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PACAP

Forum Dança - João Fiadeiro | PACAP 5

PACAP 5 – 2021/2022

Programa Avançado de Criação em Artes Performativas

Curadoria de João Fiadeiro

em colaboração com Márcia Lança, Carolina Campos e Daniel Pizamiglio.

De 13 de Setembro de 2021 a 30 de Julho de 2022

Introdução

A programação do PACAP 5 terá como ambição proporcionar diferentes tempos de relação com a investigação artística, tendo como referência o estudo e a experimentação da improvisação através da Composição em Tempo Real (bloco I); processos de colaboração a partir de uma pergunta partilhada (bloco II); e processos de investigação individual de cada participante (bloco III). Dependendo dos seus interesses e disponibilidades, os participantes poderão escolher fazer 3, 6 ou 9 meses de curso. Os blocos não podem ser feitos isoladamente (a não ser o primeiro), estando imaginados de forma cumulativa. O número de participantes decrescerá à medida que o curso avança: 24 no primeiro bloco, 16 no segundo e 8 no terceiro, produzindo assim diferentes intensidades e modos de envolvimento com a investigação da decisão, da colaboração e da criação que este curso propõe.

Alguns membros do Coletivo Atelier RE.AL (Márcia Lança, Carolina Campos e Daniel Pizamiglio) irão estar presentes durante toda a duração do curso na qualidade de investigadores residentes, co-orientadores e facilitadores e com o intuito de replicar a prática laboratorial que sempre caracterizou a nossa actividade. O objectivo é produzir uma sensação de continuidade entre os blocos e criar as condições para se ir mais fundo na investigação, experiência difícil de implementar se o curso fosse estruturado à volta de uma participação mais fragmentada e pontual de convidados externos. De qualquer forma, paralelamente a essa relação mais constante com o Coletivo Atelier RE.AL, convidaremos artistas e investigadores para orientar workshops pontuais, directamente associados às questões a serem exploradas em cada bloco. Pretendemos com esses convites proporcionar uma distância crítica em relação à nossa prática, aceder a outros modos de fazer-pensar a investigação artística e, ao mesmo tempo, criar um tempo de respiração entre os ciclos de experimentação.

Proposta

Diante da crise global que estamos a viver, tanto pela rapidez estonteante com que o mundo hegemónico tenta voltar à “normalidade”, como pela monumental incerteza que continuamos a experimentar, é urgente termos mais cuidado com o entorno, estarmos mais atentos aos detalhes e sermos mais sensíveis às diferenças. Fica muito claro que nos tempos que correm, a sustentabilidade e a resiliência dos sistemas não vêm da nossa habilidade em responder, mas da nossa capacidade em perguntar. E mais: da nossa capacidade em formular a pergunta. Por isso uma pergunta “como não-saber juntos?” é tão importante. Ela reconhece que não é sobre saber ou consumir. É sobre saborear, questionar e imaginar mundos. Juntos.

Durante toda a extensão do curso queremos manter a pressão “na ferida” dessa pergunta, resistindo à tentação de respondê-la e repetindo-a a partir de diferentes ângulos, em diferentes escalas, com diferentes intensidades. Para que diferentes formulações emerjam, diferentes modos de estar se apresentem, diferentes posições se ofereçam. Será algures entre todas essas diferenças que o comum aparecerá. E quando isso acontecer temos que lá estar, disponíveis para o receber. Talvez seja essa a nossa única responsabilidade: comparecer quando o presente nos convocar.

Perceber os acontecimentos desta perspectiva (encarar o não-saber como a única coisa que temos) é aquilo que nos motiva ao desenhar esta formação como prática duracional de estar no presente. Estamos convictos que se situa aqui, nesta brecha que se abre no tempo ao nos depararmos com a impossibilidade de continuar, a real potência da acção. Porque se é verdade que essa interrupção nos pode imobilizar (por vermos as nossas expectativas suspensas), ela é também uma oportunidade única para desactivar o hábito que temos em nos deixar levar pela frenética economia da atenção a que os regimes de organização e controle do desejo nos submetem. A experiência pessoal e colectiva que resulta da suspensão do saber é, nesta perspectiva, um património absolutamente chave para nos posicionarmos política, ética e artisticamente.

É nesse intervalo – entre o momento em que colidimos com aquilo que nos afecta e o momento em que nos relacionamos com as suas possíveis manifestações – que o gesto de imaginar, desorganizar e reorganizar os nossos padrões de percepção pode ter lugar. Essa exploração não pretende cessar o movimento nem tão pouco focar a atenção a ponto de objectivá-la. Explorar o intervalo não significa propor uma experiência de contemplação ou de passividade, e muito menos do privilégio de habitar o tédio profundo como lugar de criação. O que esta abordagem propõe é exercitar a nossa capacidade em deslocar a percepção na direcção da periferia do acontecimento, na direcção das relações infinitesimais que nos atravessam e que podem, inclusive, se contradizer entre si. O que esta abordagem propõe é encontrar o movimento dentro da pausa. O tempo dentro do tempo. A experiência do reparar.

Reparar no triplo sentido da palavra: parar de novo, reparação e observação. Esse gesto (de pausa, de cuidado e de atenção) não é mais do que um exercício de implicação no presente que, por sua vez, cria as condições para desenvolver um sentido de responsabilidade perante o nosso entorno e perante o outro. / Equipa Curatorial 

Informações

Seleccione cada uma das secções abaixo para tomar conhecimento de todas as especificações do programa e dos processos de candidatura e selecção de candidatos.

Locais onde decorrerá o programa

Público-alvo

Curso aberto a bailarinos, coreógrafos, performers e outros artistas com práticas ligadas à performance, ao corpo e ao movimento. Os candidatos devem posicionar-se enquanto pares e não enquanto alunos e entender a criação artística como um espaço de investigação através da arte, ou seja, enquanto plataforma para explorar e experimentar processos de relação, de colaboração e de decisão num ambiente que não faz diferença entre teoria e prática, que promove a permeabilidade entre disciplinas e que olha para a obra de arte enquanto consequência de um processo e não como o seu fim.

Notas

  1. A língua do curso será inglesa e portuguesa, dependendo de quem está a orientar a sessão e das necessidades de cada momento.
  2. Serão atribuídas bolsas a 3 participantes, após a aceitação no programa, que possam assegurar a tradução simultânea para pequenos grupos. A bolsa consiste na redução de 50% da propina total.

Cronologia do programa

Bloco I

Estudo, experimentação e prática da Composição em Tempo Real
13 de Setembro a 11 de Dezembro 2021

Bloco II

Processos de colaboração a partir de uma pergunta partilhada
17 de Janeiro a 16 de Abril 2022

Bloco III

Processos de investigação individual de cada participante
26 de Abril a 30 de Julho 2022

Artistas e intervenientes convidados

Bloco I

Lisa Nelson (USA), Romain Emma-Rose Bigé (FR).

