” Olá!
O meu nome é Angela Guerreiro e sou doutoranda no programa Pós-Colonialismos e Cidadania Global do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
No âmbito da minha investigação intitulada “Onde estão os corpos negros a dançar?” Cartografias do corpo negro na dança contemporânea portuguesa 1980 – 2010, estou a organizar grupos focais com o objetivo de promover uma reflexão coletiva sobre a presença, a visibilidade e as experiências de corpos negros na dança contemporânea em Portugal durante este período.
Estes grupos de discussão destinam-se a antigos/as estudantes do Forum Dança, bem como a artistas, investigadores/as e profissionais da dança que desejem partilhar as suas experiências e perspetivas sobre o tema. O diálogo procurará compreender trajetórias, contextos e perceções no campo da dança contemporânea portuguesa, sem pressupor respostas ou conclusões prévias.
Cada sessão terá a duração aproximada de 90 minutos e decorrerá presencialmente no Forum Dança, com possibilidade de participação via Zoom para quem não puder estar presente.
As datas propostas para as sessões são:
19, 21, 23, 26, 28 e 30 de janeiro de 2026, nos seguintes horários (a selecionar):
Se tiveres interesse em participar, agradeço que confirmes a tua disponibilidade e seleciones a data e o horário preferidos até 20 de Dezembro de 2025, através do seguinte formulário:
https://docs.google.com/forms/d/1XoR9S0uqZL7M0FqLRslI61tWmz-Mpw6zS9YzzRS4feM/edit
A participação é voluntária. Todos os dados recolhidos serão tratados de acordo com princípios éticos de investigação e utilizados exclusivamente para fins académicos. Nenhuma informação pessoal identificável será divulgada sem consentimento prévio.
A tua colaboração será essencial para ampliar esta reflexão e contribuir para uma compreensão mais plural das presenças e ausências dos corpos negros na dança contemporânea portuguesa.
Com gratidão e os melhores cumprimentos,”
[Angela Guerreiro]

Angela Guerreiro
Coreógrafa, Intérprete, Mentora, Curadora e Produtora de Festivais, Terapeuta de Movimento e Dança (MA), Praticante de Dynamic Embodiment (DEP) e Educadora de Movimento Somático Registada (RSME-ISMETA).
Doutoranda em Pós-Colonialismos e Cidadania Global no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Telefone (PT): +351 912950187
E-mail: angelaguerreiro@ces.uc.pt
https://www.ces.uc.pt/en/ces/pessoas/doutorandas-os/angela-guerreiro
Fundação para Ciência e Tecnologia, Centro de Estudos Sociais de Coimbra da Universidade de Coimbra, Universidade de Coimbra

Estas plataformas de investigação resultam de múltiplas experiências, conversas e trocas com diversas pessoas ao longo dos anos, de onde se destacam, entre outras, o David-Alexandre Guéniot, o Rui Catalão, o Joris Lacoste, a Fernanda Eugénio, a Cláudia Dias, a Márcia Lança, o Daniel Pizamiglio ou a Carolina Campos. Tal como são enquadradas aqui, ficam a dever sobretudo a uma sessão intensiva de trabalho no início de 2023 entre João Fiadeiro, António Alvarenga, Liliana Coutinho, Paula Caspão e Alice Godfroy (artistas, curadores e pensadores que conhecem de forma profunda o trabalho de Fiadeiro), que se reuniram para reflectir, de forma aberta, sobre modos de estudar, transmitir e pensar a criação a partir do enquadramento oferecido pela Composição em Tempo Real.
“etc” é um acrônimo para “estudo, transmissão e criação”, mas também pode ser entendido como a abreviação da expressão latina “et cetera”, onde et corresponde à conjunção “e”, e cetera corresponde a “o resto”. A sigla “ctr” é o acrônimo para “composição em tempo real” e “et al” significa “entre outros”.
