigação, que começou por ser uma ferramenta de apoio às suas próprias práticas criativas, tem desde então sido utilizada por investigadores das áreas das artes e das ciências (provenientes de áreas tão diversas como a antropologia, as ciências dos sistemas complexos ou a economia), como plataforma teórico-prática para o estudo de decision-making, representação e colaboração. Este trabalho levou-o a lecionar em diferentes espaços independentes na Europa e América do Sul (Brasil, Uruguai, Argentina e Chile) e a conduzir workshops nos mais importantes programas de mestrado e escolas da Europa relacionados à dança contemporânea como PACAP/Forum Dança; EXERCE Master, Mestrado em Prática Artística e Cultura Visual no Museu Rainha Sofia; Programa SoDA MA; Estudos Performativos na Universidade de Hamburgo; Mestrado em Coreografia de Amsterdão; Mestrado em Teatro DasArts; a.pass_estudos avançados de performance e cenografia; MA Theatre Academy da University of the Arts Helsinki; Villa Arson; Centre National de la Danse, etc.

 

A ferramenta Composição em Tempo Real tem desde então alargado a sua aplicação fora do campo artístico com iniciativas como “Soft Skills for Hard Decisions”, concebida em colaboração com o economista António Alvarenga e aplicada em departamentos de recursos humanos de fundações; ou a disciplina “Estigmergia Social” concebida para o programa de doutoramento da Universidade ISCTE em Lisboa com o cientista de sistemas complexos Jorge Louçã.

 

Em 2018 João Fiadeiro publicou o livro “Anatomia de uma Decisão” onde sintetizou a sua pesquisa ao longo da vida sobre Composição em Tempo Real e em 2019 co-coordenou (com Romain Bigé) a exposição Drafting Interior Techniques na Culturgest, a primeira retrospetiva realizada sobre o trabalho e legado de Steve Paxton.

Nota Geral

Para quem pretenda participar em qualquer das nossas propostas de transmissão e prática da CTR

 

Mesmo que estejamos comprometidos a criar um lugar de prática seguro, sustentado numa ética de trabalho apoiada em princípios de cuidado e de respeito mútuo, a experiência da improvisação e da performance, por definição, pode levar os/as/es performers para lugares de partilha intensa, muitas vezes vulneráveis e emocionalmente carregados, onde a dúvida e o erro têm um lugar de relevo. Ao inscreverem-se tenham em consideração que nesta prática podem encontrar-se em situações de experimentação que abalam, mesmo que provisoriamente, as vossas zonas de conforto.

Atividades TECER

Estamos a recrutar!

Estamos a recrutar!

O Forum Dança procura uma pessoa para integrar a sua equipa a partir de abril de 2024.

Candidaturas até dia 10 de março de 2024, mediante envio de curriculum vitae, exposição sobre os interesses profissionais e expectativas em relação ao trabalho que virá a desenvolver (1 pág. A4).

Será feita uma pré-selecção por análise curricular, a seleção decorrerá por entrevista em data a definir.

 

Pré-requisitos:

  • Elegível para estágio profissional do IEFP – Programa ATIVAR.PT (mais informações aqui);
  • Formação de nível superior;
  • Bons conhecimentos de informática na óptica do utilizador;
  • Boas capacidades de relacionamento interpessoal;
  • Gosto e capacidade de trabalhar em equipa;
  • Bom nível de português e inglês falado e escrito;
  • Interesse pela área cultural, designadamente pelas artes do espetáculo, preferencialmente pela dança contemporânea.

 

Para desempenhar funções nas áreas de:

  • Atendimento ao público
  • Secretariado de cursos, aulas, workshops, seminários
  • Assistência de produção
  • Apoio na organização do Centro de Documentação

 

O estágio será remunerado de acordo com a tabela do programa ATIVAR.PT do IEFP (mais informações aqui).

 

Horário de estágio:

De segunda a sexta-feira das 12h às 20h.

 

Enviar candidatura para forumdanca@forumdanca.pt até dia 10 de março de 2024.

T R A M A
Eleonora Fabião

29.fevereiro.2024 | das 18h às 20h

T R A M A – arte de abrir caminho

Eleonora Fabião, performer e teórica da performance, irá apresentar a palestra “T R A M A – arte de abrir caminho, no Espaço da Penha.

A palestra terá início às 18h e tem a duração de 2 horas. A participação é livre, não é necessário fazer reserva, estando a disponibilidade sujeita apenas à lotação do espaço.

 

Neste encontro compartilharei uma série de “notas para pensar e fazer performance” e apresentarei o projeto T R A M A, fruto de uma residência artística no setor público realizada ao longo de 2023 com servidoras e servidores de diversos setores da prefeitura do Rio de Janeiro (transporte, saúde, meio ambiente, educação, limpeza urbana, planejamento, segurança, etc.). Mesas, plantas e tijolos são elementos fundamentais nesta ação que busca reverter a lógica da “repartição” por meio de encontros realizados nas moradas de alguns dos movimentos estético-sociais mais importantes da cidade (Estação Primeira de Mangueira, Casa do Jongo da Serrinha, Museu de Arte do Rio, Casa da Tia Ciata, Galpão Aplauso, Renascença Clube, Centro de Artes da Maré e Galpão Bela Maré). Nos reunimos para imaginar coletivamente projetos e políticas públicas para a cidade e criar condições de implementação. Nos juntamos, humanes e outres-que-humanes, carne cotidiana e osso histórico, ancestrais do passado e do futuro, para tramar arte de abrir caminho. – Eleonora Fabião

Eleonora Fabião

Eleonora Fabião
Eleonora Fabião

Eleonora Fabião é performer e teórica da performance. Realiza ações, exposições, palestras, leciona e publica internacionalmente. Trabalha em contextos diversos: exposições, bienais, festivais de dança, teatro e, sobretudo, nas ruas. Coisas que precisam ser feitas (Performa Biennial, Nova York 2015) é o título de um trabalho e, também, um modo de referir-se à prática. Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisadora CNPq.

Informação geral

Local
Forum Dança – Espaço da Penha
Travessa do Calado, 26B, 1170-070 Lisboa

 

Entrada livre, sujeita à lotação do espaço.

Foto: T R A M A na Casa do Jongo da Serrinha, Rio de Janeiro, 2023 © João Orban.

Núcleo - Programa de Residências Artísticas do Forum Dança

Núcleo 2024

O Núcleo surge como um projeto que cumpre um dos objetivos do Forum Dança: acolher residências artísticas e apresentações informais decorrentes, sob o cuidado de uma linha programática específica.

Tem um impulso auto-reflexivo da história do Forum Dança, referenciando-se com o Núcleo de Apoio Coreográfico (NAC) que na década de 1990 foi uma importante plataforma de apoio à criação e internacionalização da dança portuguesa.

