Forum Dança - Sofia Dias & Vítor Roriz | PACAP 2

PACAP 2
2018/2019

Curadoria de Sofia Dias & Vítor Roriz

De Setembro de 2018 a Março de 2019

A segunda edição do PACAP é um convite ao fazer, porque é no fazer que nos encontramos e onde se tornam claras as nossas intenções e desejos. É um convite à falha porque a falha é condição indissociável do fazer e do risco que é imaginar e especular a partir da nossa experiência parcial do mundo. E é um convite à vulnerabilidade, à exposição, a pôr-se em perigo e a percorrer um limite, porque são qualidades de qualquer lugar de criação e também daquele que pretendemos para o PACAP.

 

Neste lugar de criação, mais do que manifestar uma essência, vamos procurar os meios para revelar experiências, pesquisando a tensão entre forma e conteúdo, entre o universal e o particular, entre o pessoal e o partilhável, entre o subjectivo, o discurso e a linguagem. Neste lugar não há expectativas sobre a eficácia enquanto qualidade de um processo, da mesma forma que desconfiamos do consenso como objectivo para os seus resultados. Porque é suposto falhar sempre algo, haver um desequilíbrio, estar “um pouco ao lado”. Porque é na falha e no que falta que se amplia a percepção e se dá lugar ao outro. E no PACAP estar com o outro, criar com e a partir do outro são pressupostos para falhar com mais estrondo e convocar um ligeiramente diferente no modo como fazemos e pensamos a criação artística.

 

Com um enfoque sobre as metodologias de criação e os formatos de apresentação, o PACAP 2 procura acompanhar cada participante na pesquisa e experimentação de uma ideia ou material coreográfico até ao momento da sua apresentação pública.

 

Assim, vamos testar diferentes modos de passar à acção e de tradução do desejo em matéria.

 

Vamos privilegiar a relação com o imaginário – a combinação de experiências, leituras, imagens, sensações e outras “coisas” em efervescência na nossa mente/corpo que determina muitas das nossas escolhas quando criamos uma obra e que é talvez o que nos resta de mais íntimo.

 

Vamos explorar as relações de interdependência entre a pesquisa individual e as formas de relação com o público: Que formato escolhemos para apresentar a pesquisa? Ou a que formato conduz a pesquisa? E como é que o formato de apresentação informa e influencia a direcção, a dramaturgia e a metodologia de criação?

 

Vamos atravessar a prática e o pensamento de um grupo eclético de coreógrafos, encenadores, cenógrafos e performers que têm como denominador comum a curiosidade e a necessidade de invadir e testar diferentes modos de fazer, pensar e comunicar.

 

Vamos poder trabalhar e apresentar as pesquisas individuais e colectivas em diferentes locais (teatros, galerias, ateliers, bibliotecas, salas de ensaio, black box, etc.) procurando diversificar as relações com o espaço, o tempo e o observador. / Sofia Dias & Vítor Roriz

Biografia

Sofia Dias & Vítor Roriz, dupla de coreógrafos a colaborar desde 2006 na pesquisa e concepção de vários trabalhos apresentados em mais de 17 países. Os seus trabalhos centram-se na articulação entre a voz, a palavra, o som e os objectos com o corpo, o gesto e o movimento. Em 2011 foi-lhes concedido o Prix Jardin d’Europe pelo espectáculo Um gesto que não passa de uma ameaça, um trabalho que questiona a hierarquia entre a palavra e o movimento. Enquanto dupla têm colaborado com diversos artistas tais como, Catarina Dias, artista visual e colaboradora de longa data, Lara Torres, Marco Martins, Clara Andermatt, Mark Tompkins e desde 2014 que apresentam António e Cleópatra de Tiago Rodrigues e Sopro (2017) do mesmo director. Leccionam regularmente aulas e workshops e têm vindo a organizar residências e encontros de reflexão entre artistas em diferentes contextos. Encontram-se neste momento a preparar a sua próxima peça com estreia no Festival Alkantara 2018. | www.sofiadiasvitorroriz.com

