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Formação Avançada

Forum Dança - João Fiadeiro | PACAP 5

PACAP 5 – 2021/2022

Curadoria de João Fiadeiro

em colaboração com Márcia Lança, Carolina Campos e Daniel Pizamiglio.

De 6 de Setembro de 2021 a 30 de Julho de 2022

Introdução

A programação do PACAP 5 terá como ambição proporcionar diferentes tempos de relação com a investigação artística, tendo como referência o estudo e a experimentação da improvisação através da Composição em Tempo Real (bloco I); processos de colaboração a partir de uma pergunta partilhada (bloco II); e processos de investigação individual de cada participante (bloco III). Dependendo dos seus interesses e disponibilidades, os participantes poderão escolher fazer 3, 6 ou 9 meses de curso. Os blocos não podem ser feitos isoladamente (a não ser o primeiro), estando imaginados de forma cumulativa. O número de participantes decrescerá à medida que o curso avança: 24 no primeiro bloco, 16 no segundo e 8 no terceiro, produzindo assim diferentes intensidades e modos de envolvimento com a investigação da decisão, da colaboração e da criação que este curso propõe.

Alguns membros do Coletivo Atelier RE.AL (Márcia Lança, Carolina Campos e Daniel Pizamiglio) irão estar presentes durante toda a duração do curso na qualidade de investigadores residentes, co-orientadores e facilitadores e com o intuito de replicar a prática laboratorial que sempre caracterizou a nossa actividade. O objectivo é produzir uma sensação de continuidade entre os blocos e criar as condições para se ir mais fundo na investigação, experiência difícil de implementar se o curso fosse estruturado à volta de uma participação mais fragmentada e pontual de convidados externos. De qualquer forma, paralelamente a essa relação mais constante com o Coletivo Atelier RE.AL, convidaremos artistas e investigadores para orientar workshops pontuais, directamente associados às questões a serem exploradas em cada bloco. Pretendemos com esses convites proporcionar uma distância crítica em relação à nossa prática, aceder a outros modos de fazer-pensar a investigação artística e, ao mesmo tempo, criar um tempo de respiração entre os ciclos de experimentação.

Proposta

Diante da crise global que estamos a viver, tanto pela rapidez estonteante com que o mundo hegemónico tenta voltar à “normalidade”, como pela monumental incerteza que continuamos a experimentar, é urgente termos mais cuidado com o entorno, estarmos mais atentos aos detalhes e sermos mais sensíveis às diferenças. Fica muito claro que nos tempos que correm, a sustentabilidade e a resiliência dos sistemas não vêm da nossa habilidade em responder, mas da nossa capacidade em perguntar. E mais: da nossa capacidade em formular a pergunta. Por isso uma pergunta “como não-saber juntos?” é tão importante. Ela reconhece que não é sobre saber ou consumir. É sobre saborear, questionar e imaginar mundos. Juntos.

Durante toda a extensão do curso queremos manter a pressão “na ferida” dessa pergunta, resistindo à tentação de respondê-la e repetindo-a a partir de diferentes ângulos, em diferentes escalas, com diferentes intensidades. Para que diferentes formulações emerjam, diferentes modos de estar se apresentem, diferentes posições se ofereçam. Será algures entre todas essas diferenças que o comum aparecerá. E quando isso acontecer temos que lá estar, disponíveis para o receber. Talvez seja essa a nossa única responsabilidade: comparecer quando o presente nos convocar.

Perceber os acontecimentos desta perspectiva (encarar o não-saber como a única coisa que temos) é aquilo que nos motiva ao desenhar esta formação como prática duracional de estar no presente. Estamos convictos que se situa aqui, nesta brecha que se abre no tempo ao nos depararmos com a impossibilidade de continuar, a real potência da acção. Porque se é verdade que essa interrupção nos pode imobilizar (por vermos as nossas expectativas suspensas), ela é também uma oportunidade única para desactivar o hábito que temos em nos deixar levar pela frenética economia da atenção a que os regimes de organização e controle do desejo nos submetem. A experiência pessoal e colectiva que resulta da suspensão do saber é, nesta perspectiva, um património absolutamente chave para nos posicionarmos política, ética e artisticamente.

É nesse intervalo – entre o momento em que colidimos com aquilo que nos afecta e o momento em que nos relacionamos com as suas possíveis manifestações – que o gesto de imaginar, desorganizar e reorganizar os nossos padrões de percepção pode ter lugar. Essa exploração não pretende cessar o movimento nem tão pouco focar a atenção a ponto de objectivá-la. Explorar o intervalo não significa propor uma experiência de contemplação ou de passividade, e muito menos do privilégio de habitar o tédio profundo como lugar de criação. O que esta abordagem propõe é exercitar a nossa capacidade em deslocar a percepção na direcção da periferia do acontecimento, na direcção das relações infinitesimais que nos atravessam e que podem, inclusive, se contradizer entre si. O que esta abordagem propõe é encontrar o movimento dentro da pausa. O tempo dentro do tempo. A experiência do reparar.

Reparar no triplo sentido da palavra: parar de novo, reparação e observação. Esse gesto (de pausa, de cuidado e de atenção) não é mais do que um exercício de implicação no presente que, por sua vez, cria as condições para desenvolver um sentido de responsabilidade perante o nosso entorno e perante o outro. / Equipa Curatorial 

Informações

Seleccione cada uma das secções abaixo para tomar conhecimento de todas as especificações do programa e dos processos de candidatura e selecção de candidatos.

Locais onde decorrerá o programa

Público-alvo

Curso aberto a bailarinos, coreógrafos, performers e outros artistas com práticas ligadas à performance, ao corpo e ao movimento. Os candidatos devem posicionar-se enquanto pares e não enquanto alunos e entender a criação artística como um espaço de investigação através da arte, ou seja, enquanto plataforma para explorar e experimentar processos de relação, de colaboração e de decisão num ambiente que não faz diferença entre teoria e prática, que promove a permeabilidade entre disciplinas e que olha para a obra de arte enquanto consequência de um processo e não como o seu fim.

Notas

  1. A língua do curso será inglesa e portuguesa, dependendo de quem está a orientar a sessão e das necessidades de cada momento.
  2. Serão atribuídas bolsas a 3 participantes, após a aceitação no programa, que possam assegurar a tradução simultânea para pequenos grupos. A bolsa consiste na redução de 50% da propina total.

Cronologia do programa

Bloco I

Estudo, experimentação e prática da Composição em Tempo Real
6 de Setembro a 4 de Dezembro 2021

Bloco II

Processos de colaboração a partir de uma pergunta partilhada
17 de Janeiro a 16 de Abril 2022

Bloco III

Processos de investigação individual de cada participante
26 de Abril a 30 de Julho 2022

Artistas e intervenientes convidados

Bloco I

Lisa Nelson (USA), Romain Emma-Rose Bigé (FR).

Bloco II

Coletivo Hormigonera (UY), David-Alexandre Guéniot / GHOST (PT), Orquestina de Pigmeos (ES), Projeto Companhia – João dos Santos Martins (PT).

Bloco III

Eleonora Fabião (BR), Gustavo Sumpta (PT), La Ribot (ES), Luara Learth/Acauã Elbandido (BR), Mette Edvardsen (NO).

Processo de candidaturas

A submissão de candidaturas processa-se única e exclusivamente através de formulário disponível mais abaixo. As candidaturas serão aceites em português ou inglês e deverão incluir:

 

  • Carta ou vídeo de motivação onde o/a candidato/a expressa as razões pelas quais se candidata (max. 1 pág. A4, em formato .pdf ou um vídeo com máx. de 3m – no caso de enviar vídeo, deve submeter link onde o mesmo possa ser visualizado)
  • CV com fotografia e nota biográfica incluída (max. 2 pág. A4, em formato .pdf – não exceder 1MB)
  • Link para Portfólio documentando trabalhos do/a candidato/a com textos, imagens e links para registos vídeo (max. 10 pág. A4, em formato .pdf)
  • Indicação do contacto de 2 figuras com quem o/a candidato/a se tenha relacionado (professor/a, colaborador/a, curador/a/programador/a, etc.) que poderão ser contactados para que possamos ter uma perspectiva externa do perfil do/a candidato/a.
  • Indicação expressa dos blocos que tenciona frequentar (I, I+II ou I+II+III). Só é possível frequentar o segundo e terceiro blocos tendo frequentado os blocos anteriores.

 

! NOTA IMPORTANTE !

Pedimos que não enviem, com as vossas candidaturas, links dos vossos trabalhos em forma de download de ficheiros. Os links devem estar apenas disponíveis para visualização dos ficheiros online. Apenas aceitamos como ficheiro para download o vosso CV e a vossa carta de apresentação, tudo o resto deve ser de acesso livre e on-line.

Processo de selecção

Bloco I+II+III (9 meses)

  • Duração: 6 Setembro 2021 a 30 Julho 2022
  • Data limite candidatura: 29.01.2021
  • Datas das fases de selecção:
    • 12.02.2021 ›› Comunicação aos candidatos pré-seleccionados
    • 15 a 19.02.2021 ›› Workshop on-line
    • 22 a 26.02.2021 ›› Entrevistas individuais com equipa curatorial
    • 01.03.2021 ›› Comunicação de resultados

Bloco I+II (6 meses)

  • Duração: 6 Setembro 2021 a 16 Abril 2022
  • Data limite candidatura: 12.03.2021
  • Datas das fases de selecção:
    • 19.03.2021 ›› Comunicação aos candidatos pré-seleccionados
    • 22 a 26.03.2021 ›› Workshop on-line
    • 29.03.2021 ›› Comunicação de resultados

Bloco I (3 meses)

  • Duração: 6 Setembro a 4 Dezembro 2021
  • Data limite candidatura: 16.04.2021
  • Datas das fases de selecção:
    • 23.04.2021 ›› Comunicação aos candidatos pré-seleccionados
    • 26 a 30.04.2021 ›› Workshop on-line
    • 03.05.2021 ›› Comunicação de resultados

Nota

  1. Serão agendadas entrevistas individuais on-line com a direcção do Forum Dança em data a definir.

Propinas

Bloco I (3 meses)

  • Taxa de Inscrição: 100 € até 1 semana após a admissão no curso.
  • Mensalidades: 300 € x 3 meses

Bloco I+II (6 meses)

  • Taxa de Inscrição: 100 € até 1 semana após a admissão no curso.
  • Mensalidades: 290 € x 6 meses

Bloco I+II+III (9 meses)

  • Taxa de Inscrição: 100 € até 1 semana após a admissão no curso.
  • Mensalidades: 270 € x 9 meses

Notas

  1. As mensalidades deverão ser pagas até dia 30 do mês anterior, sendo o primeiro pagamento feito até 30 de Agosto.
  2. Se o curso for pago na sua totalidade, até dia 30 de Agosto de 2021, terá um desconto de 10%.
  3. Serão atribuídas bolsas a 3 participantes, após a aceitação no programa, que possam assegurar a tradução simultânea para pequenos grupos. A bolsa consiste na redução de 50% da propina total.