Trata-se de um lugar de experimentação, no qual se cuida do ofício de criar, mostrar, refletir, criar circularidade com a comunidade artística e na sua vertente pública na criação e mediação de públicos.

Residências Artísticas 2024

Candidaturas encerradas.

A presente edição do Programa apoiará dois projetos na área da dança contemporânea ou performance. Privilegiaremos projetos que se encontrem em fase inicial de conceção e desenvolvimento.
O Programa oferece espaço de ensaio, acompanhamento artístico por parte do artista-investigador associado do Forum Dança, João Fiadeiro, e uma bolsa de apoio no valor de 750 € (setecentos e cinquenta euros).

Períodos

  • Residência 1: 7 a 18 de outubro;
  • Residência 2: 28 de outubro a 8 de novembro;
  • Residência 3: 18 a 29 de novembro.

Condições

  1. Apoio a 3 projetos selecionados pela direção do Forum Dança;
  2. Bolsa no valor de 750 € (setecentos e cinquenta euros) por residência, mediante envio de recibo-verde ou equivalente (no caso de artistas não residentes em Portugal, deverão apresentar obrigatoriamente certificado de residência fiscal emitido pelas autoridades do país de residência.);
  3. Apoio à divulgação do projeto nos meios de comunicação do Forum Dança;
  4. Partilha pública final, no espaço da residência, no formato de mostra informal, conversa ou similar, com mediação de João Fiadeiro;
  5. Menção obrigatória “Apoio à Criação – Forum Dança” e inserção do logótipo em todo o material de promoção do projeto;
  6. Disponibilização do registo da apresentação do projeto apoiado, quando aplicável, para arquivo no Centro de Documentação do Forum Dança;
  7. A organização das viagens, alojamento, alimentação e assistência médica durante o período das residências é da inteira responsabilidade de quem participa.

Acompanhamento

Estas residências artísticas terão o acompanhamento de João Fiadeiro.

Forum Dança | PACAP 5 - João Fiadeiro
João Fiadeiro © Ana Viotti

João Fiadeiro

Nascido em 1965, João Fiadeiro pertence à geração de coreógrafos que surgiu no final da década de 1980 e que deu origem à Nova Dança Portuguesa.

O seu percurso, quer enquanto coreógrafo ou performer, como enquanto investigador ou curador, centrou-se na criação de condições para a experimentação, a prática laboratorial e o cruzamento interdisciplinar. Esta actividade foi realizada tanto no quadro da direcção de projectos de programação e investigação artística, que passaram pelo Centro Cultural da Malaposta (1990-95), pelo Espaço Ginjal (1995-1998), pelo Lugar Comum (1999-2000), pelo Espaço A Capital (2000-2002) e pelo Atelier Real (2004-2019), como no quadro da sua prática artística, através das criações e dos ateliers de investigação organizados em torno da Composição em Tempo Real.

Em todas estas diferentes plataformas de encontro, João Fiadeiro foi sempre acompanhado por artistas que participaram activamente enquanto criadores, performers, investigadores e programadores, contribuindo de maneira decisiva para a existência deste projecto durante 30 anos de actividade ininterrupta.

Processo

As candidaturas deverão ser submetidas até dia 4 de fevereiro de 2024.

Os resultados serão anunciados por email até dia 1 de abril de 2024.

Formulário

Todos os campos são de preenchimento obrigatório. Candidaturas encerradas.

Resultados

Foram apoiados os seguintes projetos:

 

  • Residência I – 28 de outubro a 8 de novembro: Clarissa Rêgo Teixeira
  • Residência II – 18 a 29 de novembro: Herlandson Duarte
  • Residência III – 9 a 20 de dezembro: Inés Sybille Vooduness

 

As residências terão sempre mostra informal no último dia (sextas-feiras).

Adicionalmente ao preenchimento do formulário no final desta página, deve fazer-nos chegar a ficha de projeto, preenchida e em formato pdf (até 2 MB). A ficha de projeto está disponível neste link:

 

Ficha de Projeto | Candidaturas Núcleo 2024

Foram apoiados os seguintes projetos:

 

  • Residência 1 (7-18 Agosto): Ana Renata Polónia com o projecto VERBAL IMAGES
  • Residência 2 (21 Agosto-1 Setembro): Inês Cartaxo com o projecto SUPERADAPTATION
  • Residência 3 (21 Agosto-1 Setembro): Sara Manubens e Ves Liberta com o projecto NOSFERATU: A SYMPHONY OF HORROR
  • Residência 4 (16 – 27 Outubro): Djam Neguin com o projecto Tx@bet_a
  • Residência 5 (30 Outubro – 10 Novembro): Sara Bernardo com o projecto Efemérida
  • Residência 6 (13 – 24 Novembro): Andrei Bessa e Acauã El Bandide Shereya com o projecto URRO – Parte 3 – Para não caber no mundo
Helena Dawin | Vestígios de Azul | Mostra Informal | Forum Dança

Helena Dawin

Vestígios de Azul

Mostra Informal

Espaço da Penha | 18 dezembro | 18h30

Partilha de processo de residência

Mostra informal da residência artística de Helena Dawin.

ENTRADA GRATUITA

“Vestígios da memória, vestígios de azul. Como criamos vestígios com a dança, a arte mais efémera? Como incorporar a história de uma cor? Como é possível o azul estar ligado tanto ao esquecimento como à memória e às saudades? Quais os vestígios que a cor azul deixou na história? Vamos mergulhar, pesquisando o entrelaçamento de vestígios e memória. Vai ser uma viagem para o azul.” – Helena Dawin

 

Mostra informal da residência artística de Helena Dawin, no âmbito do programa “SPRING! 2023-2024” – acompanhamento de projetos de criação em desenvolvimento, da Rede More, com o apoio do Forum Dança. “Vestígios de azul” vai integrar a programação do (Re)union – Encontro Bienal de Artes Performativas, em 2024.

 

Direção artística e interpretação Helena Dawin

Som Helena Dawin

Apoio artístico Vitória Teles Grilo e Sezen Tonguz

Figurinos Pia Stoepper

 

Helena Dawin formou-se na Tanzfabrik Berlim, no Forum Dança e na Companhia Olga Roriz, Lisboa. Participou no Projeto do Estudo em Dança com Francisco Camacho e foi bolseira no Festival Impulstanz, em Viena. Em conjunto com Vitória Grilo e Lucía Nacht criou “Now-here-land”, e lançou o projeto Dança e Língua com Beatrice Cordier. Em colaboração, criou “Contratempo” e o work em progress “Vestígios invisíveis: azul”. Estudou e trabalhou com a Cia João Garcia Miguel, Jolika Sudermann, Stella Zannou, Jennifer Lacey, Jonathan Burrows, Jassem Hindi, Gustavo Ciríaco, Sofia Dias, Shai Faran, Britta Pudelko, Mark Tompkins, Lia Rodrigues e Vera Mantero.