Está no próprio nome deste centro de estudos o modo como a “cabeça” da Composição em Tempo Real funciona: nada é (só) o que parece. Tudo se espalha, se mistura, se atravessa. Há sempre múltiplas direções por detrás (por baixo, pela frente e pelos lados) dos sentidos que damos às coisas. A experiência é, “por defeito”, oblíqua, desequilibrada e caótica. Na tentativa desesperada de a domesticar corremos o risco de ser bem sucedidos e desenvolver a falsa sensação de controlo e segurança que nos pode insensibilizar e anestesiar.
JF: (…) se extrairmos o “saber” ou o “hábito” daquilo a que chamamos de ”acontecimento”, o que fica são ritmos e vibrações. Será muito por aí que um bebé se relaciona com o mundo. Eles vêm umas manchas, ouvem uns sons, sentem umas temperaturas… as coisas aparecem e desaparecem… há uns ritmos, umas vibrações… (…) Antes de cairmos nesta ilusão de que controlamos o tempo, o espaço ou a imaginação, o que havia era isso: ritmos e vibrações. Depois, quando a criança percebe que, por exemplo, um objeto com a forma de cadeira tem a palavra “cadeira” associada, então pode dizer: “cadeira”. Quem estiver por perto acha que ele se quer sentar e dão-lhe a cadeira. Se a criança se sentar, está tudo perdido (risos). Se pegar na cadeira e colocá-la na cabeça ou se se enfiar dentro dela, ainda há esperança (mais risos)… porque embora tenha “jogado o jogo do saber” ao chamar a cadeira de “cadeira”, na verdade só estava a chamar a atenção para um objeto “qualquer” para poder explorar outras potências que a “coisa” tem.
LC: A potência de podermos vir a identificar e a relacionar…
JF: Sim, a relacionar, a explorar. É essa exploração que possibilita adiar “o saber”. Sabemos que a aprendizagem é algo que acontece por repetição e insistência… não primeiras vezes ainda te queimas a explorar com o fogo, depois já não. Os mapas neuronais vão-se “especializando” e criando padrões. O mundo deixa de ser tão perigoso mas ao mesmo tempo deixa-se de explorar e descobrir novas relações. O que eu faço, na minha prática laboratorial enquanto artista e investigador, não será mais do que encontrar modos de desativar “artificialmente” o que me faz saber de forma prévia (a cultura, a memória, a linguagem…), de maneira a estar disponível para os ritmos e as vibrações que nos rodeiam, que sempre lá estiveram, mas perante as quais desenvolvemos uma espécie de cegueira.[5]
[5] Excerto de conversa ainda não publicada entre João Fiadeiro e Liliana Coutinho, investigadora, curadora e profunda conhecedora da história e trajetória de João Fiadeiro.
A programação do etc.ctr.et al será desenvolvida lentamente ao longo de 2023 e será lançada no primeiro trimestre de 2024.
Contará com um conjunto de atividades que atravessarão modos e planos de relação distintos com a Composição em Tempo Real. Alguns mais duracionais e imersivos; outros mais concentrados e intensivos; outros ainda mais pontuais e descomprometidos. Algumas propostas terão em mente artistas que se interessem por processos de improvisação, outras por processos de composição, e outras ainda pelo “estudo do estudo” em si.
A abrir a sua actividade piloto, nas duas últimas semanas de agosto de 2023, o etc.ctr.et al organizará dois workshops de Composição em Tempo Real orientados por João Fiadeiro.
Workshop I – Introdução à prática da Composição em Tempo Real
21 a 25 de agosto
Este workshop de introdução à prática da Composição em Tempo Real é direcionado a artistas-investigadores com experiência em improvisação (em dança, performance ou teatro). É aberto a qualquer pessoa mas daremos prioridade a candidaturas de quem ainda não tenha tido contacto com a Composição em Tempo Real de João Fiadeiro.
Workshop II / Prática imersiva de Composição em Tempo Real
28 de Agosto a 1 de Setembro | Participação especial: Márcia Lança
Este workshop de prática imersiva em Composição em Tempo Real é direcionado a artistas-investigadores com experiência prévia com a Composição em Tempo Real de João Fiadeiro.