Horários

De Segunda a Sexta-feira das 10h00 às 17h00.

Sinopses

Seleccione cada uma das secções abaixo para tomar conhecimento das diferentes sinopses para cada um dos blocos que compõem este programa.

Bloco I. Estudo, experimentação e prática da Composição em Tempo Real

A proposta neste bloco será mergulhar, de forma intensa (e extensa), na investigação, experimentação e aplicação da ferramenta Composição em Tempo Real (CTR), uma prática (teórica) e uma teoria (prática) que se oferece enquanto “campo” (lugar, território), que tem como única razão de existir, acolher e hospedar as forças que estão em jogo a cada instante, naquilo a que convencionamos chamar de “presente”. No interior desse presente e na perspectiva da Composição em Tempo Real, movimenta-se um tempo expandido, simultaneamente “não mais” e “ainda não”. Um tempo não-linear, vivido como uma fita de Möbius, onde o interior e o exterior, o antes e o depois, a forma e a força, se misturam e se confundem.

 

Antes de quaisquer apresentações ou introduções, a primeira semana do curso começará com uma performance colectiva com os 24 intervenientes inscritos no curso intitulada “O que fazer daqui para trás”_versão expandida. Esta será a forma de nos apresentarmos: via acção, através das marcas que deixamos com as nossas posições. Só na segunda semana, o grupo terá tempo para se conhecer melhor e partilhar com os outros os seus percursos individuais.

 

Durante toda a duração do bloco João Fiadeiro será acompanhado por Márcia Lança e Daniel Pizamiglio, respectivamente com 15 e 10 anos de prática intensiva de Composição em Tempo Real. Iremos ainda contar com a presença continuada da “trabalhadora-do-texto” Romain / Emma Bigé, filósofa e dançarina trans*feminista francesa, com quem João Fiadeiro já colaborou inúmeras vezes (nomeadamente na co-curadoria da exposição “Esquissos de Técnicas Interiores”, em torno do legado e obra de Steve Paxton) e que organizará seminários semanais que situam as práticas experimentais da Composição em Tempo Real em relação (nas suas próprias palavras) “à capacidade da dança para celebrar formas inusitadas e raras de ternura entre humanos e outras criaturas da Terra. Ela oferecerá Práticas Textuais, incluindo: “Sexy Library” (porque ler é sexy), “Blind Book Club”, “Conceptual Speed Dating” e outras maravilhas para pensar com textos e contornar o córtex”. Teremos ainda a presença da coreógrafa e improvisadora Lisa Nelson que dirigirá um workshop de duas semanas em torno da sua investigação Tuning Scores. Entre os pares de João Fiadeiro que se ocupam com as questões do pensar-operar a decisão e a performance, Lisa é com quem tem mais afinidades e um enorme respeito. A sua presença servirá não só para partilhar com os participantes  o pensamento absolutamente singular desta artista americana, como para colocar  em relação duas ferramentas de composição e improvisação  com inúmeros pontos de contacto.

 

Este bloco irá culminar com duas semanas dedicadas ao estudo, experimentação e reenactment da performance EXISTÊNCIA no Teatro do Bairro Alto em Lisboa, parceiro estratégico e co-produtor do PACAP 5. O EXISTÊNCIA foi um projecto de João Fiadeiro que estreou no Centro Georges Pompidou em Paris em 2002 onde se praticou Composição em Tempo Real ao vivo, colocando os performers e público num lugar de experiência radical com o presente e com a ideia de não-saber juntos. A experiência do EXISTÊNCIA foi estruturante na sistematização e processamento da ferramenta CTR e influenciou de forma profunda dezenas de coreógrafos, performers e artistas que passaram por esta experiência. O artista plástico Walter Lauterer e o músico Arnold Noid (que se encarregaram respectivamente da composição em tempo real do espaço e do som), estarão presentes em Lisboa para as apresentações públicas com os participantes do curso.

Bloco II. Processos de colaboração a partir de uma pergunta partilhada

Neste segundo bloco, queremos que o grupo (agora reduzido a 16 intervenientes) continue a ocupar-se com a questão do processo colaborativo, mas agora a partir de uma pergunta comum (uma abordagem que fica entre a “ausência de pergunta prévia” explorada no primeiro bloco e a existência de uma “pergunta individual” a ser explorada no terceiro bloco).

 

Esta é uma problemática que ocupa João Fiadeiro  desde os anos 90 e que, de certa maneira, foi a razão pela qual se começou a desenvolver uma ferramenta de trabalho como a Composição em Tempo Real. A ambição na altura era desenhar uma linguagem comum que criasse um campo de experimentação partilhado, mas sem deixar que essa linguagem nos condicionasse (nos condenasse) a seguir uma direcção previamente estabelecida (normalmente ditada pelo autor). Mas também não tínhamos interesse em desenvolver uma experiência exclusivamente horizontal porque sabíamos que a simples extracção do autor da equação não impedia que as estruturas de poder, desta vez implícitas, tomassem conta da narrativa.

 

O que constatamos é que existe uma diferença abissal no modo como esta estratégia “diagonal” de abordar a colaboração é aplicada se estivermos perante a perspectiva de uma decisão individual (como acontece na prática da improvisação ou mesmo no trabalho a solo), ou a partir da perspectiva de uma decisão colectiva (como acontece, por exemplo, no processo criativo em projectos de grupo). Enquanto que, ao nível da decisão individual, a “questão do afecto” pode ficar na sombra, protegido da luz e da formulação (e dar-se ao luxo de se manifestar só no fim), ao nível da criação colectiva, se o afecto (aquilo que nos move e nos liga) não for partilhado à partida, emergem de imediato, no interior do grupo, dinâmicas de relação simétricas (tendencialmente conflituosas) ou complementares (tendencialmente submissas) que impedem a construção de um comum partilhado. O que procuramos é criar as condições para que se activem formas de relação “recíprocas” e, no caminho, desactivamos lógicas binárias de relação onde, ou se tenta convencer alguém da nossa opinião ou ideia, ou nos subjugamos à opinião ou ideia do outro. Uma relação recíproca implica que partilhemos os “afectos” e as forças em jogo no momento do encontro (por definição vulneráveis, incompletas, frágeis). Implica que escutemos e prestemos atenção aos sinais (ainda fracos) daquilo que o acontecimento pede. Implica aceitar que não sabemos (juntos).

 

Como é que se identifica, circunscreve e partilha um afecto colectivo de forma a se poder trabalhar o encontro? E como é que é possível criar uma força vital comum que permita que a obra final traduza uma inquietação transversal e não um patchwork de tendências, desejos e desassossegos dispersos?

 

Serão estas as questões que servirão como ponto de partida para a investigação neste segundo bloco, que serão colocadas e geridas sobretudo a partir das vozes (e dos corpos) de quem experimentou na pele a tensão entre autoria, autoridade, autorização e autonomia: os performers e co-criadores dos projectos de grupo. Este período de investigação será por isso exclusivamente mediado por Márcia Lança e Carolina Campos, com a presença pontual de João Fiadeiro. Não só tiveram ambas papéis centrais na criação de peças de grupo da RE.AL como, nos últimos anos, vêm desenvolvendo juntas um conjunto de projectos em co-autoria onde estas questões têm um lugar de relevo.

 

O resultado das investigações desenvolvidas neste bloco serão mais uma vez apresentadas no Teatro do Bairro Alto num formato e numa configuração a definir.

 

Em paralelo a esta investigação continuada, instigada e mediada pela Márcia e a Carolina (mas desenvolvida de forma auto-organizada pelos intervenientes no curso), teremos a participação de alguns colectivos convidados que irão funcionar como “estudos de caso” através da partilha das suas práticas, experiências e questionamentos em relação à criação colectiva. Num primeiro momento iremos acolher João dos Santos Martins com a Companhia, projecto criado em modo colectivo em 2018 (que reúne o mesmo grupo que criou “Projeto continuado” em 2015) e que coloca o termo “companhia” em perspectiva, referindo-se simultaneamente à ideia de uma companhia de dança, à companhia entre pessoas e a uma noção de colectivo e interdependência presente na experiência de comunidade. De seguida teremos o projecto Hormigonera – que em português significa “betoneira” – uma prática de criação colaborativa que pesquisa modos alternativos de colaboração e processos dramatúrgicos. É activado por um grupo de artistas uruguaios que trabalham nas linguagens do espaço, matéria, luz e som para invocar acções performativas que procuram “dar voz” a materiais “pobres” e “marginais” colocando-se eles próprios, enquanto artistas, ao serviço do seu agenciamento. Por fim teremos o colectivo catalão Orquestina de Pigmeos, que se movimenta na fronteira da performance, do som e do cinema, trabalhando sobretudo em ambientes site-specific e em estreita cooperação com as comunidades e moradores locais. Neste bloco teremos ainda a participação, de modo transversal, de David-Alexandre Guéniot, director da editora GHOST, que desenvolverá um projecto de edição com os intervenientes, que culminará na criação de um livro de artista(s) produzido de forma colectiva.