 

Agradecimentos

Quero agradecer muito à associação Rede More – à Sezen Tonguz e à Vitória Teles Grilo.

Muito obrigada à Mariana Tengner Barros.

Muito obrigada ao Forum Dança – à Dora Carvalho, à Carolina Martins, à Mafalda Sustelo e ao Eduardo Quinhones Hall.

Muito obrigada à Claudia Gromann, pelo azul.

 

Local
Espaço da Penha / Forum Dança

Entrada Gratuita

 

Fotografia © Joana Linda (2023)

Forum Dança - Workshop Butoh 2023 - Yael Karavan

Workshop Butoh
Yael Karavan

9 e 10 de dezembro 2023 | 11h00 – 17h00

Butoh fu – Composição com imagens, a linguagem misteriosa do Ankoku Butoh

 

Butoh é uma dança de vanguarda, uma filosofia e um método que foi criado no Japão, no final dos anos 50, por Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno. Não se trata de uma técnica, mas de um método e uma abordagem da dança que nasce dentro de nós e nos conecta à nossa essência, natureza, universo e aos ciclos da vida e da morte. Tatsumi Hijikata, o principal fundador do Ankoku Butoh Dance (Ankoku Butoh – dança das trevas) usava imagens para coreografar os seus bailarinos. O Butoh-Fu é algo que Yukio Waguri, um dos seus bailarinos de longa data, reuniu a partir das suas próprias notas das palavras usadas por Hijikata quando coreografava os seus bailarinos no Asbestos-kan, o estúdio que dirigia em Tóquio.

Neste workshop, Karavan apresenta, explora e dá experiência de numerosos Butoh-Fu originais, levando-nos numa viagem através das origens, pesquisando novas formas de escrever partituras de dança/movimento. O Butoh-Fu permite-nos encontrar os reinos absurdos, dadaístas e obscuros de Tatsumi Hijikata, Kazuo Ohno e Ankoku Butoh.

Este workshop trabalhará os elementos da metamorfose, presença, prontidão, contraste, a dança através de imagens e tensão entre opostos. O objectivo é libertar o corpo do seu conjunto preconcebido mundano de gestos e movimentos e, assim, permitir-nos aceder a uma essência mais profunda e autêntica de movimento e expressão arquetípica. Questionando como o Butoh pode ser traduzido para um corpo europeu e o porquê de o Butoh não ser apenas relevante, mas extremamente vital nos dias de hoje.

Yael Karavan tem mais de 25 anos de experiência em Butoh, durante os quais teve a oportunidade de trabalhar com os fundadores do Butoh no Japão: Kazuo Ohno e Motofuji San – esposa de Tatsumi Hijikata – bem como com Tadashi Endo e o MAMU dance theatre, Yumiko Yoshioka e Ten-Pen-Chi, Sankai Juku, Atsushi Takenuchi, Minako Seki, Carlota Ikeda, Yuko Kawamoto, Akira Kasai, Natsu Nakajuma entre outros.

 

Foto © Raul Bartolome

Informação Geral

Datas: 9 e 10 de dezembro (sábado e domingo) de 2023
Horário: Das 11h00 às 17h00
Local: Forum Dança – Espaço da Penha, Lisboa
Destinatários: Profissionais, estudantes e pessoas com experiência prévia em movimento, dança e/ou teatro.
Número máximo de participantes: 20 pessoas

Pré-inscrição

A inscrição é efectuada através de formulário disponível no nosso site e será validada após recepção do comprovativo de pagamento, que deverá enviar para o nosso email.

Processo de inscrição

  1. Faça a sua pré-inscrição on-line no formulário indicado para o efeito;
  2. Aguarde o nosso email com as instruções de pagamento;
  3. Proceda ao pagamento da sua inscrição, conforme indicado no email enviado;
  4. Envie-nos o respectivo comprovativo de pagamento para o nosso email;
  5. A sua inscrição só é validada após a recepção do seu comprovativo.

Taxa de Participação

  • Até 2 de dezembro: 75,00 €
  • A partir de 3 de dezembro: 85,00 €
  • Desconto de 10%: para pessoas que frequentam, ou que já frequentaram cursos de longa duração do Forum Dança (PACAP/CGPAE/PEPCC/etc.);

Biografia

Yael Karavan
Yael Karavan

Premiada performer, dançarina e diretora artística da Karavan Ensemble, Yael Karavan nasceu em Israel e cresceu em Florença, em Paris e em Londres. Pesquisando a Dança, atravessou a Europa, a Rússia, o Brasil e o Japão buscando por uma linguagem de expressão física que ligasse o Oriente e o Ocidente, a Dança e o Teatro. Estudou e trabalhou com mestres do Butoh, como Kazuo Ohno, Tadashi Endo, Carlotta Ikeda, Yumiko Yoshioka, Akiko Motofuji, Ko Morobushi, Katsura Kan, Yuko Kaseki, Yuko Kawamoto, entre outros. Foi membro da MaMu Dance Theatre de Tadashi Endo durante 8 anos e da Ten-Pen-Chi, da Yumiko Yoshioka durante 3 anos.

 

Mais informações: www.yaelkaravan.com

Formulário de pré-inscrição

As inscrições estão encerradas.

Palestra "A Minha História da Dança", por Cristina Planas Leitão

Cristina
Planas Leitão

18 janeiro 2024, às 18h30
Biblioteca Camões • Lisboa
Duração aproximada: 2 horas

Entrada livre, mediante inscrição.

 

Coreógrafa, programadora de artes performativas e professora. É codiretora artística do Departamento de Artes Performativas da Ágora (Teatro Municipal do Porto, DDD – Festival Dias da Dança, CAMPUS Paulo Cunha e Silva), após ter assumido a direção artística interina em julho de 2022, e a programação de artes performativas, sob direção artística de Tiago Guedes, desde 2019. Em 2011, foi uma das iniciadoras dos encontros desNORTE (2011-2017) e integrou o grupo de consultoria de Braga’27.

A sua prática curatorial agregadora foca-se no desenvolvimento de formatos de criação sustentáveis, novas narrativas e relações de cuidado nas artes performativas. Aborda o seu trabalho coreográfico como um ato de resistência e afeto, pesquisando temas conectados com movimentos sociais e políticos, e a sua relação com o corpo performativo na intimidade do teatro. Criou The very delicious piece e The Very Boring Piece, com Jasmina Krizaj, bear me, FM [featuring mortuum] e UM [unimal], escolhida com uma das melhores peças em 2018 pelo JN e Expresso. Em 2023 estreia [O SISTEMA] em co-produção com o 23 Milhas, TM Faro e TAGV.

O seu trabalho está documentado na série da RTP2, Portugal que Dança. Licenciada em dança contemporânea pela ArtEZ, onde é mentora e professora regular. Leciona internacionalmente, partindo de uma abordagem somática e não convencional.