Professores e Artistas Convidados

Alex Cassal (BR), Christiane Jatahy (BR), David-Alexandre Guéniot (Ghost) (FR), Francisco Camacho (PT), Francisco Frazão (PT), Ghost editions (PT), Inês Nogueira (PT), Jared Gradinger (US), João dos Santos Martins (PT), João Fiadeiro (PT), John Romão (PT), Jonathan Saldanha (PT), Liliana Coutinho (PT), Luís Guerra (PT), Mário Afonso (PT), Miguel Gutierrez (US), Miguel Pereira (PT), Nadia Lauro (FR), Neil Callaghan (UK), Paulo Pires do Vale (PT), Philipp Gehmacher (AT), Sofia Dias (PT), Sofia Neuparth (PT), Sónia Baptista (PT), Teresa Silva (PT), Tiago Rodrigues (PT), Vânia Rovisco (PT), Vera Mantero (PT), Vítor Roriz (PT).

Participantes

Aiste Adomaityte (LT), Arianna Aragno (IT), Blanche Denardaud (FR), Bruno Brandolino (UY), Elena Bastogi (IT), Gabriela Nasser (BR), Maddalena Ugolini (IT), Mariana Viana (BR), Marta Ramos (PT), Nina Giovelli (BR), Patrícia Arabe (BR), Perline Aglaghanian (FR), Renann Fontoura (BR), Tamara Catharino (BR), Tatiana Bittar (BR).

Apresentações

  • Ciclo de apresentações em Lisboa de 15 a 22 de Fevereiro 2019, nos seguintes locais: Espaço ALKANTARA, Espaço da Penha.
  • Ciclo de apresentações em Vila Franca de Xira, na Companhia Inestética a 14 e 15 de Março de 2019.
  • Ciclo de apresentações em Toulouse, no CDC, a 23 de Março 2019.
  • Ciclo de apresentações no Porto, na Culturgest, a 29 e 30 de Março 2019.
Forum Dança - Patrícia Portela | PACAP 1

PACAP 1
2017/2018

Curadoria de Patrícia Portela

Setembro de 2017 a Março 2018

Hibridismo, Dramaturgias do Espaço e Arte Fantasma

“What best can I do?
Exactly what I’ve done.
My voice for the voiceless.“
Philip K. Dick, The Exegesis

O que nos atrai e nos chama numa obra de arte? O que se move quando nos movemos em palco? Quem escreve ou quem ou o que se inscreve quando escrevemos? O que se torna visível através da arte? E quem e o que (se) fala através da arte?
É desconcertante notar que não é a forma, nem o conteúdo nem a sua harmonia nem o discurso que rodeia uma obra de arte o que confere a um objecto artístico a sua qualidade artística, e sim algo extraordinário aos elementos que a constituem, como se a voz do artista, ou talvez devesse dizer, a voz do mundo através do artista estivesse presente e promovesse o encontro com aquilo que sem a arte é invisível.
Mas como é que esta voz ganha voz?
Como é que esta voz encontra o artista e comunica com um público através de uma obra e desta forma regressa ao mundo, reescrevendo-o?
Durante os 6 meses deste primeiro módulo gostaria de me debruçar na companhia de vários cúmplices sobre o processo individual de criação artística e sobre a interacção de objectos performativos com o público/seus criadores, de forma a compreender através da prática e da reflexão conjuntas, no que consiste a Voz de um artista, o quanto desta Voz reflecte o diálogo diário do nosso corpo com o mundo, de como essa Voz, enquanto corpo fantasma, é um espaço privilegiado para a manifestação de forças invisíveis que nos movem e nos movimentam em determinadas direcções em detrimento de outras, ganhando presença em cada obra.
Partindo de encontros vários com um grupo de artistas e formadores de várias áreas filosóficas e artísticas com um especial enfoque nas artes vivas, este módulo pretende oferecer um espaço de laboratório para a exploração de uma linguagem individual num ambiente interactivo onde diferentes possibilidades dramatúrgicas e de criação transdisciplinar possam coabitar.
Longe da estrutura de mestre/discípulo, reportório/intérprete ou de educador/educando, este espaço de partilha e crescimento horizontal pretende promover a convivência entre diferentes criadores em diferentes fases de desenvolvimento do seu percurso artístico, assim como produzir uma reflexão contínua acompanhada por alguns dos pensadores que consideramos relevantes e neste princípio de milénio.
O objetivo principal desta deglutição e centrifugação simultâneas de linguagens individuais e colectivas através da experimentação, reflexão e apropriação de materiais diversos, a solo e em conjunto é permitir a construção e apresentação de solos e/ou duetos e consequente reflexão crítica sobre os mesmos que possam servir de “cartão de visita” dos participantes no meio profissional enquanto coreógrafos, performers, dramaturgos, autores ou artistas multidisciplinares.” / Patrícia Portela