Bloco II

Coletivo Hormigonera (UY), David-Alexandre Guéniot / GHOST (PT), Orquestina de Pigmeos (ES), Projeto Companhia – João dos Santos Martins (PT).

Bloco III

Eleonora Fabião (BR), Gustavo Sumpta (PT), La Ribot (ES), Luara Learth/Acauã Elbandido (BR), Mette Edvardsen (NO).

Processo de candidaturas

A submissão de candidaturas processa-se única e exclusivamente através de formulário disponível mais abaixo. As candidaturas serão aceites em português ou inglês e deverão incluir:

 

  • Carta ou vídeo de motivação onde o/a candidato/a expressa as razões pelas quais se candidata (max. 1 pág. A4, em formato .pdf ou um vídeo com máx. de 3m – no caso de enviar vídeo, deve submeter link onde o mesmo possa ser visualizado)
  • CV com fotografia e nota biográfica incluída (max. 2 pág. A4, em formato .pdf – não exceder 1MB)
  • Link para Portfólio documentando trabalhos do/a candidato/a com textos, imagens e links para registos vídeo (max. 10 pág. A4, em formato .pdf)
  • Indicação do contacto de 2 figuras com quem o/a candidato/a se tenha relacionado (professor/a, colaborador/a, curador/a/programador/a, etc.) que poderão ser contactados para que possamos ter uma perspectiva externa do perfil do/a candidato/a.
  • Indicação expressa dos blocos que tenciona frequentar (I, I+II ou I+II+III). Só é possível frequentar o segundo e terceiro blocos tendo frequentado os blocos anteriores.

 

! NOTA IMPORTANTE !

Pedimos que não enviem, com as vossas candidaturas, links dos vossos trabalhos em forma de download de ficheiros. Os links devem estar apenas disponíveis para visualização dos ficheiros online. Apenas aceitamos como ficheiro para download o vosso CV e a vossa carta de apresentação, tudo o resto deve ser de acesso livre e on-line.

Processo de selecção

Bloco I+II+III (9 meses)

  • Duração: 13 Setembro 2021 a 30 Julho 2022
  • Data limite candidatura: 29.01.2021
  • Datas das fases de selecção:
    • 12.02.2021 ›› Comunicação aos candidatos pré-seleccionados
    • 15 a 19.02.2021 ›› Workshop on-line
    • 22 a 26.02.2021 ›› Entrevistas individuais com equipa curatorial
    • 01.03.2021 ›› Comunicação de resultados

Bloco I+II (6 meses)

  • Duração: 13 Setembro 2021 a 16 Abril 2022
  • Data limite candidatura: 12.03.2021
  • Datas das fases de selecção:
    • 19.03.2021 ›› Comunicação aos candidatos pré-seleccionados
    • 22 a 26.03.2021 ›› Workshop on-line
    • 29.03.2021 a 02.04.2021 ›› Entrevistas individuais
    • 05.04.2021 ›› Comunicação de resultados

Bloco I (3 meses)

  • Duração: 13 Setembro a 11 Dezembro 2021
  • Data limite candidatura: 16.04.2021
  • Datas das fases de selecção:
    • 26.04.2021 ›› Comunicação aos candidatos pré-seleccionados
    • 03 a 07.05.2021 ›› Workshop on-line
    • 10 a 14 ›› Entrevistas individuais
    • 17.05.2021 ›› Comunicação de resultados

Nota

  1. Serão agendadas entrevistas individuais on-line com a direcção do Forum Dança em data a definir.

Propinas

Bloco I (3 meses)

  • Taxa de Inscrição: 100 € até 1 semana após a admissão no curso.
  • Mensalidades: 300 € x 3 meses

Bloco I+II (6 meses)

  • Taxa de Inscrição: 100 € até 1 semana após a admissão no curso.
  • Mensalidades: 290 € x 6 meses

Bloco I+II+III (9 meses)

  • Taxa de Inscrição: 100 € até 1 semana após a admissão no curso.
  • Mensalidades: 270 € x 9 meses

Notas

  1. As mensalidades deverão ser pagas até dia 30 do mês anterior, sendo o primeiro pagamento feito até 30 de Agosto.
  2. Se o curso for pago na sua totalidade, até dia 30 de Agosto de 2021, terá um desconto de 10%.
  3. Serão atribuídas bolsas a 3 participantes, após a aceitação no programa, que possam assegurar a tradução simultânea para pequenos grupos. A bolsa consiste na redução de 50% da propina total.

Horários

De Segunda a Sexta-feira das 10h00 às 17h00.

Sinopses

Seleccione cada uma das secções abaixo para tomar conhecimento das diferentes sinopses para cada um dos blocos que compõem este programa.

Bloco I. Estudo, experimentação e prática da Composição em Tempo Real

A proposta neste bloco será mergulhar, de forma intensa (e extensa), na investigação, experimentação e aplicação da ferramenta Composição em Tempo Real (CTR), uma prática (teórica) e uma teoria (prática) que se oferece enquanto “campo” (lugar, território), que tem como única razão de existir, acolher e hospedar as forças que estão em jogo a cada instante, naquilo a que convencionamos chamar de “presente”. No interior desse presente e na perspectiva da Composição em Tempo Real, movimenta-se um tempo expandido, simultaneamente “não mais” e “ainda não”. Um tempo não-linear, vivido como uma fita de Möbius, onde o interior e o exterior, o antes e o depois, a forma e a força, se misturam e se confundem.

 

Antes de quaisquer apresentações ou introduções, a primeira semana do curso começará com uma performance colectiva com os 24 intervenientes inscritos no curso intitulada “O que fazer daqui para trás”_versão expandida. Esta será a forma de nos apresentarmos: via acção, através das marcas que deixamos com as nossas posições. Só na segunda semana, o grupo terá tempo para se conhecer melhor e partilhar com os outros os seus percursos individuais.