Bloco III. Processos de investigação individual de cada participante

Chegados a esta fase do curso, agora com 8 participantes, o foco passará a ser a investigação individual de cada interveniente. João Fiadeiro, Carolina Campos e Daniel Pizamiglio colocar-se-ão nesta fase “ao serviço” dos projectos de cada artista, numa postura de acompanhamento e facilitação. O objectivo será utilizar as ferramentas entretanto trabalhadas e experimentadas nos primeiros dois tempos do curso e canalizá-las agora para uma investigação individual, com o intuito de se conseguir activar o processo de tradução que vai desde o afecto inicial, passando pela formulação do seu enunciado, até à manifestação do acontecimento em si.  Essa manifestação – que voltará a ter lugar no Teatro do Bairro Alto – poderá ter lugar na forma de esquisso, de maquete ou até de “obra” desde que o foco, em qualquer destas escalas, não esteja no produto mas no processo. O que nos interessa perguntar e identificar são os modos mais apropriados (para aquele/a artista e aquele material em particular) para que a potência contida na pergunta inicial (que o/a faz mover e, no limite, querer criar), possa ser traduzido de maneira a que haja uma correspondência entre o afeto inicial e o gesto entretanto tornado público.

 

Esta dimensão pública da partilha é fundamental para que o “outro” deixe de ser idealizado e para que se entenda que um gesto só é realmente concluído quando recebido por um terceiro. É muitas vezes neste momento de “colisão” com o outro, que nos apercebemos com clareza se aquilo que dissemos-fizemos era exatamente aquilo que queríamos dizer-fazer. Raramente é. Mas o que importa, sobretudo num contexto de formação-investigação, é a identificação dessa dificuldade para que, a partir daí, se possa voltar a falhar. “Falhar melhor”, como nos diz Beckett.

 

Durante o decorrer do bloco seremos visitados por cinco artistas – La Ribot, Gustavo Sumpta, Mette Edvardesen, Eleonora Fabião e a dupla Luara Learth/Acauã Elbandido – que irão partilhar com o grupo o modo como “falharam” para chegar ao lugar de investigação em que se encontram. São artistas que partilham premissas semelhantes na relação que desenvolvem com o gesto artístico, sobretudo ao nível das suas éticas de trabalho e compromisso radical com o tempo presente. Têm ainda em comum um posicionamento crítico em relação às suas disciplinas, não se deixando capturar por qualquer tipo de catalogação artificial e manipuladora. Mas fizemos questão que fossem artistas bastante díspares entre si, tanto ao nível formal como ao nível geográfico e geracional.

 

A nossa expectativa é que o acesso aos seus modos de operar informe os intervenientes desta simples equação:  os caminhos para se chegar à construção de uma obra (gesto, acção) serão sempre múltiplos, mas será sempre a partir da colisão (e relação) entre as nossas forças e as nossas vulnerabilidades  (entre a poesia e a selvajaria), que algo vital e urgente poderá emergir.

Formulário de candidaturas

Biografias

Curadoria

Forum Dança | PACAP 5 - João Fiadeiro
João Fiadeiro © Ana Viotti

João Fiadeiro

Nascido em 1965, João Fiadeiro pertence à geração de coreógrafos que surgiu no final da década de 1980 e que deu origem à Nova Dança Portuguesa.

O seu percurso, quer enquanto coreógrafo ou performer, como enquanto investigador ou curador, centrou-se na criação de condições para a experimentação, a prática laboratorial e o cruzamento interdisciplinar. Esta actividade foi realizada tanto no quadro da direcção de projectos de programação e investigação artística, que passaram pelo Centro Cultural da Malaposta (1990-95), pelo Espaço Ginjal (1995-1998), pelo Lugar Comum (1999-2000), pelo Espaço A Capital (2000-2002) e pelo Atelier Real (2004-2019), como no quadro da sua prática artística, através das criações e dos ateliers de investigação organizados em torno da Composição em Tempo Real.

Em todas estas diferentes plataformas de encontro, João Fiadeiro foi sempre acompanhado por artistas que participaram activamente enquanto criadores, performers, investigadores e programadores, contribuindo de maneira decisiva para a existência deste projecto durante 30 anos de actividade ininterrupta.

O grupo actual – a que se está a chamar de Coletivo Atelier RE.AL – tem uma composição variada, mas para este PACAP foram convidados Márcia Lança, Carolina Campos, Daniel Pizamiglio e Ivan Haidar que têm tido um papel preponderante na actividade do colectivo nos últimos 5 anos, desde a co-criação de obras colectivas (O que fazer daqui para trás/2015 e From Afar it was an island, de perto uma pedra/2018), passando pelo processamento e sistematização da Composição em Tempo Real, até à programação do Atelier Real.

Colaboradores

Forum Dança | PACAP 5 - Márcia Lança
Márcia Lança

Márcia Lança

Márcia Lança iniciou a sua formação em Artes do Espectáculo no Chapitô (1999/02). Da formação em dança destaca ex.e.r.ce 05 no CCN de Montpellier, o curso básico de Análise do Movimento, pelo IAM (2004), o Curso de Dança Contemporânea e Pesquisa de Movimento na SNDO de Amesterdão (2003), o Curso de Pesquisa e Criação Coreográfica no Fórum-Dança (2002) e a formação contínua no C.E.M. (2001/04).

Criou Dentro do Coração, NOME, Por esse Mundo Fora, Evidências Suficientes para a Não Coerência do Mundo, Happiness and Misery, 9 Possible Portraits, O Desejo Ignorante, Trompe le Monde, Morning Sun, Dos joelhos para baixo.

Colaborou com João Fiadeiro, Cláudia Dias, Sónia Baptista, Alex Cassal, Carolina Campos, Miguel Castro Caldas, Olga Mesa, Nuno Lucas, Jørgen Knudsen, Aniol Busquets e Thomas Forneau.

Forum Dança | PACAP 5 - Carolina Campos
Carolina Campos

Carolina Campos

Carolina Campos é brasileira e vive entre Lisboa e Barcelona.

Realizou o Programa de Estudos Independentes do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona.

No Brasil trabalhou com a Lia Rodrigues Cia de Danças, entre 2008 e 2011.

Colabora intensamente desde 2013 com João Fiadeiro na formação, criação e investigação da Composição em Tempo Real.

Em Barcelona está associada ao Centro de Criação Escocesa.

Forum Dança | PACAP 5 - Daniel Pizamiglio
Daniel Pizamiglio © Matheus Martins

Daniel Pizamiglio

Daniel Pizamiglio é performer e criador brasileiro.

De 2008 a 2010 fez o Curso Técnico em Dança de Fortaleza (2008-2010). Durante este período encontrou o coreógrafo João Fiadeiro e a partir deste encontro mudou-se para Lisboa em 2012, onde actualmente vive e trabalha.

Desde então estuda e pratica a Composição em Tempo Real; participou no Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica do Forum Dança (2015-2016); tem colaborado como intérprete, co-criador e assistente de direcção com diferentes artistas.

No seu trabalho autoral, procura um encontro entre a poesia e o corpo (“Dança Concreta”) e como activar a corporalidade dos afectos e da relação (“Preste Atenção Em Tudo A Partir de Agora”).

Apoios e Parcerias

Coprodução PACAP 5: TBA – Teatro do Bairro Alto

Apoios PACAP 5: O Rumo do Fumo, Alkantara, Estúdios Victor Córdon, O Espaço do Tempo

Forum Dança | Apoios PACAP 5

Actividades PACAP 5

Forum Dança - CGPAE - 28.ª Edição Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo 2021

Candidaturas CGPAE 28

Estão abertas as candidaturas para a 28.ª Edição do CGPAE – Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo, do Forum Dança.

Para candidatar-se à 28.ª edição do CGPAE deve submeter a sua candidatura online.

Candidaturas abertas até dia 10 de Janeiro de 2021.

Mais informações aqui.

Candidatura online aqui.

Forum Dança - CGPAE - 28.ª Edição Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo 2021

CGPAE 28 – 2021

28.ª Edição do Curso de Gestão/Produção
das Artes do Espectáculo / 2021

O Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo conta com vinte e sete edições, sendo responsável pela formação e integração de vários profissionais das artes do espectáculo em Portugal. Com um currículo pedagógico que cobre os parâmetros práticos e teóricos da profissionalização na área artística, é composto por um corpo docente que se encontra no ativo dentro do sector cultural. Esta característica confere-lhe uma constante actualização e aproximação à realidade do meio e das das estruturas artísticas que o compõem.
Este curso ocorre uma vez por ano.

 

Regulamento

Pode consultar o regulamento aqui neste documento.

 

Objectivos Gerais

Profissionalizar agentes culturais através da aquisição de competências como: planear e delinear estratégias de gestão, produção, programação e financiamento no âmbito das Artes do Espectáculo.
Integração e profissionalização dos formandos ao longo do curso, sendo a estrutura do mesmo pedagogicamente orientada a aplicação de conhecimentos no sector das artes performativas.
O Espaço da Penha será o lugar fixo de aulas, sendo as saídas e visitas de estudo uma constante durante o curso.

Consulte aqui alguns Testemunhos de alunos de anteriores edições.

 

Destinatários

Agentes culturais que pretendam desenvolver o seu trabalho/projecto na área de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo.
Público em geral com o objectivo de profissionalização.

 

Direcção/Coordenação Pedagógica

Dora Carvalho

 

Corpo Docente

O corpo docente do curso desenvolve a sua actividade profissional nas disciplinas que lecciona, proporcionando aos alunos uma aprendizagem do que se faz aqui e agora e uma ligação facilitada ao mercado de trabalho: Carlos Ramos, Elisabete Paiva, Ezequiel Santos, Giacomo Scalisi, João Pinto, Jonas Omberg, Madalena Zenha, Miguel Castro Caldas, Paula Varanda, Rita Guerreiro, Rita Tomás, Rui Campos Leitão e convidados.

 

Estrutura Curricular

• História Da Dança (18h), com Ezequiel Santos
• Música (21h), com Rui Campos Leitão
• Teatro (21h), com Miguel Castro Caldas
• Comunicação Cultural (28h), com Rita Tomás
• Gestão Financeira (28h), com Rita Guerreiro
• Políticas Culturais (21h), com Paula Varanda
• Direito na Cultura (21h), com Madalena Zenha
• Direcção de Cena / Espaços Culturais (49h), com Jonas Omberg
• Estratégias de Programação (21h), com Elisabete Paiva
• Arte e Sociedade (9h), com Giacomo Scalisi
• Som (7h), com Rui Campos Leitão
• Vídeo (7h), com João Pinto
• Luz (7h), com Carlos Ramos
• Projecto (28h)

 

Programa completo do curso

Pode consultar o programa de todas as disciplinas neste documento.