Biografia

Patrícia Portela, autora de performances, instalações transdisciplinares e obras literárias, vive entre Portugal e a Bélgica, itinerando com regularidade pelo mundo. Estudou cenografia, cinema, dança e filosofia. Entre 1994-2002 trabalhou como figurinista/cenógrafa em teatro e cinema recebendo o Prémio Revelação 94 da Associação de Críticos de Teatro. Foi uma das fundadoras do grupo O Resto (1996) e da Associação Cultural Prado (2003). Reconhecida pela peculiaridade da sua obra, recebeu vários prémios dos quais destaca Prémio Madalena Azeredo de Perdigão/FCG para Flatland I e Prémio Teatro na Década para Wasteband. Autora de romances como Para Cima e não para Norte (2008) ou Banquete (Finalista do Grande Prémio para Romance e Novela 2012), participou no 46º International Writers Program de Iowa City (2013) sendo a primeira Outreach Fellow da Universidade de Iowa City. Lecciona dramaturgia desde 2008 em instituições e universidades. Foi finalista do Prémio Media Art Sonae/MNACC 2015 com a instalação Parasomnia, a primeira bolseira literária de Berlim da Embaixada Portuguesa na Alemanha, em 2016 e é cronista regular do JL desde 2017.

Professores e Artistas Convidados

Adriana Sá (PT), Alex Cassal (BR), Ann Brosens (BE), Barinamo (KR), Catarina Mourão (PT), Clara Andermatt (PT), Daniel Worm (PT), Fernando Matos Oliveira (PT), Gonçalo M. Tavares e os Espacialistas (PT), Inês Nogueira (PT), João dos Santos Martins (PT), João Fiadeiro (PT), João Tabarra (PT), Louise Chardon (FR), Luís Urbano (PT), Manoel Barbosa (PT), Miguel Bonneville (PT), Miguel Gomes (PT), Nicolas de Warren (BE), Nuno Lucas (PT), Olivier Hadouchi (FR), Patrícia Portela (PT), Peter Michael Dietz (DK), Sofia Dias & Vítor Roriz (PT), Sónia Baptista (PT), Vânia Rovisco (PT), Willow Verkerk (CA), Yukiko Shinozaki (JP).

Participantes

Anthi Kougia (GR), Bartosz Ostrowski (PL), Blanca Gómez Terán (ES), Bruna Carvalho (PT), Catarina Muge Marcos (PT), Clarissa Rêgo Teixeira (BR), Daniel Lühmann (BR), Gabriela D’Angelis (BR), João Abreu (PT), João Estevens (PT), Josefa Pereira (BR), Mafalda Miranda Jacinto (PT), Margarida Bak Gordon (PT), Navina Neverla (AT).

Apresentações

  • Ciclo de apresentações em Lisboa (Ciclo PLEX) de 6 a 23 de Março 2018, nos seguintes locais: Rua das Gaivotas 6, Galeria Monumental, CCB – Sala de Ensaio, ALKANTARA, Reservatório da patriarcal, Galeria ZDB e Negócio ZDB.
  • Ciclo de apresentações em Coimbra, no auditório TAGV, a 27 de Março 2018, no âmbito da 20.ª Semana Cultural da Universidade de Coimbra e das comemorações do Dia Mundial do Teatro – Novos Criadores.
  • Ciclo de apresentações em Viseu, no Teatro Viriato, a 29 de Março 2018.
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