 

Fotografia © José Caldeira

SARA BERNARDO | Efemérida | Mostra Informal | Forum Dança

Sara Bernardo

Efemérida

Mostra Informal

Espaço da Penha | 9 novembro | 18h30

Partilha de processo de residência

Mostra informal da residência artística de Sara Bernardo.

ENTRADA GRATUITA

De conceito efémero, as artes do palco nascem sempre para morrer. Numa sociedade de estímulos rápidos, fast food, fast cars, fast money, fast sex, FAST RELATIONSHIPS, esta pesquisa é feita no presente, pensando no passado, para morrer num futuro. Breve. Mas também para se transformar em algo diferente após a sua primeira morte.

Irei abordar o construir para destruir, o reinventar, o caos e a organização, a catarse, o efémero, o memento mori, a auto-destruição, mas também o conceito de EGO DEATH, que pode ser outra forma de auto-destruição; a ação de DEMOLIÇÃO; as ações de eliminação, EXTERMINAÇÃO, MORTE. Pretendo pesquisar sem esperar construir algo daí, mas ao mesmo tempo espero encontrar coisas tão belas, absurdas, profundas ou ridículas que mereçam ser destruídas.

Efemérida não é necessariamente uma performance com início meio e fim, ou talvez possa ser. Será sem dúvida uma amálgama dos momentos construídos durante a sua criação. Será o seu nascimento e a sua morte. Será um momento partilhado e vivido em conjunto com o público. Será efémero. Será (talvez) um clichê e a sua destruição. Será uma mistura de referências e conceitos supracitados. Será uma pesquisa pessoal mas transmissível.

 

Conceito/criação Sara Bernardo
Intepretação e cocriação Hugo Cabral Mendes
Apoio Forum Dança

 

Sara Bernardo é intérprete e criadora de dança contemporânea. Como intérprete trabalha com Emmanuelle Huynh e Joana Von Mayer Trindade, entre outros. Como criadora apresenta “1984”, “TRESPASS” E “ER.MO”. No campo do vídeo dirige “Breathe a Little Bit Faster, Now!|1984”- videodança premiada e apresentada em vários festivais, e a curta “Dentro.”- Território/EVC.

 

Hugo Cabral Mendes trabalha como intérprete com Raimund Hoghe, Daniel Matos, Rodrigo Teixeira, Diana Niepce, Adriana Sá Couto, Aldara Bizarro e Fernanda Fragateiro. Participa numa video-dança realizada por Miguel Moreira e numa curta metragem de Daniel Matos. Faz assistência de ensaio em “Perfil Perdido” de Marco Martins.
Além disso, Hugo é fundador e Diretor Artístico da (A)MAR EMOTO Produções, uma estrutura cultural, onde destaca a criação “A Maior Flor do Mundo”. Recentemente estreou o seu segundo projeto, “O Ser Inumano”.

 

Local
ESPAÇO DA PENHA / FORUM DANÇA
ENTRADA GRATUITA

 

Fotografia © Rita Soeiro (2023)

Palestra "A Minha História da Dança", por Margarida Bettencourt

Margarida Bettencourt

2 novembro 2023, às 18h30
Biblioteca Camões • Lisboa
Duração aproximada: 2 horas

Entrada livre, mediante inscrição.

 

Margarida Bettencourt nasceu em 1962 em Johannesburg, na Africa do Sul onde começou ainda em criança com aulas de dança enquanto também se dedicava a atividades desportivas como natação, ginástica e ténis. Mudou-se com a família para Portugal em 1973. É bailarina-coreógrafa e professora de dança considerada uma das pioneiras da Nova Dança Portuguesa.

Frequentou os cursos de formação de dança da Fundação Calouste Gulbenkian. entrando depois para a companhia onde dançou de 1980 a 1993. Desde logo iniciou um trabalho independente, a solo e em colaboração com outros artistas, nomeadamente o bailarino e coreógrafo João Natividade com quem formou o grupo Aparte. Manteve uma relação criativa estreita com os compositores Carlos Zíngaro e Constança Capdeville com trabalhos encomendados pelo Serviço Acarte da Fundação Calouste Gulbenkian, Culturgest, Forum Dança, Festival Danças na Cidade.

O seu trabalho a solo distingue-se por uma ênfase no corpo como potencial de expressão e comunicação – em 2009 a adaptação de “At Once” da coreógrafa americana Deborah Hay, numa colaboração com o artista plástico João Tabarra, foi mais uma etapa desta pesquisa.

De 1997 a 2012 ensinou em várias instituições de ensino da dança, nomeadamente na Escola de Dança do Conservatório Nacional, Escola Superior de Dança, Forum Dança, tendo integrado vários grupos de reflexão sobre o ensino da dança em Portugal.

Em 2006 foi tutora no Curso de Coreografia promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Em 2007 concluiu uma formação para instrutora de Chi Kung Terapêutico na Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa – passando a dar aulas regulares desta disciplina em vários contextos.
Tem continuado a sua investigação no desenvolvimento de uma relação com o corpo como potencial de força transformadora, terapêutica e inspiradora – explorando a integração da sua história e experiência pessoal como bailarina, o treino e a prática com a anatomia, com a fisiologia do corpo, com processos e rituais de criação.

Depois de acompanhar o pai durante o seu último ano de vida, fez uma formação para voluntária no acompanhamento de pessoas em fim de vida – com a AMARA, associação que tem como missão a dignidade na vida e na morte. Todas estas experiências alimentam a forma como é desenvolvida e partilhada a sua prática com paixão e devoção pelo corpo e o movimento como força vital.

 

Fotografia © António Rebolo

DJAM NEGUIN | Tx@βet_a | Mostra Informal | Forum Dança

Djam Neguin

Tx@βet_a

Mostra Informal

Espaço da Penha | 26 outubro | 18h30

Partilha de processo de residência

Mostra informal da residência artística de Djam Neguin.

ENTRADA GRATUITA

(“Xabeta/Tchabeta”) é a parte principal e climática do Batuque/Batuku, uma das primeiras formas de música e dança a aparecer em Cabo verde. A partir desta manifestação cultural, o performer mergulha num conjunto de proposições e intersecções, que exploram o legado da ancestralidade e tradição cultural em interface com um devir transhumanista.

 

Conceção e Performance Djam Neguin
Composição Musical Bender e Djam Neguin
Consultoria criativa Princezito
Mentoria à Criação João Fiadeiro
Apoio Sonoro Ricardo Figueiredo
Figurinos House of Onix
Adereços Kennart
Design MMStudio
Assessoria Hélder Tavares
Agradecimentos Forum Dança

 

Djam Neguin é uma das mais destacadas e revolucionárias figuras da cena artística-cultural cabo-verdiana da atualidade.