Segundo o dicionário[6], “desfazer-se em fios” é uma das definições possíveis de “desfiar”. Também pode querer dizer “examinar, esmiuçar” ou “relatar minuciosamente”. Já “fiar” quer dizer exactamente o contrário: “reduzir ou torcer qualquer matéria filamentosa até formar um fio”. Também quer dizer “confiar, acreditar”.
Dá-se ainda a coincidência de “fiadeiro” também ter origem no termo “fiar”. Significa “homem que tem por ofício fiar”. Pode ainda referir-se à “fogueira em volta da qual se reúnem as mulheres da aldeia para fiar”. O facto do termo “fiadeiro” retratar simultâneamente um homem ou uma mulher, a figura a solo ou a experiência do colectivo, a imagem de ofício, de aldeia e, sobretudo, de “se estar à volta de algo”, atesta a justeza do termo (des)fiar para nomear um centro de estudos em torno do corpo de trabalho de João Fiadeiro.
Com o (des)fiar queremos criar um lugar de encontro continuado e na duração, desenvolvendo as condições para a emergência de reflexões críticas no âmbito de processos de investigação, tanto em torno da Composição em Tempo Real como da investigação artística sensu lato. Para isso, procuraremos desenvolver plataformas públicas regulares de partilha que não se enquadrem nos formatos (académicos ou outros) daquilo que imaginamos quando imaginamos “publicar investigação”. (des)fiar promoverá uma prática de “publicações performativas” que não veja a produção de conhecimento, o fazer artístico, a estética, o contexto ou a política como canais de comunicação separados. O conceito de publicação será aqui visto mais como uma extensão do envolvimento partilhado de uma investigação, e menos como uma abordagem “externa” abstracta, feita após a conclusão do processo de investigação. Resumindo, o termo publicação será aqui entendido no seu sentido literal, enquanto verbo transitivo: tornar público.
O epicentro da (des)fiar será a “Sala de Operações” (SdO), onde João Fiadeiro terá como principal tarefa “pôr em pé” o arqui(vi)vo da Composição em Tempo Real a partir do seu espólio e acervo pessoal. Será também aqui que João Fiadeiro promoverá encontros “one2one” com alunos e pares, práticas da “escala tabuleiro” da Composição em Tempo Real e realizará workshops online. Existe ainda a intenção de se ativar um podcast mensal, com conversas entre João Fiadeiro e artistas-investigadores que, de forma mais ou menos direta, utilizam a Composição em Tempo Real enquanto ferramenta de referência para a sua prática artística.
[6] in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [on line], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/ [consultado em 12-05-2023].
A partir de 22 de setembro, sexta-feira, entre as 18h00 e as 20h00, teremos uma sessão de Composição em Tempo Real aberta à comunidade.
Com a facilitação de João Fiadeiro, Márcia Lança, Cláudia Dias, Carolina Campos e/ou Daniel Pizamiglio.
Estas sessões serão gratuitas, terão um formato “jam” (com facilitação, mas sem orientação) e passarão a acontecer todas as semanas.
Funcionarão como plataforma de aproximação a qualquer pessoa – artista ou não – que tenha curiosidade com esta ferramenta.
A participação é gratuita, basta aparecer!
Primeiro encontro de trabalho do grupo de estudos (des)fiar
Entre 4 e 8 de Setembro iremos organizar o primeiro encontro de trabalho do grupo de estudos (des)fiar com um open-call circunscrito a artistas e investigadores com experiência em Composição em Tempo Real, que queiram ir mais longe (e mais fundo) no estudo desta ferramenta. A ideia é que este primeiro encontro funcione como incubadora de ideias e propostas, onde se auscultará os desejos dos diversos intervenientes para, a partir das linhas de força identificadas, se traçar um esquisso da programação do (des)fiar. O objetivo deste encontro será “construir” o mapa de desejos, tendências e tentações das pessoas presentes para, em conjunto, criarmos a constelação de equipas de trabalho que darão corpo ao grupo de estudos (des)fiar.
Créditos da fotografia © Tina Ruisinger