 

Durante toda a duração do bloco João Fiadeiro será acompanhado por Márcia Lança e Daniel Pizamiglio, respectivamente com 15 e 10 anos de prática intensiva de Composição em Tempo Real. Iremos ainda contar com a presença continuada da “trabalhadora-do-texto” Romain / Emma Bigé, filósofa e dançarina trans*feminista francesa, com quem João Fiadeiro já colaborou inúmeras vezes (nomeadamente na co-curadoria da exposição “Esquissos de Técnicas Interiores”, em torno do legado e obra de Steve Paxton) e que organizará seminários semanais que situam as práticas experimentais da Composição em Tempo Real em relação (nas suas próprias palavras) “à capacidade da dança para celebrar formas inusitadas e raras de ternura entre humanos e outras criaturas da Terra. Ela oferecerá Práticas Textuais, incluindo: “Sexy Library” (porque ler é sexy), “Blind Book Club”, “Conceptual Speed Dating” e outras maravilhas para pensar com textos e contornar o córtex”. Teremos ainda a presença da coreógrafa e improvisadora Lisa Nelson que dirigirá um workshop de duas semanas em torno da sua investigação Tuning Scores. Entre os pares de João Fiadeiro que se ocupam com as questões do pensar-operar a decisão e a performance, Lisa é com quem tem mais afinidades e um enorme respeito. A sua presença servirá não só para partilhar com os participantes  o pensamento absolutamente singular desta artista americana, como para colocar  em relação duas ferramentas de composição e improvisação  com inúmeros pontos de contacto.

 

Este bloco irá culminar com duas semanas dedicadas ao estudo, experimentação e reenactment da performance EXISTÊNCIA no Teatro do Bairro Alto em Lisboa, parceiro estratégico e co-produtor do PACAP 5. O EXISTÊNCIA foi um projecto de João Fiadeiro que estreou no Centro Georges Pompidou em Paris em 2002 onde se praticou Composição em Tempo Real ao vivo, colocando os performers e público num lugar de experiência radical com o presente e com a ideia de não-saber juntos. A experiência do EXISTÊNCIA foi estruturante na sistematização e processamento da ferramenta CTR e influenciou de forma profunda dezenas de coreógrafos, performers e artistas que passaram por esta experiência. O artista plástico Walter Lauterer e o músico Arnold Noid (que se encarregaram respectivamente da composição em tempo real do espaço e do som), estarão presentes em Lisboa para as apresentações públicas com os participantes do curso.

Bloco II. Processos de colaboração a partir de uma pergunta partilhada

Neste segundo bloco, queremos que o grupo (agora reduzido a 16 intervenientes) continue a ocupar-se com a questão do processo colaborativo, mas agora a partir de uma pergunta comum (uma abordagem que fica entre a “ausência de pergunta prévia” explorada no primeiro bloco e a existência de uma “pergunta individual” a ser explorada no terceiro bloco).

 

Esta é uma problemática que ocupa João Fiadeiro  desde os anos 90 e que, de certa maneira, foi a razão pela qual se começou a desenvolver uma ferramenta de trabalho como a Composição em Tempo Real. A ambição na altura era desenhar uma linguagem comum que criasse um campo de experimentação partilhado, mas sem deixar que essa linguagem nos condicionasse (nos condenasse) a seguir uma direcção previamente estabelecida (normalmente ditada pelo autor). Mas também não tínhamos interesse em desenvolver uma experiência exclusivamente horizontal porque sabíamos que a simples extracção do autor da equação não impedia que as estruturas de poder, desta vez implícitas, tomassem conta da narrativa.

 

O que constatamos é que existe uma diferença abissal no modo como esta estratégia “diagonal” de abordar a colaboração é aplicada se estivermos perante a perspectiva de uma decisão individual (como acontece na prática da improvisação ou mesmo no trabalho a solo), ou a partir da perspectiva de uma decisão colectiva (como acontece, por exemplo, no processo criativo em projectos de grupo). Enquanto que, ao nível da decisão individual, a “questão do afecto” pode ficar na sombra, protegido da luz e da formulação (e dar-se ao luxo de se manifestar só no fim), ao nível da criação colectiva, se o afecto (aquilo que nos move e nos liga) não for partilhado à partida, emergem de imediato, no interior do grupo, dinâmicas de relação simétricas (tendencialmente conflituosas) ou complementares (tendencialmente submissas) que impedem a construção de um comum partilhado. O que procuramos é criar as condições para que se activem formas de relação “recíprocas” e, no caminho, desactivamos lógicas binárias de relação onde, ou se tenta convencer alguém da nossa opinião ou ideia, ou nos subjugamos à opinião ou ideia do outro. Uma relação recíproca implica que partilhemos os “afectos” e as forças em jogo no momento do encontro (por definição vulneráveis, incompletas, frágeis). Implica que escutemos e prestemos atenção aos sinais (ainda fracos) daquilo que o acontecimento pede. Implica aceitar que não sabemos (juntos).

 

Como é que se identifica, circunscreve e partilha um afecto colectivo de forma a se poder trabalhar o encontro? E como é que é possível criar uma força vital comum que permita que a obra final traduza uma inquietação transversal e não um patchwork de tendências, desejos e desassossegos dispersos?

 

Serão estas as questões que servirão como ponto de partida para a investigação neste segundo bloco, que serão colocadas e geridas sobretudo a partir das vozes (e dos corpos) de quem experimentou na pele a tensão entre autoria, autoridade, autorização e autonomia: os performers e co-criadores dos projectos de grupo. Este período de investigação será por isso exclusivamente mediado por Márcia Lança e Carolina Campos, com a presença pontual de João Fiadeiro. Não só tiveram ambas papéis centrais na criação de peças de grupo da RE.AL como, nos últimos anos, vêm desenvolvendo juntas um conjunto de projectos em co-autoria onde estas questões têm um lugar de relevo.

 

O resultado das investigações desenvolvidas neste bloco serão mais uma vez apresentadas no Teatro do Bairro Alto num formato e numa configuração a definir.

 

Em paralelo a esta investigação continuada, instigada e mediada pela Márcia e a Carolina (mas desenvolvida de forma auto-organizada pelos intervenientes no curso), teremos a participação de alguns colectivos convidados que irão funcionar como “estudos de caso” através da partilha das suas práticas, experiências e questionamentos em relação à criação colectiva. Num primeiro momento iremos acolher João dos Santos Martins com a Companhia, projecto criado em modo colectivo em 2018 (que reúne o mesmo grupo que criou “Projeto continuado” em 2015) e que coloca o termo “companhia” em perspectiva, referindo-se simultaneamente à ideia de uma companhia de dança, à companhia entre pessoas e a uma noção de colectivo e interdependência presente na experiência de comunidade. De seguida teremos o projecto Hormigonera – que em português significa “betoneira” – uma prática de criação colaborativa que pesquisa modos alternativos de colaboração e processos dramatúrgicos. É activado por um grupo de artistas uruguaios que trabalham nas linguagens do espaço, matéria, luz e som para invocar acções performativas que procuram “dar voz” a materiais “pobres” e “marginais” colocando-se eles próprios, enquanto artistas, ao serviço do seu agenciamento. Por fim teremos o colectivo catalão Orquestina de Pigmeos, que se movimenta na fronteira da performance, do som e do cinema, trabalhando sobretudo em ambientes site-specific e em estreita cooperação com as comunidades e moradores locais. Neste bloco teremos ainda a participação, de modo transversal, de David-Alexandre Guéniot, director da editora GHOST, que desenvolverá um projecto de edição com os intervenientes, que culminará na criação de um livro de artista(s) produzido de forma colectiva.