Um artista multidisciplinar que tem uma trajetória singular marcada por uma miríade de talentos e feitos nas áreas da dança, música, teatro, moda, performance, literatura, audiovisual, que se complementam ainda com as suas atividades como produtor e ativista.

 

Local
ESPAÇO DA PENHA / FORUM DANÇA
ENTRADA GRATUITA

 

Fotografia © Kennart

Palestra "A Minha História da Dança", por Sofia Neuparth

Sofia Neuparth

12 outubro 2023, às 18h30
Biblioteca Camões • Lisboa
Duração aproximada: 2 horas

Entrada livre, mediante inscrição.

 

Sofia Neuparth tem um percurso singular no seio da Arte Contemporânea em Portugal. É o entendimento que tem do Corpo como acontecimento em relação que determina todo a sua acção, quer a nível do trabalho de formação que desenvolve desde o início de 80, à programação da estrutura profissional que co-criou e dirige. Foi assim que no final dos anos 80 deu forma a um espaço de investigação, experimentação, formação, criação e documentação artísticas que sustenta as práticas nos estudos do Corpo, do Movimento e do Comum: o c.e.m-centro em movimento. Da programação regular do organismo c.e.m destaca o Espaço Experimental (existente desde 1993), o trabalho com a cidade desde 2005 (Pedras – práticas com pessoas e lugares), os programas de investigação / criação / formação (como O Risco da Dança, a FIA ou a DEMORA) que têm vindo a ganhar forma desde o final dos anos 90, e o constante acompanhamento lado-a-lado de caminhos de experimentação e criação.

 

Professora, investigadora e criadora, nutre a reflexão continuada a que se dedica, exercitando a geração de mundos possíveis e praticando a Arte enquanto forma fundamental de Conhecimento. Activamente activa e crítica na relação com a recorrente implementação de políticas (não só culturais) que tendam a sufocar a vitalidade da existência, esteve na criação da APPD (Associação Portuguesa para a Dança) ou da REDE- Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea que co-dirigiu durante vários anos, continuando atenta e participante na geração de formas de ir-sendo implicadas e vibrantes.

 

Mantém aberta a experiência da dança no encontro com outras formas de conhecimento como a embriologia ou a filosofia de onde emergiram criações como “mmm-um poema físico” (2005), “práticas para ver o invisível e guardar segredo”(dança-livro 2010), “ 1 ou 2 contentamentos comedidos”(2011), ou “Sopro” (2017-com Margarida Agostinho e Bruno de Azevedo) ou as publicações (“escritas em estado de dança”) como “movimento”2014 ou “Criação” 2020, este último com Margarida Agostinho.

 

Para mais informações: www.c-e-m.org

 

Fotografia © Valentina Parravicini

Composição em Tempo Real, João Fiadeiro / Forum Dança

Sessões Abertas
Composição em Tempo Real 2023/2024

Segundas-feiras, das 18h00 às 20h00

2023/2024

Com a facilitação de João Fiadeiro, Márcia Lança,

Cláudia Dias, Carolina Campos e/ou Daniel Pizamiglio

Durante o período que a REAL (estrutura dirigida por João Fiadeiro entre 1990-2019) dirigiu o Atelier Real, organizaram-se sessões abertas de prática de Composição em Tempo Real gratuitas para a comunidade. Eram sessões despretensiosas, entre a jam e a master class, que tiveram um impacto importante na comunidade de artistas de então e na investigação sobre (e em torno) desta ferramenta. Foram também sessões muito importantes como lugar de encontro e para a criação de redes profissionais e afetivas que perduram até hoje.

 

Durante os próximos meses, enquanto programação da actividade desenvolvida no âmbito da posição de Artista Investigador Residente do Forum Dança, vamos replicar estas sessões para partilhar a nossa experiência, mas também para nos deixarmos contaminar por discursos, olhares e práticas fora da nossa zona de conforto. Estas sessões estão abertas a qualquer pessoa – artista ou não artista, com ou sem experiência de improvisação, com percursos ligados à prática ou à teoria – desde que as premissas e princípios desta prática despertem a curiosidade.

 

“O ‘objeto de estudo’ da Composição em Tempo Real é o intervalo que emerge quando o tempo linear é interrompido e a sensação de continuidade é suspensa (via acidente, incidente ou ‘porque sim’). O espaço que se abre, resultante dessa interrupção, é onde a pesquisa de Composição em Tempo Real têm lugar. Dentro desse espaço, o tempo tem essa rara qualidade de ser simultaneamente ‘não mais’ e ‘ainda não’. Dentro desse espaço, o tempo não é linear (ou mesmo circular), mas ‘torcido’ (como a superfície topológica da ‘Fita de Möbius’), regido por leis que não respeitam as noções convencionais do antes e do depois, do dentro e do fora ou do longe e do perto.”

João Fiadeiro

A participação é gratuita, basta aparecer!

Biografias

João Fiadeiro

Forum Dança | PACAP 5 - João Fiadeiro
João Fiadeiro © Ana Viotti

João Fiadeiro (1965) é um performer, coreógrafo, investigador, professor e curador português.
Pertence à geração de artistas que surgiu no final dos anos oitenta em Portugal e deu origem ao movimento da Nova Dança Portuguesa.
Nos anos 90 estudou e praticou intensamente o Contacto-Improvisação o que o levou a prosseguir e sistematizar a sua própria investigação sobre improvisação sob a designação de Composição em Tempo Real. Esta pesquisa levou-o a coordenar workshops em programas de mestrado e doutorado em várias escolas e universidades em todo o mundo.
Tem feito extensas digressões pela Europa, América do Norte e América do Sul com os seus trabalhos a solo e em grupo.
O seu percurso, quer enquanto coreógrafo ou performer, como enquanto investigador ou curador, centrou-se na criação de condições para a experimentação, a prática laboratorial e o cruzamento interdisciplinar.
Esta actividade foi realizada tanto no quadro da direcção de projectos de programação e investigação artística, que passaram pelo Centro Cultural da Malaposta (1990-95), pelo Espaço Ginjal (1995-1998), pelo Lugar Comum (1999-2000), pelo Espaço A Capital (2000-2002) e pelo Atelier Re.AL (2004-2019), como no quadro da sua prática artística, através das criações e dos ateliers de investigação organizados em torno da Composição em Tempo Real.
O Atelier Re.AL foi uma estrutura que desempenhou um papel preponderante no desenvolvimento da dança contemporânea e de iniciativas transdisciplinares em Portugal.
Em todas estas diferentes plataformas de encontro, João Fiadeiro foi sempre acompanhado por artistas que participaram ativamente enquanto criadores, performers, investigadores e programadores, contribuindo de maneira decisiva para a existência deste projeto durante 30 anos de atividade ininterrupta.