 

Horários

Sextas das 18h30 às 22h e Sábados das 10h30 às 14h00.
Alguns sábados poderão ter horário até às 17h00. Interrupção para férias em Agosto.

 

Processo de Candidatura

Submeter Curriculum Vitae com os dados actualizados e uma Carta de Motivação, onde indique as motivações para frequentar este curso (não exceder uma folha A4).

  • Data limite de Candidaturas 10 de Janeiro de 2021.
  • Entrevistas Presenciais ou Skype 13 e 14 de Janeiro de 2021.
  • Inscrição 120 €. Pagamento até ao dia 21 de Janeiro de 2021, após terminar o processo de selecção e ser aceite no curso.
Forum Dança - Ciclo de Apresentações PACAP 4

Ciclo de Apresentações PACAP 4

Espaço da Penha e Espaço Alkantara

Curadoria de João dos Santos Martins
20 e 21 / 26 e 27 de Junho – Espaço da Penha
1 e 2 de Julho – Espaço Alkantara

ESGOTADO

Todas as sessões estão esgotadas, não estamos a aceitar mais reservas.

Nada para ensinar, tudo para aprender*

 

Pensar um plano de estudos é sempre um conflito entre o ideal e o possível, entre uma certa imposição de uma forma de ver e estar no mundo, e a criação de condições para originar outros mundos. Fui convidado a pensar um programa de estudos para artistas que se relacionam com a dança e a performance. Este programa não foi tão experimental quanto poderia. Rejeitou-se sobretudo a secular divisão entre disciplinas técnicas para colocar ênfase na troca de práticas entre artistas.
Assolados por um vírus que não julgávamos chegar próximo, experimentámos novos formatos e modelos de partilha, de endereçamento e de atenção, nos quais colocámos ao teste a capacidade e a permanência de fazer arte no momento menos propício ao seu desenvolvimento e, talvez por isso, o mais urgente quanto às questões que levanta ser artista hoje.
O programa de apresentações que agora partilhamos não é necessariamente resultado dos últimos seis meses de trabalho colectivo senão uma mostra de processos heterogéneos iniciados por um grupo de artistas dos continentes europeu e americano que isolada ou conjuntamente se sintonizaram, integraram, participaram, ativaram, divergiram ou rejeitaram este programa de estudos. As suas preocupações rangem questões contemporâneas igualmente díspares de contextos geo-políticos diversos que aqui se assemelham sem nunca se assimilar: entre o típico questionar da eficiência social da arte, a propostas de ressonância entre mundo orgânico e inorgânico, do corpo humano e não humano, do ser e do outro, da medida exacta de veneno a administrar para curar, da vida rural e urbana aos restos da noite e do chorume, do espaço que está entre, ao espaço entre o nudismo e o nadismo.

 

“Ainda há quem diga que tudo perde quando não pode sair; que não têm nada para fazer – como se fazer e não fazer não fossem a mesma coisa.” (*Lourdes de Castro, Cartas à Lourdes: das 4 às 5, ed. Ricardo Nicolau)”

 

João dos Santos Martins

 

Agradecimento especial a todos os convidados que participaram neste programa
Ana Jotta (PT), Ana Pi (BR), Ana Rita Teodoro (PT), Bojana Cvejić (RS), Christine de Smedt (BE), Christophe Wavelet (FR), Chrysa Parkinson (US/SE), Eszter Salamon (HU), Joana Sá (PT), João Fiadeiro (PT), Jürgen Bock (DE), Miguel Wandschneider (PT), Moriah Evans (US), Paula Caspão (PT), Pedro Barateiro (PT), Rita Natálio (PT), Ricardo Valentim (PT), Scarlet Yu (HK), Vera Mantero (PT), Xavier le Roy (FR).

Informações e Reservas
Todas as sessões já se encontram esgotadas!

  • Devido à situação actual e seguindo as directivas da DGS, a lotação para estas apresentações é reduzida e limitada a 1/3 da capacidade habitual dos nossos espaços;
  • Pode reservar isoladamente para cada apresentação, ou reservar o programa inteiro em cada dia;
  • O pedido de reserva é feito para o email forumdanca@forumdanca.pt;
  • Terá de indicar nesse email quais os dias e espectáculos que pretende assistir;
  • Faça a sua reserva até 72 horas antes do início de cada apresentação (24h no caso do primeiro ciclo que acontece já este fim-de-semana);
  • A reserva poderá considerar duas pessoas unicamente no caso em que sejam coabitantes;
  • No dia das apresentações deverão trazer a sua própria máscara e/ou viseira;
  • Deverão cumprir com as normas do distanciamento social, assim como a etiqueta respiratória;
  • Agradecemos que compareça porque, dada a lotação reduzida dos espaços, ao não comparecer estará a tirar o lugar a outra pessoa que gostaria de estar igualmente presente.

Agradecemos a compreensão!

Programação Completa

CICLO #01 | Espaço da Penha | 20 e 21 de Junho

 

18h00Eu só tinha o título, agora não tenho nada, Suiá Burger Ferlauto (BR), 30 min.

18h40Loose loop, Leire Aranberri (ES), 30 min.

19h20Como regar plantas falsas, Maria Abrantes (PT), Ca. 40 min.

19h50Would you hire me?, Aline Combe (FR), 20 min.

20h15Apocalipse entre amigos ou simplesmente o dia, Julián Pacomio (ES), 60 min.

A partir das 18h00 – Masa (vídeo em loop), Laura Ríos (CU), 27 min.

Pode consultar o programa completo deste ciclo, em formato digital, AQUI

 

CICLO #02 | Espaço da Penha | 26 e 27 de Junho

 

19h00Carta a uma quantidade emergente, Marina Dubia (BR), 50 min.

19h50Ruído rosa, Alina Ruiz Folini (AR), 30 min.

20h45Mas onde está a espada?, Isadora Alves (PT), 40 min.

21h30Chorume, Natália Mendonça (BR), 40 min

A partir das 19h00 – Heat is life (vídeo em loop), Bianca Zueneli (IT), 25 min.

Pode consultar o programa completo deste ciclo, em formato digital, AQUI

 

 

CICLO #03 | Espaço Alkantara | 1 e 2 de Julho

 

19h00Aurora, Sara Vieira Marques (PT), 40 min.

19h50Heat is life, Bianca Zueneli (IT), 20 min.

20h20Porte, Laure Fleitz (FR), 20 min.

21h00Verde abismo ou eu nunca mais sonhei com isso, Isis Andreatta (BR), 35 min.

A partir das 19h00How do we continue together (vídeo em loop), Emily Barasch (US), 30 min.

*Vulture Realness Invocation or I just can’t be like this with you anymore, (vídeo), randy reyes (US/GT), 7 min.

*a definir

Pode consultar o programa completo deste ciclo, em formato digital, AQUI

Apresentações PACAP 4

Sobre o PACAP

O PACAP – Programa Avançado de Criação em Artes Performativas é um programa de formação/criação para profissionais e estudantes de áreas artísticas que pretendem investir num período de experimentação avançada conciliando-o com uma investigação teórica e o exercício de práticas de corpo e movimento.

Sobre o PACAP 4

De Janeiro a Julho de 2020
Programa Avançado de Criação em Artes Performativas
Curadoria de João dos Santos Martins
Apoio Financeiro: Fundação Calouste Gulbenkian
Apoios: O Rumo Do Fumo, Alkantara, O Espaço Do Tempo e Estúdios Victor Córdon
Parceria: Maumaus

Direcção: Dora Carvalho
Produção: Carolina Martins
Acompanhamento e Direcção Técnica: Zeca Iglésias
Assistente de Produção: Catarina Sobral
Comunicação e Imagem: Eduardo Quinhones Hall

Cartaz

Forum Dança - Cartaz Ciclo de Apresentações PACAP 4
Forum Dança - Cartaz Ciclo de Apresentações PACAP 4

Apoios e Parcerias

Apoio Financeiro: Fundação Calouste Gulbenkian | Apoios: O Rumo do Fumo | ALKANTARA | O Espaço do Tempo | Estúdios Victor Córdon

Forum Dança - Apoios PACAP 4
Forum Dança - Conversa 2: Estratégias de Programação [CGPAE]

Conversa 2: Novos formatos de relação com os públicos em tempos de pandemia Covid-19

Debates CGPAE

Conversas Online Via Aplicação Zoom
15 Junho 2020 | 18h30
!!! DATA ALTERADA DEVIDO À MANIFESTAÇÃO DO CENA-STE NO DIA 4 DE JUNHO ENTRE AS 18H00 E AS 20H00 !!!
Moderação de Elisabete Paiva (Materiais Diversos)
Com Cristina Planas Leitão (coreógrafa)
e Jesse James & Sofia Carolina Botelho (Festival Walk & Talk) – a confirmar

Este debate acontece no âmbito da disciplina de Estratégias de Programação do CGPAE – Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo do Forum Dança.

 

Instruções para aceder ao debate e poder participar:

  1. Enviar um email para forumdanca@forumdanca.pt demonstrando interesse em participar nesta conversa.
  2. Recebe depois no seu email as instruções para aceder ao debate on-line (endereço e código de acesso à sessão, via aplicação Zoom).
  3. Número máximo de participantes: 40.

Sobre o CGPAE – Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo

Apresentação
O Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo conta com mais de vinte e seis edições, sendo responsável pela formação e integração de muitos profissionais na área das artes do espectáculo em Portugal que escolheram formar-se no Forum Dança. Com um currículo pedagógico que cobre os parâmetros práticos e teóricos da profissionalização das artes, conta com um corpo docente em contacto e no activo de funções na área das artes, o que lhe confere uma constante actualização com a realidade e estruturas culturais vigentes.

 

Objectivos Gerais
Profissionalizar agentes culturais através da aquisição das seguintes competências: Planear e delinear estratégias de gestão, produção, programação e financiamento no âmbito das Artes do Espectáculo. Integração e profissionalização dos formandos ao longo do curso, sendo a estrutura do mesmo pedagogicamente orientada para este foco central: a aplicação do conhecimento no mundo material das artes performativas.
O Espaço da Penha dá base ao curso, sendo o lugar fixo de aulas, as saídas e visitas de estudo durante os módulos teóricos e práticos são uma constante, alinhada com os objectivos do curso.