Bloco III. Processos de investigação individual de cada participante

Chegados a esta fase do curso, agora com 8 participantes, o foco passará a ser a investigação individual de cada interveniente. João Fiadeiro, Carolina Campos e Daniel Pizamiglio colocar-se-ão nesta fase “ao serviço” dos projectos de cada artista, numa postura de acompanhamento e facilitação. O objectivo será utilizar as ferramentas entretanto trabalhadas e experimentadas nos primeiros dois tempos do curso e canalizá-las agora para uma investigação individual, com o intuito de se conseguir activar o processo de tradução que vai desde o afecto inicial, passando pela formulação do seu enunciado, até à manifestação do acontecimento em si.  Essa manifestação – que voltará a ter lugar no Teatro do Bairro Alto – poderá ter lugar na forma de esquisso, de maquete ou até de “obra” desde que o foco, em qualquer destas escalas, não esteja no produto mas no processo. O que nos interessa perguntar e identificar são os modos mais apropriados (para aquele/a artista e aquele material em particular) para que a potência contida na pergunta inicial (que o/a faz mover e, no limite, querer criar), possa ser traduzido de maneira a que haja uma correspondência entre o afeto inicial e o gesto entretanto tornado público.

 

Esta dimensão pública da partilha é fundamental para que o “outro” deixe de ser idealizado e para que se entenda que um gesto só é realmente concluído quando recebido por um terceiro. É muitas vezes neste momento de “colisão” com o outro, que nos apercebemos com clareza se aquilo que dissemos-fizemos era exatamente aquilo que queríamos dizer-fazer. Raramente é. Mas o que importa, sobretudo num contexto de formação-investigação, é a identificação dessa dificuldade para que, a partir daí, se possa voltar a falhar. “Falhar melhor”, como nos diz Beckett.

 

Durante o decorrer do bloco seremos visitados por cinco artistas – La Ribot, Gustavo Sumpta, Mette Edvardesen, Eleonora Fabião e a dupla Luara Learth/Acauã Elbandido – que irão partilhar com o grupo o modo como “falharam” para chegar ao lugar de investigação em que se encontram. São artistas que partilham premissas semelhantes na relação que desenvolvem com o gesto artístico, sobretudo ao nível das suas éticas de trabalho e compromisso radical com o tempo presente. Têm ainda em comum um posicionamento crítico em relação às suas disciplinas, não se deixando capturar por qualquer tipo de catalogação artificial e manipuladora. Mas fizemos questão que fossem artistas bastante díspares entre si, tanto ao nível formal como ao nível geográfico e geracional.

 

A nossa expectativa é que o acesso aos seus modos de operar informe os intervenientes desta simples equação:  os caminhos para se chegar à construção de uma obra (gesto, acção) serão sempre múltiplos, mas será sempre a partir da colisão (e relação) entre as nossas forças e as nossas vulnerabilidades  (entre a poesia e a selvajaria), que algo vital e urgente poderá emergir.

Participantes

Andrei Bessa (BR), Aline Belfort (BR), Bárbara Cordeiro (PT), Bartosz Ostrowski (PL), Bruno Levorin (BR), Carolina Canteli (BR), Chloé Saffores (FR), Fatemeh Towhidlou (IR), Francisco Thiago (BR), Giovanna Monteiro (BR), Herlandson Duarte (CV/PT), Jean Lesca (FR), Katarina Lanier (US), Katinka Wissing (DK), Leonardo Shamah (BR), Leonor Lopes (PT), Leonor Mendes (PT), Lucas Damiani (UY), Nazario Díaz (ES), Nicole Gomes (BR), Piero Ramella (IT), Roberto Dagô (BR), Rosa Sijben (NL), Ves Liberta (PT), Vicente Ramos (BR).

Formulário de candidaturas

Biografias

Curadoria

Forum Dança | PACAP 5 - João Fiadeiro
João Fiadeiro © Ana Viotti

João Fiadeiro

Nascido em 1965, João Fiadeiro pertence à geração de coreógrafos que surgiu no final da década de 1980 e que deu origem à Nova Dança Portuguesa.

O seu percurso, quer enquanto coreógrafo ou performer, como enquanto investigador ou curador, centrou-se na criação de condições para a experimentação, a prática laboratorial e o cruzamento interdisciplinar. Esta actividade foi realizada tanto no quadro da direcção de projectos de programação e investigação artística, que passaram pelo Centro Cultural da Malaposta (1990-95), pelo Espaço Ginjal (1995-1998), pelo Lugar Comum (1999-2000), pelo Espaço A Capital (2000-2002) e pelo Atelier Real (2004-2019), como no quadro da sua prática artística, através das criações e dos ateliers de investigação organizados em torno da Composição em Tempo Real.

Em todas estas diferentes plataformas de encontro, João Fiadeiro foi sempre acompanhado por artistas que participaram activamente enquanto criadores, performers, investigadores e programadores, contribuindo de maneira decisiva para a existência deste projecto durante 30 anos de actividade ininterrupta.

O grupo actual – a que se está a chamar de Coletivo Atelier RE.AL – tem uma composição variada, mas para este PACAP foram convidados Márcia Lança, Carolina Campos, Daniel Pizamiglio e Ivan Haidar que têm tido um papel preponderante na actividade do colectivo nos últimos 5 anos, desde a co-criação de obras colectivas (O que fazer daqui para trás/2015 e From Afar it was an island, de perto uma pedra/2018), passando pelo processamento e sistematização da Composição em Tempo Real, até à programação do Atelier Real.

Colaboradores

Forum Dança | PACAP 5 - Márcia Lança
Márcia Lança

Márcia Lança

Márcia Lança iniciou a sua formação em Artes do Espectáculo no Chapitô (1999/02). Da formação em dança destaca ex.e.r.ce 05 no CCN de Montpellier, o curso básico de Análise do Movimento, pelo IAM (2004), o Curso de Dança Contemporânea e Pesquisa de Movimento na SNDO de Amesterdão (2003), o Curso de Pesquisa e Criação Coreográfica no Fórum-Dança (2002) e a formação contínua no C.E.M. (2001/04).