Márcia Lança

Forum Dança | PACAP 5 - Márcia Lança
Márcia Lança

Márcia Lança nasceu em Beja e vive em Lisboa. Em 2008 fundou a VAGAR da qual é diretora artística. Tem trabalhado como coreógrafa e performer em diversas configurações colaborativas.
Move-se em territórios onde as fronteiras entre o ficcional e o real são ténues e difusas. O seu interesse pela materialidade poética de ações e tarefas concretas está no centro dos seus processos de criação.
É apaixonada por composições coletivas emergentes, pelo pensamento enquanto ação e por construções situadas.

Carolina Campos

Forum Dança | PACAP 5 - Carolina Campos
Carolina Campos

Carolina Campos é brasileira e vive entre Lisboa e Barcelona.
Realizou o Programa de Estudos Independentes do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona.
No Brasil trabalhou com a Lia Rodrigues Cia de Danças, entre 2008 e 2011.
Colabora intensamente desde 2013 com João Fiadeiro na formação, criação e investigação da Composição em Tempo Real.

Daniel Pizamiglio

Forum Dança | PACAP 5 - Daniel Pizamiglio
Daniel Pizamiglio © Matheus Martins

Daniel Pizamiglio é performer e criador brasileiro.
De 2008 a 2010 fez o Curso Técnico em Dança de Fortaleza (2008-2010). Durante este período encontrou o coreógrafo João Fiadeiro e a partir deste encontro mudou-se para Lisboa em 2012, onde actualmente vive e trabalha.
Desde então estuda e pratica a Composição em Tempo Real; participou no Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica do Forum Dança (2015-2016); tem colaborado como intérprete, cocriador e assistente de direcção com diferentes artistas.
No seu trabalho autoral, procura um encontro entre a poesia e o corpo (“Dança Concreta”) e como ativar a corporalidade dos afectos e da relação (“Preste Atenção Em Tudo A Partir de Agora”).

Cláudia Dias

Cláudia Dias 
© Adriano Miranda
Cláudia Dias © Adriano Miranda

Cláudia Dias nasceu em Lisboa, em 1972. É coreógrafa, intérprete e professora. Iniciou a sua formação em dança na Academia Almadense, foi bolseira na Companhia de Dança de Lisboa, concluiu o Curso de Formação de Intérpretes de Dança Contemporânea no Forum Dança, e frequentou o Mestrado em Artes Cénicas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. Iniciou o seu trabalho como intérprete no Grupo de Dança de Almada. Integrou o colectivo Ninho de Víboras. Colaborou com a Re.Al tendo sido uma intérprete central na estratégia de criação de João Fiadeiro e no desenvolvimento, sistematização e transmissão da Técnica de Composição em Tempo Real. Criou as peças Feedback, E.U. (entrevistem-me urgentemente), Juntem-se 2 a 2, As águias não geram pombas, Per Ti, Histo, One Woman Show, Visita Guiada, Das coisas nascem coisas, Vontade de ter Vontade, 23 + 1 e Nem tudo o que dizemos tem de ser feito nem tudo o que fazemos tem de ser dito. Foi artista associada da Re.Al e do Espaço do Tempo e artista residente no Alkantara. Publicou textos nas revistas Boa União e Woman On Scene e nos livros Correspondencias.Bad e Escenas do Cambio. Premiada pelo Clube Português de Artes e Ideias no concurso Jovens Criadores, 1998. Nomeada para o Prémio Melhor Coreografia de 2013 e de 2017 pela Sociedade Portuguesa de Autores. Desde 2016 desenvolve o projecto Sete Anos Sete Peças acumulando funções de direcção, criação, interpretação e formação. Criou a associação Sete Anos.

Nota Geral

Para quem pretenda participar em qualquer das nossas propostas de transmissão e prática da CTR

 

Mesmo que estejamos comprometidos a criar um lugar de prática seguro, sustentado numa ética de trabalho apoiada em princípios de cuidado e de respeito mútuo, a experiência da improvisação e da performance, por definição, pode levar os/as/es performers para lugares de partilha intensa, muitas vezes vulneráveis e emocionalmente carregados, onde a dúvida e o erro têm um lugar de relevo. Ao inscreverem-se tenham em consideração que nesta prática podem encontrar-se em situações de experimentação que abalam, mesmo que provisoriamente, as vossas zonas de conforto.

Atividades TECER

PREMIERE - Dias Abertos em Amesterdão

PREMiERE
Open Days em Amesterdão

As artes do espetáculo encontram-se com a tecnologia

19 a 21 de setembro de 2023

O PREMiERE é um projeto de investigação e inovação do Horizon Europe que visa modernizar as artes do espetáculo, desenvolvendo e validando um ecossistema abrangente de aplicações digitais, alimentado por tecnologias de ponta de IA, XR e 3D. Para tal, reúne parceiros de academias de arte, salas de espectáculos, centros de investigação e do sector empresarial, de seis países europeus diferentes.

 

Durante os Open Days do PREMIERE, o IDlab da Academia de Teatro e Dança e o ICK Space for Dance Art co-organizarão reuniões abertas, uma mesa redonda e um evento de discurso público com e para a comunidade local das artes performativas e o público em geral, a fim de apresentar o trabalho em curso do projeto, interagir com estudantes, antigos alunos e profissionais e refletir em conjunto sobre as potencialidades criativas e os aspectos éticos das relações entre a tecnologia, as artes performativas e o conhecimento intuitivo incorporado.

 

Serão três os eventos Open Day co-organizados e acolhidos pela IDlab ATD Academy of Theatre and Dance & ICK Space for Dance Art:

 

Terça-feira, 19 de setembro

Apresentações da Premiere – MEET & GREET
Apresentação dos quatro projectos-piloto e mostra do trabalho em curso relativo à captura e análise de movimentos, ensaios em RV, tecnologias de linguagem e criação de ontologias para as artes performativas.
17:00-18:30 | AHK Culture Club Marineterrein
Kattenburgerstraat 5, 27E, 1018 JA Amesterdão

 

Quarta-feira, 20 de setembro

Arquivar para o futuro – Mesa redonda
Mesa redonda pública com especialistas em artes performativas sobre as práticas de arquivo numa dimensão europeia.
14:00 – 18:00 | AHK Culture Club Marineterrein 
Kattenburgerstraat 5, 27E, 1018 JA Amesterdão

 

FRA: IA, Criatividade e o Corpo em Revolta
Potenciais criativos e aspectos éticos das relações entre a tecnologia, as artes performativas e o conhecimento intuitivo incorporado.
19:00-21:00 | ICK Space for Dance Art – WestBeat /Rhino Space 
Rijnlandlaan 3, Gebouw Westbeat 
Este evento será transmitido em direto.

 

Quinta-feira, 21 de setembro

Encontro de caminhadas
Apresentação do workshop de tecnologia interactiva do Instituto Stocos para ex-alunos/estudantes/artistas.
17:00 – 19:00 | ATD IDlab Studio 
Jodenbreestraat 3, 1011 NG Amesterdão

Registe-se aqui.