 

Destinatários
Agentes culturais que pretendam desenvolver o seu trabalho/projecto na área de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo.
Público em geral com o objectivo de profissionalização.

Biografias

CRISTINA PLANAS LEITÃO
Porto, 1983. Licenciada em Dance Performance pela ArtEZ – Hogeschool voor de Kunsten em Arnhem (Holanda), em 2006. De 2007 a 2012, colabora com a coreógrafa Gabriella Maiorino da Dansmakers Amsterdam. Desde então foi intérprete de Isabelle Schad (Alemanha), Flávio Rodrigues no Ballet Contemporâneo do Norte (BNC), Vloeistof (Holanda), Catarina Miranda e Marco da Silva Ferreira.
Como ensaiadora, trabalhou com Hofesh Shechter (2012-2014) e Gregory Maqoma (2015) para a Companhia Instável. Em 2015, é uma das artistas convidadas para The Porto Sessions – um projeto desenvolvido por Meg Stuart / Damaged Goods e Mezzanine.
No Porto, foi uma das iniciadoras dos Encontros desNORTE (2011-2017) e criou o projeto Conquering the studio: a time for research, para o BCN e Companhia Instável. Desde 2016, coordena o Aquecimento Paralelo para o Teatro Municipal do Porto e em 2017 integra a equipa de mediação
de públicos no contexto do Festival DDD. Em 2010, é uma das 50 artistas escolhidas por David Zambrano para os 50 Days of Flying Low and Passing Through in Costa Rica, fazendo parte do único grupo certificado para ensinar e desenvolver essas técnicas. Desde então, tem lecionado internacionalmente – uma atividade pedagógica que mantém em paralelo com a coreográfica. Em 2012, em cocriação com Jasmina Krizaj criam The Very Delicious Piece – uma peça produzida no contexto da rede europeia Modul Dance. Seguidamente cocriam The Very Boring Piece em coprodução com o Hellerau, Dresden. Em 2014, desenvolvendo a sua própria autoria, estreia o solo bear me e em 2016 cria a peça FM [ featuring mortuum]. No mesmo ano, com uma versão XL da The Very Delicious Piece, é finalista, junta- mente com Jasmina Krizaj e um elenco de oito intérpretes, no Danse Élargie 2016 – Théâtre de la Ville (Paris). O seu trabalho tem sido apresentado interna- cionalmente em locais como: Hellerau – Europäisches Zentrum der Künsten (Dresden), The Place (Londres), Théâtre de la Ville, Triskelion Arts (Nova Iorque), I like to watch Too no Julidans Festival (Amesterdão), Malta Festival (Polónia), Plesni Teater e Stara Mestna Elektrarna (Ljubljana), Maribor 2012 Capital Europeia da Cultura (Eslovénia), No_Body Festival (Chipre), Teatro Municipal do Porto, GUIdance Festival (Guimarães), BoxNova / CCB, Festival Cumplicidades, Centro de Arte de Ovar, Cine-Teatro Louletanto e Teatro Municipal de Faro.
É diretora artística da Bactéria Associação Cultural desde 2015. O seu corpo de trabalho está documentado na série Portugal que Dança (2017), criada para a RTP2.

 

JESSE JAMES
Vancouver, 1987, vive e trabalha entre Lisboa e Ponta Delgada como programador cultural e curador independente, combinando projetos curatoriais, assessoria de comunicação e gestão estratégica para projetos e estruturas culturais. É cofundador e diretor executivo da Anda&Fala – Associação Cultural, estrutura de criação contemporânea e multidisciplinar. Assume, desde 2011, a direção artística do Walk&Talk – Festival de Artes, nos Açores. É licenciado em Turismo e Lazer pela ESTH/IPG e frequentou a pós-graduação em Curadoria de Arte na FCSH, da Universidade Nova em Lisboa.

 

SOFIA CAROLINA BOTELHO
S.Miguel, 1986, fez licenciatura em Escultura e Mestrado em Museologia e Museografia na FBAUL. Trabalha em S.Miguel, na área da Gestão e Programação Cultural e desenvolve projetos pessoais na área da Preservação do Património, Memória e Arte.
Assume, desde 2013, a direção artística e a coordenação do Programa de Conhecimento do Walk&Talk – Festival de Artes, nos Açores.
Desde 2016 é coordenadora do Serviço Educativo do Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada.

 

ELISABETE PAIVA
Licenciada em Produção Teatral e Mestre em Estudos de Teatro. Trabalhou como produtora com Luís Castro, Teatro do Vestido e Pedro Sena Nunes. Foi responsável pelo Serviço Educativo do Centro Cultural Vila Flor (2006 a 2014), na sequência de experiências marcantes de cruzamento entre criação, educação e território no CENTA – Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas (2003–2005). Concebeu e programou o Serviço Educativo de Guimarães 2012 CEC e actualmente é Directora Artística do Festival Materiais Diversos.

Forum Dança - Conversa 1: Estratégias de Programação [CGPAE]

Conversa 1: Princípios e práticas no cancelamento e reagendamento de atividades

Debates CGPAE

Conversas Online Via Aplicação Zoom
28 Maio 2020 | 18h30
Moderação de Elisabete Paiva (Materiais Diversos)
Com Luís Ferreira (23 Milhas)
Tânia Guerreiro (PI – Produções Independentes)

Este debate acontece no âmbito da disciplina de Estratégias de Programação do CGPAE – Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo do Forum Dança.

 

Instruções para aceder ao debate e poder participar:

  1. Enviar um email para forumdanca@forumdanca.pt demonstrando interesse em participar nesta conversa.
  2. Recebe depois no seu email as instruções para aceder ao debate on-line (endereço e código de acesso à sessão, via aplicação Zoom).
  3. Número máximo de participantes: 40.

Sobre o CGPAE – Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo

Apresentação
O Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo conta com mais de vinte e seis edições, sendo responsável pela formação e integração de muitos profissionais na área das artes do espectáculo em Portugal que escolheram formar-se no Forum Dança. Com um currículo pedagógico que cobre os parâmetros práticos e teóricos da profissionalização das artes, conta com um corpo docente em contacto e no activo de funções na área das artes, o que lhe confere uma constante actualização com a realidade e estruturas culturais vigentes.

 

Objectivos Gerais
Profissionalizar agentes culturais através da aquisição das seguintes competências: Planear e delinear estratégias de gestão, produção, programação e financiamento no âmbito das Artes do Espectáculo. Integração e profissionalização dos formandos ao longo do curso, sendo a estrutura do mesmo pedagogicamente orientada para este foco central: a aplicação do conhecimento no mundo material das artes performativas.
O Espaço da Penha dá base ao curso, sendo o lugar fixo de aulas, as saídas e visitas de estudo durante os módulos teóricos e práticos são uma constante, alinhada com os objectivos do curso.

 

Destinatários
Agentes culturais que pretendam desenvolver o seu trabalho/projecto na área de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo.
Público em geral com o objectivo de profissionalização.

Biografias

LUÍS SOUSA FERREIRA
Director do 23 Milhas, projecto que agrega os quatro espaços culturais do Município de Ílhavo e restantes eventos culturais. Fundador e director artístico do BONS SONS, festival comunitário de música portuguesa, entre 2006 e 2019. Foi comissário cultural na Comunidade Interurbana do Médio Tejo, com destaque para o projecto intermunicipal “Caminhos” (2017-2019). Assumiu a coordenação de produção e desenvolvimento da experimentadesign (2013-2015) e colaborou com esta entidade tanto na área de produção e desenvolvimento da Bienal EXD, como na programação regular do Palácio Quintela e do Convento da Trindade (2009-2013). Foi produtor cultural no Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas (CENTA – 2006-2008), tendo sido ainda responsável pela coordenação e produção do projecto “Experimenta o Campo 06/09”. Em 2018, foi membro do Grupo de Trabalho de Aperfeiçoamento do Modelo de Apoio às Artes. Desde 2019, é Membro do Conselho Consultivo Portugal Expo 2020 Dubai. É ainda cronista na Revista Gerador.

 

TÂNIA GUERREIRO
Licenciada em Cenografia pela Escola Superior de Teatro e Cinema (2007), tendo terminado o curso em Barcelona no Institut del Teatre. Completou a sua formação com o curso de Gestão e Produção das Artes do Espetáculo do Forum Dança (1999). Trabalhou em várias áreas da produção de espectáculos, cinema, artes plásticas, festivais – como o Festival Atlântico, Festival Temps d’Images e Alkantara – e em estruturas como a Casa d’os Dias da Água, ZDB, Transforma, Jangada de Pedra, onde desempenhou funções de produção, gestão, angariação de financiamentos e comunicação. De Janeiro de 2009 a Outubro de 2010, desempenhou funções de coordenação executiva na Rede – Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea. Em Agosto de 2009, juntamente com outros profissionais da produção, cria uma plataforma de trabalho para produtores independentes – Produções Independentes – onde desenvolve colaborações com artistas independentes e estruturas de criação e programação. Entre 2012 e 2013 estabeleceu uma colaboração com a Transforma, em Torres Vedras, como programadora das atividades e apoiou o desenvolvimento de projetos europeus. Desde 2014, dedica-se à direção das Produções Independentes dando continuação ao trabalho com o criador Rui Catalão (que iniciou em 2010) a par do acompanhamento ao trabalho de outros artistas e projectos mais pontuais. Entre 2016 e 2017 foi presidente da Direção da Rede. Em 2017 criou a associação Orgia – Organização, Investigação e Artes – para dar apoio a artistas emergentes e organizar programas de criação. Nesse mesmo ano ganhou o prémio Natércia Campos de Melhor Produtor Cultural. Em 2018 foi júri das Curtas de Dança para o festival DDD e iniciou a sua colaboração com o FIAR/CAR no apoio à programação e à gestão.