Criou Dentro do Coração, NOME, Por esse Mundo Fora, Evidências Suficientes para a Não Coerência do Mundo, Happiness and Misery, 9 Possible Portraits, O Desejo Ignorante, Trompe le Monde, Morning Sun, Dos joelhos para baixo.

Colaborou com João Fiadeiro, Cláudia Dias, Sónia Baptista, Alex Cassal, Carolina Campos, Miguel Castro Caldas, Olga Mesa, Nuno Lucas, Jørgen Knudsen, Aniol Busquets e Thomas Forneau.

Forum Dança | PACAP 5 - Carolina Campos
Carolina Campos

Carolina Campos

Carolina Campos é brasileira e vive entre Lisboa e Barcelona.

Realizou o Programa de Estudos Independentes do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona.

No Brasil trabalhou com a Lia Rodrigues Cia de Danças, entre 2008 e 2011.

Colabora intensamente desde 2013 com João Fiadeiro na formação, criação e investigação da Composição em Tempo Real.

Em Barcelona está associada ao Centro de Criação Escocesa.

Forum Dança | PACAP 5 - Daniel Pizamiglio
Daniel Pizamiglio © Matheus Martins

Daniel Pizamiglio

Daniel Pizamiglio é performer e criador brasileiro.

De 2008 a 2010 fez o Curso Técnico em Dança de Fortaleza (2008-2010). Durante este período encontrou o coreógrafo João Fiadeiro e a partir deste encontro mudou-se para Lisboa em 2012, onde actualmente vive e trabalha.

Desde então estuda e pratica a Composição em Tempo Real; participou no Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica do Forum Dança (2015-2016); tem colaborado como intérprete, co-criador e assistente de direcção com diferentes artistas.

No seu trabalho autoral, procura um encontro entre a poesia e o corpo (“Dança Concreta”) e como activar a corporalidade dos afectos e da relação (“Preste Atenção Em Tudo A Partir de Agora”).

Apoios e Parcerias

Coprodução PACAP 5: TBA – Teatro do Bairro Alto

Apoios PACAP 5: O Rumo do Fumo, Alkantara, OPART | Estúdios Victor Córdon, O Espaço do Tempo, Fundação GDA

Forum Dança | Apoios PACAP 5

Actividades PACAP 5

Forum Dança - João dos Santos Martins | PACAP 4

PACAP 4 – 2020

Curadoria de João dos Santos Martins

De Janeiro a Julho de 2020

Pensar um plano de estudos é sempre um conflito entre o ideal e o possível, entre uma certa imposição de uma forma de ver e estar no mundo, e a criação de condições para originar outros mundos. Nas palavras de Rabindranath Tagore, a educação não serve senão para dar resposta e nos livrarmos da “agressividade suicida do egoísmo colectivo”. Este programa não é mais do que isso. Focado na experimentação, procurará desafiar os paradigmas da dança e da coreografia contemporâneas através da activação de um posicionamento crítico e discursivo, ainda que sempre comprometido, para com essas práticas. Mas é sobretudo pensado como um tempo e um lugar protegidos para encorajar todxs xs participantes a desenvolver e analisar a sua prática artística num ambiente colectivo, intelectual e artisticamente estimulante.

 

Neste programa não há distinção entre aulas ‘técnicas’, de ‘pesquisa’ ou outras que tais. Partimos do princípio de que não pode haver distinção entre conhecimento prático e teórico e que é essa mesma divisão que induz uma alienação no próprio trabalho. O programa baseia-se unicamente nas propostas dxs artistas e intervenientes que passarão tempo com xs participantes potenciando experiências comuns de questionamento e transformação. Xs intervenientes convidadxs partilham a necessidade de desmistificar as dicotomias corpo/cabeça, acção/pensamento, prática/teoria, procurando articular o discurso e a prática como partes integrais e integrantes de modos de fazer e pensar, e não como pólos opostos.

 

Acreditamos na prática da dança como um suporte para a prática artística que está em permanente diálogo com outros suportes e com as genealogias da história da arte em geral. Procuraremos um diálogo com esses vários ‘suportes’ e xs agentes que os praticam através de visitas a estúdios de artistas locais e parcerias com estruturas e instituições circundantes que estabeleçam a ponte com o contexto das artes local. E como o fazer da arte está sempre em diálogo com os seus modos de apreensão, o programa é continuamente reforçado com visitas a exposições, visionamento de filmes, ida a espectáculos e conferências de agentes de vários domínios.

 

Acreditamos que parte do labor artístico é necessariamente autodidacta. Nesse sentido, privilegiaremos o cultivo de um espaço de partilha, de colaboração e trabalho em grupo de forma a construir conhecimentos e experiências comuns que incitem xs participantes a aprofundar as suas práticas, individual ou colectivamente. Durante o período do programa serão disponibilizados estúdios para que xs participantes possam desenvolver os seus trabalhos cujos processos serão partilhados ao longo de seis meses. No final do ciclo todxs xs participantes deverão apresentar publicamente esse trabalho, articulando assim, como refere Rancière, “os modos de fazer, as suas formas de visibilidade correspondentes e as formas possíveis de pensar as suas relações”. / João dos Santos Martins 

Biografia

João dos Santos Martins (Santarém, 1989) é um artista que trabalha a partir e através da dança e do suporte coreográfico. Começou por estudar na Escola Superior de Dança, em Lisboa, e na P.A.R.T.S., em Bruxelas, e concluiu os seus estudos coreográficos entre o exerce, em Montpellier, e o Instituto de Estudos de Teatro, em Giessen.

 

Desde 2008, tem articulado a sua prática entre a produção de peças e a colaboração como bailarino com outros autores como Ana Rita Teodoro, Eszter Salamon, Moriah Evans e Xavier Le Roy. O seu trabalho é caracterizado por uma diversidade de formatos e dispositivos que investem na produção de conflitos entre o sujeito que dança e o objecto dançado. As suas peças são geralmente desenvolvidas em colaboração com outros artistas como em Antropocenas (2017), com Rita Natálio e Pedro Neves Marques, e Onde Está o Casaco? (2018), com Cyriaque Villemaux e Ana Jotta.

 

Desde 2017 tem expandido a sua prática a outros formatos paralelos. Organizou o ciclo Nova—Velha Dança em Santarém, com espectáculos, workshops, conversas e exposições; criou, com Ana Bigotte Vieira, um dispositivo para a historização colectiva da dança em Portugal — Para Uma Timeline a Haver — e fundou um jornal — Coreia — dedicado a produzir discursos sobre as artes e os artistas em especial relação com a dança.