 

Todos os eventos terão lugar no local e são gratuitos. Descarregar o programa completo aqui. Toda a informação em inglês no site do projeto PREMiERE, aqui.

PREMiERE logo
Financiamento pela EU

Financiado pela União Europeia. Os pontos de vista e opiniões expressos são, no entanto, da exclusiva responsabilidade do(s) autor(es) e não refletem necessariamente os da União Europeia ou da Agência Executiva Europeia de Investigação (REA). Nem a União Europeia nem a autoridade que concedeu o financiamento podem ser responsabilizadas pelos mesmos.

Premiere - Performing Arts in a new era

PREMiERE

Artes performativas numa nova era

Ferramentas de Inteligência Artificial (IA) e Realidade Aumentada (RA) para uma melhor compreensão, preservação, fruição e acessibilidade nas artes performativas

O Forum Dança integra, desde outubro de 2022, o consórcio de pesquisa e desenvolvimento europeu “PREMiERE“. Este consórcio recebeu financiamento do programa Horizon Europe da Comissão Europeia com o propósito de explorar e aplicar tecnologias inovadoras, tais como Inteligência Artificial (IA), Realidade Aumentada (RA) e universos tridimensionais (3D).

 

O objetivo central é direcionar essas tecnologias para a criação, preservação, valorização e fruição do património europeu das artes performativas, nomeadamente do teatro e da dança. O consórcio é composto por 12 parceiros, representando diversas entidades de Portugal, Espanha, França, Holanda, Grécia e Chipre, e é liderado pelo Centro de Investigação Athena, sediado em Atenas, Grécia.

 

O contributo do Forum Dança está maioritariamente concentrado no seu património e no arquivo de registos audiovisuais, existentes no seu Centro de Documentação e no tratamento dos metadados que os compõem.

 

O projeto “PREMiERE” possui site próprio que pode ser consultado no seguinte endereço www.premiere-project.eu (em inglês). Apresentamos aqui uma breve versão dos conteúdos em português.

Informações

Selecione cada uma das secções abaixo para ficar a par de algumas das características deste projeto.

Objetivos

O PREMiERE procura modernizar as artes performativas, utilizando tecnologias digitais avançadas para apoiar todo o ciclo de vida dos espetáculos:

 

  • Desde a sua produção e curadoria;
  • À sua apresentação e compreensão por parte do público;
  • E à sua análise e interpretação por parte dos académicos do setor artístico.

Estudos de Caso

Navegação nos arquivos das artes do espetáculo, melhorada com tecnologias RA/RV

 

Este estudo de caso envolve a aplicação das tecnologias de análise semântica em arquivos de dança e teatro existentes e a projeção do material acompanhado dessas semânticas num espaço de RV (Realidade Virtual).

Destacará o valor acrescentado da análise de conteúdos, proporcionando funcionalidades avançadas de interação.

Atuação em direto, melhorada com tecnologias de RV

 

Este estudo de caso utilizará técnicas avançadas de captação e transmissão para transmitir espetáculos em direto para um espaço de RV.

Os artistas estão num local físico, são projetados num espaço de RV e depois transmitidos aos espetadores numa experiência imersiva.

Espetáculo de cocriação virtual Ator/Bailarino

 

O espaço de cocriação virtual será um espaço de RV onde atores e bailarinos ensaiarão e atuarão à distância.

O objetivo é investigar novas formas de ensaiar e criar na perspetiva dos artistas e das indústrias criativas.

Cada artista atuará num espaço separado e será projetado no espaço virtual utilizando tecnologias mocap.

Ambiente de criação artística baseado na dança

 

Este estudo de caso centra-se no desenvolvimento de um software que explorará a caixa de ferramentas de criação de RV/IA juntamente com o Teatro Virtual 3D e a ferramenta de visualização de dados, a fim de desenvolver processos que ajudem a criação baseada no movimento de dança em interação com tecnologias de IA e RV.

Sobre o projeto

O quê

MOTIVAÇÃO

As artes do espetáculo são uma parte importante do património cultural imaterial da Europa. O espetáculo ao vivo torna-o, na sua maior parte, irrepetível. Mesmo que o mesmo espetáculo seja apresentado duas vezes, exatamente nas mesmas condições, com o mesmo elenco e público, continuará a ser diferente. Os espetáculos de teatro e de dança não têm sido gravados em grande escala e, mesmo quando são gravados, são-no por métodos com pouca qualidade. Mesmo nos dias de hoje, em que está disponível uma grande variedade de ferramentas digitais, ainda existe o risco de se perder a oportunidade de entregar às gerações futuras o património cultural recém-nascido.

 

Além disso, o setor cultural e criativo vê-se confrontado com uma nova crise provocada pelo surto da pandemia de Covid-19. O setor das artes ao vivo foi um dos mais afetados e surge a necessidade de utilizar ferramentas de recuperação específicas que ajudem os profissionais e os serviços a regressar à atividade. Assim, é fundamental desenvolver uma variedade de ferramentas que não só preservem no sentido típico, mas também apoiem todo o ciclo de vida de um artefacto de artes performativas de forma remota.

 

PREMiERE

O objetivo geral do PREMiERE é desenvolver e validar um ecossistema abrangente de aplicações digitais, alimentado por tecnologias de ponta de IA (Inteligência Artificial), RA (Realidade Aumentada) e 3D, concebido para satisfazer as necessidades de diversas comunidades de utilizadores finais envolvidas nas principais fases do ciclo de vida das produções de artes do espetáculo, incluindo artistas amadores e profissionais, produtores, curadores, espetadores e académicos de artes do espetáculo.

 

OBJETIVOS

  1. Alargar a acessibilidade a públicos que não podem assistir a espetáculos ao vivo devido à distância física, a razões de saúde ou a causas económicas;
  2. Melhorar a compreensão dos espetáculos presentes e passados por parte de públicos com antecedentes culturais, sociais, históricos e educativos diversos;
  3. Enriquecer o processo criativo, acrescentando novos elementos, dimensões e capacidades, proporcionados pelas tecnologias digitais avançadas, permitindo simultaneamente a colaboração internacional;
  4. Aumentar a visibilidade dos espetáculos, apoiando tanto os espetadores na procura de conteúdos relevantes como os produtores/curadores na comunicação do seu trabalho aos públicos mais relevantes.

Como

VISÃO GERAL

O PREMiERE visa modernizar as artes do espetáculo através do desenvolvimento de ferramentas digitais para apoiar todo o ciclo de vida de um artefacto de arte do espetáculo, desde a produção até ao consumo e preservação.