 

ELISABETE PAIVA
Licenciada em Produção Teatral e Mestre em Estudos de Teatro. Trabalhou como produtora com Luís Castro, Teatro do Vestido e Pedro Sena Nunes. Foi responsável pelo Serviço Educativo do Centro Cultural Vila Flor (2006 a 2014), na sequência de experiências marcantes de cruzamento entre criação, educação e território no CENTA – Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas (2003–2005). Concebeu e programou o Serviço Educativo de Guimarães 2012 CEC e actualmente é Directora Artística do Festival Materiais Diversos.

Forum Dança - CGPAE - 27.ª Edição Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo

CGPAE 27

27.ª Edição do Curso de Gestão/Produção
das Artes do Espectáculo / 2020

O Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo conta já com mais de vinte e cinco edições, sendo responsável pela formação e integração de vários profissionais das artes do espectáculo em Portugal. Com um currículo pedagógico que cobre os parâmetros práticos e teóricos da profissionalização na área artística, é composto por um corpo docente que se encontra no ativo dentro do sector cultural. Esta característica confere-lhe uma constante actualização e aproximação à realidade do meio e das das estruturas artísticas que o compõem.
Este curso ocorre uma vez por ano.

 

Regulamento

Pode consultar o regulamento aqui neste documento.

 

Objectivos Gerais

Profissionalizar agentes culturais através da aquisição de competências como: planear e delinear estratégias de gestão, produção, programação e financiamento no âmbito das Artes do Espectáculo.
Integração e profissionalização dos formandos ao longo do curso, sendo a estrutura do mesmo pedagogicamente orientada a aplicação de conhecimentos no sector das artes performativas.
O Espaço da Penha será o lugar fixo de aulas, sendo as saídas e visitas de estudo uma constante durante o curso.
Consulte aqui alguns Testemunhos de alunos de anteriores edições.

 

Destinatários

Agentes culturais que pretendam desenvolver o seu trabalho/projecto na área de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo.
Público em geral com o objectivo de profissionalização.

 

Direcção/coordenação pedagógica

Dora Carvalho

 

Corpo Docente

O corpo docente do curso desenvolve a sua actividade profissional nas disciplinas que lecciona, proporcionando aos alunos uma aprendizagem do que se faz aqui e agora e uma ligação facilitada ao mercado de trabalho: Carlos Ramos, Elisabete Paiva, Ezequiel Santos, Giacomo Scalisi, João Pinto, Jonas Omberg, José Maria Vieira Mendes, Madalena Zenha, Paula Varanda, Rita Guerreiro, Rita Tomás, Rui Campos Leitão e convidados.

 

Estrutura Curricular

• História Da Dança (18h), com Ezequiel Santos
• Música (21h), com Rui Campos Leitão
• Teatro (21h), com José Maria Vieira Mendes
• Comunicação Cultural (28h), com Rita Tomás
• Gestão Financeira (28h), com Rita Guerreiro
• Políticas Culturais (21h), com Paula Varanda
• Direito na Cultura (21h), com Madalena Zenha
• Direcção de Cena / Espaços Culturais (49h), com Jonas Omberg
• Estratégias de Programação (21h), com Elisabete Paiva
• Arte e Sociedade (14h), com Giacomo Scalisi
• Som (7h), com Rui Campos Leitão
• Vídeo (7h), com João Pinto
• Luz (7h), com Carlos Ramos
• Projecto (14h)

 

Programa completo do curso

Pode consultar o programa de todas as disciplinas neste documento.

 

Horários

Sextas das 18h30 às 22h e Sábados das 10h30 às 14h00.
Alguns sábados poderão ter horário até às 17h00. Interrupção para férias em Agosto.

Forum Dança - João dos Santos Martins | PACAP 4

PACAP 4 – 2020

Curadoria de João dos Santos Martins

De Janeiro a Julho de 2020

Pensar um plano de estudos é sempre um conflito entre o ideal e o possível, entre uma certa imposição de uma forma de ver e estar no mundo, e a criação de condições para originar outros mundos. Nas palavras de Rabindranath Tagore, a educação não serve senão para dar resposta e nos livrarmos da “agressividade suicida do egoísmo colectivo”. Este programa não é mais do que isso. Focado na experimentação, procurará desafiar os paradigmas da dança e da coreografia contemporâneas através da activação de um posicionamento crítico e discursivo, ainda que sempre comprometido, para com essas práticas. Mas é sobretudo pensado como um tempo e um lugar protegidos para encorajar todxs xs participantes a desenvolver e analisar a sua prática artística num ambiente colectivo, intelectual e artisticamente estimulante.

 

Neste programa não há distinção entre aulas ‘técnicas’, de ‘pesquisa’ ou outras que tais. Partimos do princípio de que não pode haver distinção entre conhecimento prático e teórico e que é essa mesma divisão que induz uma alienação no próprio trabalho. O programa baseia-se unicamente nas propostas dxs artistas e intervenientes que passarão tempo com xs participantes potenciando experiências comuns de questionamento e transformação. Xs intervenientes convidadxs partilham a necessidade de desmistificar as dicotomias corpo/cabeça, acção/pensamento, prática/teoria, procurando articular o discurso e a prática como partes integrais e integrantes de modos de fazer e pensar, e não como pólos opostos.

 

Acreditamos na prática da dança como um suporte para a prática artística que está em permanente diálogo com outros suportes e com as genealogias da história da arte em geral. Procuraremos um diálogo com esses vários ‘suportes’ e xs agentes que os praticam através de visitas a estúdios de artistas locais e parcerias com estruturas e instituições circundantes que estabeleçam a ponte com o contexto das artes local. E como o fazer da arte está sempre em diálogo com os seus modos de apreensão, o programa é continuamente reforçado com visitas a exposições, visionamento de filmes, ida a espectáculos e conferências de agentes de vários domínios.

 

Acreditamos que parte do labor artístico é necessariamente autodidacta. Nesse sentido, privilegiaremos o cultivo de um espaço de partilha, de colaboração e trabalho em grupo de forma a construir conhecimentos e experiências comuns que incitem xs participantes a aprofundar as suas práticas, individual ou colectivamente. Durante o período do programa serão disponibilizados estúdios para que xs participantes possam desenvolver os seus trabalhos cujos processos serão partilhados ao longo de seis meses. No final do ciclo todxs xs participantes deverão apresentar publicamente esse trabalho, articulando assim, como refere Rancière, “os modos de fazer, as suas formas de visibilidade correspondentes e as formas possíveis de pensar as suas relações”. / João dos Santos Martins 

Biografia

João dos Santos Martins (Santarém, 1989) é um artista que trabalha a partir e através da dança e do suporte coreográfico. Começou por estudar na Escola Superior de Dança, em Lisboa, e na P.A.R.T.S., em Bruxelas, e concluiu os seus estudos coreográficos entre o exerce, em Montpellier, e o Instituto de Estudos de Teatro, em Giessen.

 

Desde 2008, tem articulado a sua prática entre a produção de peças e a colaboração como bailarino com outros autores como Ana Rita Teodoro, Eszter Salamon, Moriah Evans e Xavier Le Roy. O seu trabalho é caracterizado por uma diversidade de formatos e dispositivos que investem na produção de conflitos entre o sujeito que dança e o objecto dançado. As suas peças são geralmente desenvolvidas em colaboração com outros artistas como em Antropocenas (2017), com Rita Natálio e Pedro Neves Marques, e Onde Está o Casaco? (2018), com Cyriaque Villemaux e Ana Jotta.

 

Desde 2017 tem expandido a sua prática a outros formatos paralelos. Organizou o ciclo Nova—Velha Dança em Santarém, com espectáculos, workshops, conversas e exposições; criou, com Ana Bigotte Vieira, um dispositivo para a historização colectiva da dança em Portugal — Para Uma Timeline a Haver — e fundou um jornal — Coreia — dedicado a produzir discursos sobre as artes e os artistas em especial relação com a dança.

Professores e Artistas Convidados

Ana Jotta (PT), Ana Pi (BR), Ana Rita Teodoro (PT), Antonia Baehr (DE), Christine de Smedt (BE), Christophe Wavelet (FR), Chrysa Parkinson (US/SE), Eszter Salamon (HU), Fred Moten (US), Joana Sá (PT), João Fiadeiro (PT), Latifa Laâbissi (FR), Moriah Evans (US), Paula Caspão (PT), Pedro Barateiro (PT), Rita Natálio (PT), Scarlet Yu (HK), Vera Mantero (PT), Xavier le Roy (FR).

Participantes

Alina Ruiz Folini (AR), Aline Combe (FR), Bianca Zueneli (IT), Emily Barasch (US), Isadora Alves (PT), Isis Andreatta (BR), Julián Pacomio (ES), Laura Ríos (CU), Laure Fleitz (FR), Leire Aranberri (ES), Maria Abrantes (PT), Marina Silva / Dubia (BR), Natália Mendonça (BR), Randy Reyes (US/GT), Sara Vieira Marques (PT), Suiá Ferlauto (BR).

Apresentações

  • Ciclo de apresentações em Lisboa, previstas acontecer em Julho de 2020, inicialmente pensadas num ciclo de programação na Fundação Calouste Gulbenkian, mas apresentadas no Espaço da Penha e no Espaço Alkantara.

Actividades PACAP4

Apoios e Parcerias

Apoio Financeiro: Fundação Calouste Gulbenkian | Apoios: O Rumo do Fumo | ALKANTARA | O Espaço do Tempo | Estúdios Victor Córdon

Forum Dança - Apoios PACAP 4

CGPAE 26

26.ª Edição do Curso de Gestão/Produção
das Artes do Espectáculo / 2019

O Curso de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo conta já com mais de vinte e cinco edições, sendo responsável pela formação e integração de vários profissionais das artes do espectáculo em Portugal. Com um currículo pedagógico que cobre os parâmetros práticos e teóricos da profissionalização na área artística, é composto por um corpo docente que se encontra no ativo dentro do sector cultural. Esta característica confere-lhe uma constante actualização e aproximação à realidade do meio e das das estruturas artísticas que o compõem.
Este curso ocorre uma vez por ano.