Professores e Artistas Convidados

Ana Jotta (PT), Ana Pi (BR), Ana Rita Teodoro (PT), Antonia Baehr (DE), Christine de Smedt (BE), Christophe Wavelet (FR), Chrysa Parkinson (US/SE), Eszter Salamon (HU), Fred Moten (US), Joana Sá (PT), João Fiadeiro (PT), Latifa Laâbissi (FR), Moriah Evans (US), Paula Caspão (PT), Pedro Barateiro (PT), Rita Natálio (PT), Scarlet Yu (HK), Vera Mantero (PT), Xavier le Roy (FR).

Participantes

Alina Ruiz Folini (AR), Aline Combe (FR), Bianca Zueneli (IT), Emily Barasch (US), Isadora Alves (PT), Isis Andreatta (BR), Julián Pacomio (ES), Laura Ríos (CU), Laure Fleitz (FR), Leire Aranberri (ES), Maria Abrantes (PT), Marina Silva / Dubia (BR), Natália Mendonça (BR), Randy Reyes (US/GT), Sara Vieira Marques (PT), Suiá Ferlauto (BR).

Apresentações

  • Ciclo de apresentações em Lisboa, previstas acontecer em Julho de 2020, inicialmente pensadas num ciclo de programação na Fundação Calouste Gulbenkian, mas apresentadas no Espaço da Penha e no Espaço Alkantara.

Actividades PACAP4

Apoios e Parcerias

Apoio Financeiro: Fundação Calouste Gulbenkian | Apoios: O Rumo do Fumo | ALKANTARA | O Espaço do Tempo | Estúdios Victor Córdon

Forum Dança - Apoios PACAP 4
Forum Dança - Vânia Rovisco | PACAP 3

PACAP 3 – 2019

Curadoria de Vânia Rovisco

De Abril a Agosto de 2019

Palavras Chave:

Performance; Instalação; Corpo expandido; Práticas teóricas;
Música; Artes plásticas e visuais; Poética do corpo; Hibridismo formal.

Na constituição do programa, a artista teve como eixo central o acto de criação como momento de expressão livre organizada por diferentes modos, meios e variações, por sua vez submetido a uma urgência ou necessidade de afectar o tecido social e/ou individual. A multiplicidade dos recursos artísticos no processo de criação constitui a performance como uma arte integral, múltipla, transdisciplinar e móvel nas constelações e modos de partilha artística, conferindo ao PACAP 3 uma estrutura contemporânea que avança cuidada, curada por Vânia Rovisco.

 

O PACAP 3 foi concebido como um processo contínuo vitalizado pela confluência de múltiplas linguagens no acto de experimentação, investigação e preparação física. O trabalho e recurso ao corpo é fundacional ao programa, sendo que a sua abrangência às outras linguagens artísticas é ainda assim pautada a partir do eixo-corpo. As/os várias/os artistas convidadas/os a dar formação serão tanto transdisciplinares, quanto intergeracionais, com vista a manter nos participantes do programa uma relação de processo contínuo ou disruptivo, própria da partilha de processos e materiais inerentes ao hibridismo formal do PACAP 3.

 

A criação performática enquanto soma dos exercícios relacionais, em acordo com o paradigma contemporâneo do corpo [consciência] expandido, vai submeter-se no percurso do programa à prática crítica do lugar. Assim, os espaços de criação adquirem especial relevância numa topografia artística já fixada no PACAP 3 entre Coimbra, no Colégio das Artes; Montemor-o-Novo no Espaço do Tempo; e Lisboa na Escola Superior de Música, Culturgest e Espaço da Penha – Forum Dança. O curso terá ainda momentos abertos ao público como eventos pop-up ou estúdio aberto com apresentações informais.

 

De acordo com a ideia de corpo total, convoca-se no programa a exploração da potência híbrida e múltipla da performance contemporânea. Vários recursos serão activados em diálogo com a fórmula de teoria como prática e na prática: a construção de objectos derivando nas linguagens plásticas e visuais; o texto dito e escrito, enviando-nos para o índice performático de ambos; e a migração de ferramentas e métodos entre meios artísticos, como por exemplo as estratégias de improvisação de e a partir da música.

 

O curso pretende-se o mais aberto possível, buscando um grupo heterogéneo que gravite ou se mova nos campos da performance, dança, teatro, música, artes plásticas, cénicas e visuais, poesia, literatura. O comprometimento, o empenho e a entrega pessoal é essencial para progredir sobre as nossas questões e visões da criação e para o despegar radical e persistente das nossas rotinas durante os 4 meses de duração do PACAP 3.

Biografia

Vânia Rovisco Durban, África do Sul (1975). Artista visual performativa, criadora de instalações de peças duracionais, através das quais explora e actualiza processos relacionais. Com um trabalho ancorado na investigação e consequente criação de uma corporeidade processual, feita em relação, trabalha com o público a fabricação de experiências mediadas por modelações espaciais, temporais e perceptivas.

 

Concluiu o Curso para Intérpretes de Dança Contemporânea do Forum Dança (1998-2000). Trabalhou como intérprete com Meg Stuart/Damaged Goods (2001-2007) em diversas peças e projectos de improvisação. Colaborou com Pierre Colibeuf; Helena Waldman; Gordon Monahan, entre outros.

 

Em 2004 começou a fazer direcção de movimento, com os directores João Brites, Gonçalo Amorim e Gonçalo Waddington/Carla Maciel. Em 2007 tomou a decisão de colocar o corpo no contexto da galeria de arte, concebendo instalações e performances, o que se tornou um alicerce na concepção do seu trabalho. Também envolve vídeo na captura da plasticidade do corpo e do movimento. Em 2013 estreou o solo The Archaic, Looking Out, The Night Knight. Em 2014 participou na Feira de Arte Contemporânea Mostra’14. Encenou para o festival TODOS Silo de carros e estradas giratórias e no mesmo ano iniciou REACTING TO TIME, portugueses na performance, que versa sobre a transmissão do arquivo vivo da performance em Portugal nos finais dos anos 60. Em 2017 concebeu a peça de grupo EQUANAMIDADE – ÂNIMO INALTERÁVEL para o Festival Walk&Talk no Açores. É co-fundadora da plataforma artística internacional AADK – Aktuelle Architektur der Kultur, com lugar na Alemanha, em Portugal e Espanha. Lecciona workshops desde 2003. É curadora do PACAP 3— Programa Avançado de Criação nas Artes Performativas— no Forum Dança a ter lugar entre 15 de Abril e 16 de Agosto de 2019.