Para o processo de produção, o PREMiERE fornecerá ferramentas para ensaiar e atuar e definirá também um protocolo de captação e armazenamento para novos espetáculos. No que diz respeito aos artefactos existentes, o PREMiERE utilizará ferramentas digitais para indexar e organizar os arquivos, de dança e teatro, existentes. Na fase de compreensão e enriquecimento, os artefactos digitais antigos e recentes serão analisados e enriquecidos utilizando métodos de Inteligência Artificial e serão encapsulados num mundo de Realidade Virtual com funcionalidades de navegação avançadas. Na fase de distribuição, o valor acrescentado derivado da utilização de tais tecnologias, será demonstrado através da disponibilização de interfaces de navegação e de transmissão em RV para chegar a uma variedade de utilizadores finais.

Panorâmica do ciclo de vida das artes do espetáculo PREMiERE, © PREMiERE
Panorâmica do ciclo de vida das artes do espetáculo PREMiERE, © PREMiERE

TECNOLOGIAS DE BASE

Utilizamos tecnologias de ponta para uma melhor compreensão e perceção do património cultural nas artes do espetáculo.

 

IA | Técnicas de inteligência artificial relacionadas com tecnologias de processamento multimodal (áudio, vídeo, imagens, texto) para o enriquecimento semântico de espetáculos.

XR | Tecnologias de realidade alargada para permitir o acesso imersivo a espetáculos normalizados e enriquecidos semanticamente.

 

COMPONENTES DE SOFTWARE REUTILIZÁVEIS

Forneceremos componentes de software reutilizáveis para tornar os conhecimentos derivados interoperáveis, sustentáveis e acessíveis.

Relação dos componentes reutilizáveis, © PREMiERE
Relação dos componentes reutilizáveis, © PREMiERE

ESTUDOS DE CASO

Serão criados quatro estudos de caso no mundo real para testar e partilhar os desenvolvimentos tecnológicos com a comunidade das artes do espetáculo: artistas, público, indústrias criativas, arquivos, cientistas, profissionais das TIC e da RX.

 

  1. Navegação em arquivos de artes do espetáculo melhorada com tecnologias AR/RV;
  2. Espetáculos ao vivo melhorados com tecnologias RV;
  3. Espetáculo de cocriação virtual entre ator e bailarino;
  4. Ambiente de criação artística baseado na dança.

Parceiros

Projetos relacionados

PERCIEVE – Realidades perceptivas melhoradas de coleções coloridas através da IA e de experiências virtuais;

MEMORISE – Virtualização e Exploração Multimodal do Património sobre a perseguição nazi;

MEMENTOES – Jogos imersivos para Museus como veículos para envolver os visitantes em respostas empáticas;

MuseIT – Experiências culturais multissensoriais, centradas no utilizador e partilhadas através de tecnologias interativas;

SHIFT – Metamorfose do património cultural em ativos hipermédia aumentados para maior acessibilidade e inclusão.

Recursos

Folheto 1

Comunicado de imprensa

Artigos no blogue (em inglês): Todos | Artigos | Eventos | Notícias

Contactos

INVESTIGADOR PRINCIPAL
Vassilis Katsouros – Diretor ILSP – ΑΤΗΕΝΑ Research Center – [email]

 

COORDENADOR TÉCNICO
Aggelos Gkiokas – Investigador assistente no ILSP – ΑΤΗΕΝΑ Research Center [email]

 

EQUIPA DE COMUNICAÇÃO
info@premiere-project.eu

 

REDES SOCIAIS

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Actividades PREMiERE

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Financiamento pela EU

Financiado pela União Europeia. Os pontos de vista e opiniões expressos são, no entanto, da exclusiva responsabilidade do(s) autor(es) e não refletem necessariamente os da União Europeia ou da Agência Executiva Europeia de Investigação (REA). Nem a União Europeia nem a autoridade que concedeu o financiamento podem ser responsabilizadas pelos mesmos.

Forum Dança - Cartografias #5 - O humor como conceito atrator

Cartografias #5

O humor como conceito atrator

Ciclo de apresentações

22, 23 e 28 setembro | Teatro Ibérico

29, 30 setembro e 6, 7 outubro | Forum Dança

“Levantada pelos primeiros ares de outono, a mostra Cartografias #5 abre-se ao mundo entre as duas últimas semanas de setembro e a primeira semana de outubro, e terá como conceito atrator o humor. O humor, enquanto constituinte desejável da atmosfera de cena e que intensifica o plano energético e as esferas de presença entre os corpos humanos, podendo instalar-se em vários gradientes – da subtileza, à ironia mais doce ou ao riso declarado.

O programa acolhe uma recriação do jovem coreógrafo brasileiro Francisco Thiago Cavalcanti (Um Corpo Foi Achado), e recupera obras produzidas nos últimos dois anos e que ainda não tiveram a possibilidade de poderem ser livremente respiradas, nem de inspirar o riso e a circulação de ar entre o palco e a assistência: Filipe Pereira (Arranjo Floral), Miguel Pereira (Falsos Amigos), e Bibi Dória que apresentará Nome de Filme.

A pesquisa coreográfica e a afirmação dos desafios temáticos e físicos da performatividade, que constituem o tronco-comum do Cartografias, continuarão presentes nesta edição: através do workshop, dirigido pela dupla de criadores portuense Joana Von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristóvão, intitulado Dança e Heterodoxia – Onde Está O Relâmpago Que Vos Lamberá As Vossas Labaredas e onde se explorará a relação entre a dança e o riso, tão cara a Nietzsche; e pela mostra informal em que culminará a residência artística de Julián Pacomio, Toda a luz do meio-dia, a 7 de outubro, num momento final que marcará o regresso de uma das tradições da nossa Mostra – o convívio e a celebração entre artistas e público.

Esperamos ter o prazer da vossa companhia, com alegria e leveza, ao longo destes dias.”

Ezequiel Santos, curadoria Cartografias

Programa no Teatro Ibérico

22 setembro

Sexta-feira, às 19h00

Francisco Thiago Cavalcanti

Um Corpo Foi Achado

23 setembro

Sábado, às 19h00

Filipe Pereira

Arranjo Floral

28 setembro

Quinta-feira, às 19h00

Miguel Pereira e Guillem Mont de Palol

Falsos Amigos

Reservas e bilhetes

Mais informações no site do Teatro Ibérico aqui.

Bilheteira | Ticketline

Programa no Espaço da Penha

29 e 30 setembro

Sexta e sábado, das 14h00 às 19h00

Joana Von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristovão

Workshop

Dança e Heterodoxia: Onde Está O Relâmpago Que Vos Lamberá As Vossas Labaredas

6 outubro

Sexta-feira, às 19h00

Bibi Dória

Nome de Filme

7 outubro

Sábado, às 17h00

Julián Pacomio

Toda a Luz do Meio-dia

CARTAZ

Forum Dança - Cartografias #5 - O humor como conceito atrator
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