 

Objectivos Gerais

Profissionalizar agentes culturais através da aquisição de competências como: planear e delinear estratégias de gestão, produção, programação e financiamento no âmbito das Artes do Espectáculo.
Integração e profissionalização dos formandos ao longo do curso, sendo a estrutura do mesmo pedagogicamente orientada a aplicação de conhecimentos no sector das artes performativas.
O Espaço da Penha será o lugar fixo de aulas, sendo as saídas e visitas de estudo uma constante durante o curso.
Consulte aqui alguns Testemunhos de alunos de anteriores edições.

 

Destinatários

Agentes culturais que pretendam desenvolver o seu trabalho/projecto na área de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo.
Público em geral com o objectivo de profissionalização.

 

Direcção/coordenação pedagógica

Dora Carvalho

 

Corpo Docente

O corpo docente do curso desenvolve a sua actividade profissional nas disciplinas que lecciona, proporcionando aos alunos uma aprendizagem do que se faz aqui e agora e uma ligação facilitada ao mercado de trabalho: Carlos Ramos, Elisabete Paiva, Ezequiel Santos, Giacomo Scalisi, João Pinto, Jonas Omberg, Francisco Frazão, Madalena Zenha, Paula Varanda, Rita Guerreiro, Rita Tomás, Rui Campos Leitão e convidados.

 

Estrutura Curricular

• História Da Dança (18h), com Ezequiel Santos
• Música (21h), com Rui Campos Leitão
• Teatro (21h), com Francisco Frazão
• Comunicação Cultural (28h), com Rita Tomás
• Gestão Financeira (28h), com Rita Guerreiro
• Políticas Culturais (21h), com Paula Varanda
• Direito na Cultura (21h), com Madalena Zenha
• Direcção de Cena / Espaços Culturais (49h), com Jonas Omberg
• Estratégias de Programação (21h), com Elisabete Paiva
• Arte e Sociedade (14h), com Giacomo Scalisi
• Som (7h), com Rui Campos Leitão
• Vídeo (7h), com João Pinto
• Luz (7h), com Carlos Ramos
• Projecto (14h)

 

Horários

Sextas das 18h30 às 22h e Sábados das 10h30 às 14h00.
Alguns sábados poderão ter horário até às 17h00. Interrupção para férias em Agosto.

Forum Dança - Vânia Rovisco | PACAP 3

PACAP 3 – 2019

Curadoria de Vânia Rovisco

De Abril a Agosto de 2019

Palavras Chave:

Performance; Instalação; Corpo expandido; Práticas teóricas;
Música; Artes plásticas e visuais; Poética do corpo; Hibridismo formal.

Na constituição do programa, a artista teve como eixo central o acto de criação como momento de expressão livre organizada por diferentes modos, meios e variações, por sua vez submetido a uma urgência ou necessidade de afectar o tecido social e/ou individual. A multiplicidade dos recursos artísticos no processo de criação constitui a performance como uma arte integral, múltipla, transdisciplinar e móvel nas constelações e modos de partilha artística, conferindo ao PACAP 3 uma estrutura contemporânea que avança cuidada, curada por Vânia Rovisco.

 

O PACAP 3 foi concebido como um processo contínuo vitalizado pela confluência de múltiplas linguagens no acto de experimentação, investigação e preparação física. O trabalho e recurso ao corpo é fundacional ao programa, sendo que a sua abrangência às outras linguagens artísticas é ainda assim pautada a partir do eixo-corpo. As/os várias/os artistas convidadas/os a dar formação serão tanto transdisciplinares, quanto intergeracionais, com vista a manter nos participantes do programa uma relação de processo contínuo ou disruptivo, própria da partilha de processos e materiais inerentes ao hibridismo formal do PACAP 3.

 

A criação performática enquanto soma dos exercícios relacionais, em acordo com o paradigma contemporâneo do corpo [consciência] expandido, vai submeter-se no percurso do programa à prática crítica do lugar. Assim, os espaços de criação adquirem especial relevância numa topografia artística já fixada no PACAP 3 entre Coimbra, no Colégio das Artes; Montemor-o-Novo no Espaço do Tempo; e Lisboa na Escola Superior de Música, Culturgest e Espaço da Penha – Forum Dança. O curso terá ainda momentos abertos ao público como eventos pop-up ou estúdio aberto com apresentações informais.

 

De acordo com a ideia de corpo total, convoca-se no programa a exploração da potência híbrida e múltipla da performance contemporânea. Vários recursos serão activados em diálogo com a fórmula de teoria como prática e na prática: a construção de objectos derivando nas linguagens plásticas e visuais; o texto dito e escrito, enviando-nos para o índice performático de ambos; e a migração de ferramentas e métodos entre meios artísticos, como por exemplo as estratégias de improvisação de e a partir da música.

 

O curso pretende-se o mais aberto possível, buscando um grupo heterogéneo que gravite ou se mova nos campos da performance, dança, teatro, música, artes plásticas, cénicas e visuais, poesia, literatura. O comprometimento, o empenho e a entrega pessoal é essencial para progredir sobre as nossas questões e visões da criação e para o despegar radical e persistente das nossas rotinas durante os 4 meses de duração do PACAP 3.

Biografia

Vânia Rovisco Durban, África do Sul (1975). Artista visual performativa, criadora de instalações de peças duracionais, através das quais explora e actualiza processos relacionais. Com um trabalho ancorado na investigação e consequente criação de uma corporeidade processual, feita em relação, trabalha com o público a fabricação de experiências mediadas por modelações espaciais, temporais e perceptivas.

 

Concluiu o Curso para Intérpretes de Dança Contemporânea do Forum Dança (1998-2000). Trabalhou como intérprete com Meg Stuart/Damaged Goods (2001-2007) em diversas peças e projectos de improvisação. Colaborou com Pierre Colibeuf; Helena Waldman; Gordon Monahan, entre outros.

 

Em 2004 começou a fazer direcção de movimento, com os directores João Brites, Gonçalo Amorim e Gonçalo Waddington/Carla Maciel. Em 2007 tomou a decisão de colocar o corpo no contexto da galeria de arte, concebendo instalações e performances, o que se tornou um alicerce na concepção do seu trabalho. Também envolve vídeo na captura da plasticidade do corpo e do movimento. Em 2013 estreou o solo The Archaic, Looking Out, The Night Knight. Em 2014 participou na Feira de Arte Contemporânea Mostra’14. Encenou para o festival TODOS Silo de carros e estradas giratórias e no mesmo ano iniciou REACTING TO TIME, portugueses na performance, que versa sobre a transmissão do arquivo vivo da performance em Portugal nos finais dos anos 60. Em 2017 concebeu a peça de grupo EQUANAMIDADE – ÂNIMO INALTERÁVEL para o Festival Walk&Talk no Açores. É co-fundadora da plataforma artística internacional AADK – Aktuelle Architektur der Kultur, com lugar na Alemanha, em Portugal e Espanha. Lecciona workshops desde 2003. É curadora do PACAP 3— Programa Avançado de Criação nas Artes Performativas— no Forum Dança a ter lugar entre 15 de Abril e 16 de Agosto de 2019.

Professores e Artistas Convidados

Abraham Hurtado (ES), Ana Salcedo (PT), Antonija Livingston (CA), António Poppe (PT), Åsa Frankenberg (SE), Cátia Leitão (PT), Ezequiel Santos (PT), Gordon Monahan (CA), Hugo Cristóvão (PT), Inês Aires (PT), Janis Dellarte (PT), Joana Trindade (PT), Jochen Arbeit (DE), Laura Kikauka (CA), Manuel Magalhães (PT), Mash Yan (PT), Meg Stuart (US/DE), Miguel Moreira (PT), Mónica Calle (PT), Sam Louwyck (BE), Sónia Baptista (PT), Tanja Šmič (HR), Vânia Rovisco (PT), Vera Mantero (PT), Yael Karavan (IL), Yuko Kominami (JP).

Participantes

Acauã El Bandido (BR), Alice Giuliani (IT), Alina Usurelu (RO), Antoine Parra del Pozo (FR), Daniel Miranda (BR), Diego Bagagal (BR), Filipa Duarte (PT), Filipe Baracho (PT), Gabriela Cordovez (BR), Gabriela Gonçalves (PT), Guilherme Barroso (PT), Joana Miranda (PT), Lola Bezemer (NL), Lucas Lagomarsino (AR), Miguel Ferrão Lopes (PT), Samara Azevedo (BR).

Apresentações

  • Ciclo de apresentações em Lisboa, “Unusual Event”, 13 e 14 de Agosto 2019, no Espaço da Penha.
Forum Dança - Sofia Dias & Vítor Roriz | PACAP 2

PACAP 2 – 2018/2019

Curadoria de Sofia Dias & Vítor Roriz

De Setembro de 2018 a Março de 2019

A segunda edição do PACAP é um convite ao fazer, porque é no fazer que nos encontramos e onde se tornam claras as nossas intenções e desejos. É um convite à falha porque a falha é condição indissociável do fazer e do risco que é imaginar e especular a partir da nossa experiência parcial do mundo. E é um convite à vulnerabilidade, à exposição, a pôr-se em perigo e a percorrer um limite, porque são qualidades de qualquer lugar de criação e também daquele que pretendemos para o PACAP.

 

Neste lugar de criação, mais do que manifestar uma essência, vamos procurar os meios para revelar experiências, pesquisando a tensão entre forma e conteúdo, entre o universal e o particular, entre o pessoal e o partilhável, entre o subjectivo, o discurso e a linguagem. Neste lugar não há expectativas sobre a eficácia enquanto qualidade de um processo, da mesma forma que desconfiamos do consenso como objectivo para os seus resultados. Porque é suposto falhar sempre algo, haver um desequilíbrio, estar “um pouco ao lado”. Porque é na falha e no que falta que se amplia a percepção e se dá lugar ao outro. E no PACAP estar com o outro, criar com e a partir do outro são pressupostos para falhar com mais estrondo e convocar um ligeiramente diferente no modo como fazemos e pensamos a criação artística.

 

Com um enfoque sobre as metodologias de criação e os formatos de apresentação, o PACAP 2 procura acompanhar cada participante na pesquisa e experimentação de uma ideia ou material coreográfico até ao momento da sua apresentação pública.

 

Assim, vamos testar diferentes modos de passar à acção e de tradução do desejo em matéria.