Professores e Artistas Convidados

Abraham Hurtado (ES), Ana Salcedo (PT), Antonija Livingston (CA), António Poppe (PT), Åsa Frankenberg (SE), Cátia Leitão (PT), Ezequiel Santos (PT), Gordon Monahan (CA), Hugo Cristóvão (PT), Inês Aires (PT), Janis Dellarte (PT), Joana Trindade (PT), Jochen Arbeit (DE), Laura Kikauka (CA), Manuel Magalhães (PT), Mash Yan (PT), Meg Stuart (US/DE), Miguel Moreira (PT), Mónica Calle (PT), Sam Louwyck (BE), Sónia Baptista (PT), Tanja Šmič (HR), Vânia Rovisco (PT), Vera Mantero (PT), Yael Karavan (IL), Yuko Kominami (JP).

Participantes

Acauã El Bandido (BR), Alice Giuliani (IT), Alina Usurelu (RO), Antoine Parra del Pozo (FR), Daniel Miranda (BR), Diego Bagagal (BR), Filipa Duarte (PT), Filipe Baracho (PT), Gabriela Cordovez (BR), Gabriela Gonçalves (PT), Guilherme Barroso (PT), Joana Miranda (PT), Lola Bezemer (NL), Lucas Lagomarsino (AR), Miguel Ferrão Lopes (PT), Samara Azevedo (BR).

Apresentações

  • Ciclo de apresentações em Lisboa, “Unusual Event”, 13 e 14 de Agosto 2019, no Espaço da Penha.
Forum Dança - Sofia Dias & Vítor Roriz | PACAP 2

PACAP 2 – 2018/2019

Curadoria de Sofia Dias & Vítor Roriz

De Setembro de 2018 a Março de 2019

A segunda edição do PACAP é um convite ao fazer, porque é no fazer que nos encontramos e onde se tornam claras as nossas intenções e desejos. É um convite à falha porque a falha é condição indissociável do fazer e do risco que é imaginar e especular a partir da nossa experiência parcial do mundo. E é um convite à vulnerabilidade, à exposição, a pôr-se em perigo e a percorrer um limite, porque são qualidades de qualquer lugar de criação e também daquele que pretendemos para o PACAP.

 

Neste lugar de criação, mais do que manifestar uma essência, vamos procurar os meios para revelar experiências, pesquisando a tensão entre forma e conteúdo, entre o universal e o particular, entre o pessoal e o partilhável, entre o subjectivo, o discurso e a linguagem. Neste lugar não há expectativas sobre a eficácia enquanto qualidade de um processo, da mesma forma que desconfiamos do consenso como objectivo para os seus resultados. Porque é suposto falhar sempre algo, haver um desequilíbrio, estar “um pouco ao lado”. Porque é na falha e no que falta que se amplia a percepção e se dá lugar ao outro. E no PACAP estar com o outro, criar com e a partir do outro são pressupostos para falhar com mais estrondo e convocar um ligeiramente diferente no modo como fazemos e pensamos a criação artística.

 

Com um enfoque sobre as metodologias de criação e os formatos de apresentação, o PACAP 2 procura acompanhar cada participante na pesquisa e experimentação de uma ideia ou material coreográfico até ao momento da sua apresentação pública.

 

Assim, vamos testar diferentes modos de passar à acção e de tradução do desejo em matéria.

 

Vamos privilegiar a relação com o imaginário – a combinação de experiências, leituras, imagens, sensações e outras “coisas” em efervescência na nossa mente/corpo que determina muitas das nossas escolhas quando criamos uma obra e que é talvez o que nos resta de mais íntimo.

 

Vamos explorar as relações de interdependência entre a pesquisa individual e as formas de relação com o público: Que formato escolhemos para apresentar a pesquisa? Ou a que formato conduz a pesquisa? E como é que o formato de apresentação informa e influencia a direcção, a dramaturgia e a metodologia de criação?

 

Vamos atravessar a prática e o pensamento de um grupo eclético de coreógrafos, encenadores, cenógrafos e performers que têm como denominador comum a curiosidade e a necessidade de invadir e testar diferentes modos de fazer, pensar e comunicar.

 

Vamos poder trabalhar e apresentar as pesquisas individuais e colectivas em diferentes locais (teatros, galerias, ateliers, bibliotecas, salas de ensaio, black box, etc.) procurando diversificar as relações com o espaço, o tempo e o observador. / Sofia Dias & Vítor Roriz

Biografia

Sofia Dias & Vítor Roriz, dupla de coreógrafos a colaborar desde 2006 na pesquisa e concepção de vários trabalhos apresentados em mais de 17 países. Os seus trabalhos centram-se na articulação entre a voz, a palavra, o som e os objectos com o corpo, o gesto e o movimento. Em 2011 foi-lhes concedido o Prix Jardin d’Europe pelo espectáculo Um gesto que não passa de uma ameaça, um trabalho que questiona a hierarquia entre a palavra e o movimento. Enquanto dupla têm colaborado com diversos artistas tais como, Catarina Dias, artista visual e colaboradora de longa data, Lara Torres, Marco Martins, Clara Andermatt, Mark Tompkins e desde 2014 que apresentam António e Cleópatra de Tiago Rodrigues e Sopro (2017) do mesmo director. Leccionam regularmente aulas e workshops e têm vindo a organizar residências e encontros de reflexão entre artistas em diferentes contextos. Encontram-se neste momento a preparar a sua próxima peça com estreia no Festival Alkantara 2018. | www.sofiadiasvitorroriz.com

Professores e Artistas Convidados

Alex Cassal (BR), Christiane Jatahy (BR), David-Alexandre Guéniot (Ghost) (FR), Francisco Camacho (PT), Francisco Frazão (PT), Ghost editions (PT), Inês Nogueira (PT), Jared Gradinger (US), João dos Santos Martins (PT), João Fiadeiro (PT), John Romão (PT), Jonathan Saldanha (PT), Liliana Coutinho (PT), Luís Guerra (PT), Mário Afonso (PT), Miguel Gutierrez (US), Miguel Pereira (PT), Nadia Lauro (FR), Neil Callaghan (UK), Paulo Pires do Vale (PT), Philipp Gehmacher (AT), Sofia Dias (PT), Sofia Neuparth (PT), Sónia Baptista (PT), Teresa Silva (PT), Tiago Rodrigues (PT), Vânia Rovisco (PT), Vera Mantero (PT), Vítor Roriz (PT).

Participantes

Aiste Adomaityte (LT), Arianna Aragno (IT), Blanche Denardaud (FR), Bruno Brandolino (UY), Elena Bastogi (IT), Gabriela Nasser (BR), Maddalena Ugolini (IT), Mariana Viana (BR), Marta Ramos (PT), Nina Giovelli (BR), Patrícia Arabe (BR), Perline Aglaghanian (FR), Renann Fontoura (BR), Tamara Catharino (BR), Tatiana Bittar (BR).

Apresentações

  • Ciclo de apresentações em Lisboa de 15 a 22 de Fevereiro 2019, nos seguintes locais: Espaço ALKANTARA, Espaço da Penha.
  • Ciclo de apresentações em Vila Franca de Xira, na Companhia Inestética a 14 e 15 de Março de 2019.
  • Ciclo de apresentações em Toulouse, no CDC, a 23 de Março 2019.
  • Ciclo de apresentações no Porto, na Culturgest, a 29 e 30 de Março 2019.
Forum Dança - Patrícia Portela | PACAP 1

PACAP 1 – 2017/2018

Curadoria de Patrícia Portela

Setembro de 2017 a Março 2018

Hibridismo, Dramaturgias do Espaço e Arte Fantasma

“What best can I do?
Exactly what I’ve done.
My voice for the voiceless.“
Philip K. Dick, The Exegesis

O que nos atrai e nos chama numa obra de arte? O que se move quando nos movemos em palco? Quem escreve ou quem ou o que se inscreve quando escrevemos? O que se torna visível através da arte? E quem e o que (se) fala através da arte?
É desconcertante notar que não é a forma, nem o conteúdo nem a sua harmonia nem o discurso que rodeia uma obra de arte o que confere a um objecto artístico a sua qualidade artística, e sim algo extraordinário aos elementos que a constituem, como se a voz do artista, ou talvez devesse dizer, a voz do mundo através do artista estivesse presente e promovesse o encontro com aquilo que sem a arte é invisível.
Mas como é que esta voz ganha voz?
Como é que esta voz encontra o artista e comunica com um público através de uma obra e desta forma regressa ao mundo, reescrevendo-o?
Durante os 6 meses deste primeiro módulo gostaria de me debruçar na companhia de vários cúmplices sobre o processo individual de criação artística e sobre a interacção de objectos performativos com o público/seus criadores, de forma a compreender através da prática e da reflexão conjuntas, no que consiste a Voz de um artista, o quanto desta Voz reflecte o diálogo diário do nosso corpo com o mundo, de como essa Voz, enquanto corpo fantasma, é um espaço privilegiado para a manifestação de forças invisíveis que nos movem e nos movimentam em determinadas direcções em detrimento de outras, ganhando presença em cada obra.
Partindo de encontros vários com um grupo de artistas e formadores de várias áreas filosóficas e artísticas com um especial enfoque nas artes vivas, este módulo pretende oferecer um espaço de laboratório para a exploração de uma linguagem individual num ambiente interactivo onde diferentes possibilidades dramatúrgicas e de criação transdisciplinar possam coabitar.
Longe da estrutura de mestre/discípulo, reportório/intérprete ou de educador/educando, este espaço de partilha e crescimento horizontal pretende promover a convivência entre diferentes criadores em diferentes fases de desenvolvimento do seu percurso artístico, assim como produzir uma reflexão contínua acompanhada por alguns dos pensadores que consideramos relevantes e neste princípio de milénio.
O objetivo principal desta deglutição e centrifugação simultâneas de linguagens individuais e colectivas através da experimentação, reflexão e apropriação de materiais diversos, a solo e em conjunto é permitir a construção e apresentação de solos e/ou duetos e consequente reflexão crítica sobre os mesmos que possam servir de “cartão de visita” dos participantes no meio profissional enquanto coreógrafos, performers, dramaturgos, autores ou artistas multidisciplinares.” / Patrícia Portela

Biografia

Patrícia Portela, autora de performances, instalações transdisciplinares e obras literárias, vive entre Portugal e a Bélgica, itinerando com regularidade pelo mundo. Estudou cenografia, cinema, dança e filosofia. Entre 1994-2002 trabalhou como figurinista/cenógrafa em teatro e cinema recebendo o Prémio Revelação 94 da Associação de Críticos de Teatro. Foi uma das fundadoras do grupo O Resto (1996) e da Associação Cultural Prado (2003). Reconhecida pela peculiaridade da sua obra, recebeu vários prémios dos quais destaca Prémio Madalena Azeredo de Perdigão/FCG para Flatland I e Prémio Teatro na Década para Wasteband. Autora de romances como Para Cima e não para Norte (2008) ou Banquete (Finalista do Grande Prémio para Romance e Novela 2012), participou no 46º International Writers Program de Iowa City (2013) sendo a primeira Outreach Fellow da Universidade de Iowa City. Lecciona dramaturgia desde 2008 em instituições e universidades. Foi finalista do Prémio Media Art Sonae/MNACC 2015 com a instalação Parasomnia, a primeira bolseira literária de Berlim da Embaixada Portuguesa na Alemanha, em 2016 e é cronista regular do JL desde 2017.

Professores e Artistas Convidados

Adriana Sá (PT), Alex Cassal (BR), Ann Brosens (BE), Barinamo (KR), Catarina Mourão (PT), Clara Andermatt (PT), Daniel Worm (PT), Fernando Matos Oliveira (PT), Gonçalo M. Tavares e os Espacialistas (PT), Inês Nogueira (PT), João dos Santos Martins (PT), João Fiadeiro (PT), João Tabarra (PT), Louise Chardon (FR), Luís Urbano (PT), Manoel Barbosa (PT), Miguel Bonneville (PT), Miguel Gomes (PT), Nicolas de Warren (BE), Nuno Lucas (PT), Olivier Hadouchi (FR), Patrícia Portela (PT), Peter Michael Dietz (DK), Sofia Dias & Vítor Roriz (PT), Sónia Baptista (PT), Vânia Rovisco (PT), Willow Verkerk (CA), Yukiko Shinozaki (JP).

Participantes

Anthi Kougia (GR), Bartosz Ostrowski (PL), Blanca Gómez Terán (ES), Bruna Carvalho (PT), Catarina Muge Marcos (PT), Clarissa Rêgo Teixeira (BR), Daniel Lühmann (BR), Gabriela D’Angelis (BR), João Abreu (PT), João Estevens (PT), Josefa Pereira (BR), Mafalda Miranda Jacinto (PT), Margarida Bak Gordon (PT), Navina Neverla (AT).

Apresentações

  • Ciclo de apresentações em Lisboa (Ciclo PLEX) de 6 a 23 de Março 2018, nos seguintes locais: Rua das Gaivotas 6, Galeria Monumental, CCB – Sala de Ensaio, ALKANTARA, Reservatório da patriarcal, Galeria ZDB e Negócio ZDB.
  • Ciclo de apresentações em Coimbra, no auditório TAGV, a 27 de Março 2018, no âmbito da 20.ª Semana Cultural da Universidade de Coimbra e das comemorações do Dia Mundial do Teatro – Novos Criadores.
  • Ciclo de apresentações em Viseu, no Teatro Viriato, a 29 de Março 2018.
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