 

Vamos privilegiar a relação com o imaginário – a combinação de experiências, leituras, imagens, sensações e outras “coisas” em efervescência na nossa mente/corpo que determina muitas das nossas escolhas quando criamos uma obra e que é talvez o que nos resta de mais íntimo.

 

Vamos explorar as relações de interdependência entre a pesquisa individual e as formas de relação com o público: Que formato escolhemos para apresentar a pesquisa? Ou a que formato conduz a pesquisa? E como é que o formato de apresentação informa e influencia a direcção, a dramaturgia e a metodologia de criação?

 

Vamos atravessar a prática e o pensamento de um grupo eclético de coreógrafos, encenadores, cenógrafos e performers que têm como denominador comum a curiosidade e a necessidade de invadir e testar diferentes modos de fazer, pensar e comunicar.

 

Vamos poder trabalhar e apresentar as pesquisas individuais e colectivas em diferentes locais (teatros, galerias, ateliers, bibliotecas, salas de ensaio, black box, etc.) procurando diversificar as relações com o espaço, o tempo e o observador. / Sofia Dias & Vítor Roriz

Biografia

Sofia Dias & Vítor Roriz, dupla de coreógrafos a colaborar desde 2006 na pesquisa e concepção de vários trabalhos apresentados em mais de 17 países. Os seus trabalhos centram-se na articulação entre a voz, a palavra, o som e os objectos com o corpo, o gesto e o movimento. Em 2011 foi-lhes concedido o Prix Jardin d’Europe pelo espectáculo Um gesto que não passa de uma ameaça, um trabalho que questiona a hierarquia entre a palavra e o movimento. Enquanto dupla têm colaborado com diversos artistas tais como, Catarina Dias, artista visual e colaboradora de longa data, Lara Torres, Marco Martins, Clara Andermatt, Mark Tompkins e desde 2014 que apresentam António e Cleópatra de Tiago Rodrigues e Sopro (2017) do mesmo director. Leccionam regularmente aulas e workshops e têm vindo a organizar residências e encontros de reflexão entre artistas em diferentes contextos. Encontram-se neste momento a preparar a sua próxima peça com estreia no Festival Alkantara 2018. | www.sofiadiasvitorroriz.com

Professores e Artistas Convidados

Alex Cassal (BR), Christiane Jatahy (BR), David-Alexandre Guéniot (Ghost) (FR), Francisco Camacho (PT), Francisco Frazão (PT), Ghost editions (PT), Inês Nogueira (PT), Jared Gradinger (US), João dos Santos Martins (PT), João Fiadeiro (PT), John Romão (PT), Jonathan Saldanha (PT), Liliana Coutinho (PT), Luís Guerra (PT), Mário Afonso (PT), Miguel Gutierrez (US), Miguel Pereira (PT), Nadia Lauro (FR), Neil Callaghan (UK), Paulo Pires do Vale (PT), Philipp Gehmacher (AT), Sofia Dias (PT), Sofia Neuparth (PT), Sónia Baptista (PT), Teresa Silva (PT), Tiago Rodrigues (PT), Vânia Rovisco (PT), Vera Mantero (PT), Vítor Roriz (PT).

Participantes

Aiste Adomaityte (LT), Arianna Aragno (IT), Blanche Denardaud (FR), Bruno Brandolino (UY), Elena Bastogi (IT), Gabriela Nasser (BR), Maddalena Ugolini (IT), Mariana Viana (BR), Marta Ramos (PT), Nina Giovelli (BR), Patrícia Arabe (BR), Perline Aglaghanian (FR), Renann Fontoura (BR), Tamara Catharino (BR), Tatiana Bittar (BR).

Apresentações

  • Ciclo de apresentações em Lisboa de 15 a 22 de Fevereiro 2019, nos seguintes locais: Espaço ALKANTARA, Espaço da Penha.
  • Ciclo de apresentações em Vila Franca de Xira, na Companhia Inestética a 14 e 15 de Março de 2019.
  • Ciclo de apresentações em Toulouse, no CDC, a 23 de Março 2019.
  • Ciclo de apresentações no Porto, na Culturgest, a 29 e 30 de Março 2019.
Forum Dança - Patrícia Portela | PACAP 1

PACAP 1 – 2017/2018

Curadoria de Patrícia Portela

Setembro de 2017 a Março 2018

Hibridismo, Dramaturgias do Espaço e Arte Fantasma

“What best can I do?
Exactly what I’ve done.
My voice for the voiceless.“
Philip K. Dick, The Exegesis

O que nos atrai e nos chama numa obra de arte? O que se move quando nos movemos em palco? Quem escreve ou quem ou o que se inscreve quando escrevemos? O que se torna visível através da arte? E quem e o que (se) fala através da arte?
É desconcertante notar que não é a forma, nem o conteúdo nem a sua harmonia nem o discurso que rodeia uma obra de arte o que confere a um objecto artístico a sua qualidade artística, e sim algo extraordinário aos elementos que a constituem, como se a voz do artista, ou talvez devesse dizer, a voz do mundo através do artista estivesse presente e promovesse o encontro com aquilo que sem a arte é invisível.
Mas como é que esta voz ganha voz?
Como é que esta voz encontra o artista e comunica com um público através de uma obra e desta forma regressa ao mundo, reescrevendo-o?
Durante os 6 meses deste primeiro módulo gostaria de me debruçar na companhia de vários cúmplices sobre o processo individual de criação artística e sobre a interacção de objectos performativos com o público/seus criadores, de forma a compreender através da prática e da reflexão conjuntas, no que consiste a Voz de um artista, o quanto desta Voz reflecte o diálogo diário do nosso corpo com o mundo, de como essa Voz, enquanto corpo fantasma, é um espaço privilegiado para a manifestação de forças invisíveis que nos movem e nos movimentam em determinadas direcções em detrimento de outras, ganhando presença em cada obra.
Partindo de encontros vários com um grupo de artistas e formadores de várias áreas filosóficas e artísticas com um especial enfoque nas artes vivas, este módulo pretende oferecer um espaço de laboratório para a exploração de uma linguagem individual num ambiente interactivo onde diferentes possibilidades dramatúrgicas e de criação transdisciplinar possam coabitar.
Longe da estrutura de mestre/discípulo, reportório/intérprete ou de educador/educando, este espaço de partilha e crescimento horizontal pretende promover a convivência entre diferentes criadores em diferentes fases de desenvolvimento do seu percurso artístico, assim como produzir uma reflexão contínua acompanhada por alguns dos pensadores que consideramos relevantes e neste princípio de milénio.
O objetivo principal desta deglutição e centrifugação simultâneas de linguagens individuais e colectivas através da experimentação, reflexão e apropriação de materiais diversos, a solo e em conjunto é permitir a construção e apresentação de solos e/ou duetos e consequente reflexão crítica sobre os mesmos que possam servir de “cartão de visita” dos participantes no meio profissional enquanto coreógrafos, performers, dramaturgos, autores ou artistas multidisciplinares.” / Patrícia Portela

Biografia

Patrícia Portela, autora de performances, instalações transdisciplinares e obras literárias, vive entre Portugal e a Bélgica, itinerando com regularidade pelo mundo. Estudou cenografia, cinema, dança e filosofia. Entre 1994-2002 trabalhou como figurinista/cenógrafa em teatro e cinema recebendo o Prémio Revelação 94 da Associação de Críticos de Teatro. Foi uma das fundadoras do grupo O Resto (1996) e da Associação Cultural Prado (2003). Reconhecida pela peculiaridade da sua obra, recebeu vários prémios dos quais destaca Prémio Madalena Azeredo de Perdigão/FCG para Flatland I e Prémio Teatro na Década para Wasteband. Autora de romances como Para Cima e não para Norte (2008) ou Banquete (Finalista do Grande Prémio para Romance e Novela 2012), participou no 46º International Writers Program de Iowa City (2013) sendo a primeira Outreach Fellow da Universidade de Iowa City. Lecciona dramaturgia desde 2008 em instituições e universidades. Foi finalista do Prémio Media Art Sonae/MNACC 2015 com a instalação Parasomnia, a primeira bolseira literária de Berlim da Embaixada Portuguesa na Alemanha, em 2016 e é cronista regular do JL desde 2017.

Professores e Artistas Convidados

Adriana Sá (PT), Alex Cassal (BR), Ann Brosens (BE), Barinamo (KR), Catarina Mourão (PT), Clara Andermatt (PT), Daniel Worm (PT), Fernando Matos Oliveira (PT), Gonçalo M. Tavares e os Espacialistas (PT), Inês Nogueira (PT), João dos Santos Martins (PT), João Fiadeiro (PT), João Tabarra (PT), Louise Chardon (FR), Luís Urbano (PT), Manoel Barbosa (PT), Miguel Bonneville (PT), Miguel Gomes (PT), Nicolas de Warren (BE), Nuno Lucas (PT), Olivier Hadouchi (FR), Patrícia Portela (PT), Peter Michael Dietz (DK), Sofia Dias & Vítor Roriz (PT), Sónia Baptista (PT), Vânia Rovisco (PT), Willow Verkerk (CA), Yukiko Shinozaki (JP).

Participantes

Anthi Kougia (GR), Bartosz Ostrowski (PL), Blanca Gómez Terán (ES), Bruna Carvalho (PT), Catarina Muge Marcos (PT), Clarissa Rêgo Teixeira (BR), Daniel Lühmann (BR), Gabriela D’Angelis (BR), João Abreu (PT), João Estevens (PT), Josefa Pereira (BR), Mafalda Miranda Jacinto (PT), Margarida Bak Gordon (PT), Navina Neverla (AT).

Apresentações

  • Ciclo de apresentações em Lisboa (Ciclo PLEX) de 6 a 23 de Março 2018, nos seguintes locais: Rua das Gaivotas 6, Galeria Monumental, CCB – Sala de Ensaio, ALKANTARA, Reservatório da patriarcal, Galeria ZDB e Negócio ZDB.
  • Ciclo de apresentações em Coimbra, no auditório TAGV, a 27 de Março 2018, no âmbito da 20.ª Semana Cultural da Universidade de Coimbra e das comemorações do Dia Mundial do Teatro – Novos Criadores.
  • Ciclo de apresentações em Viseu, no Teatro Viriato, a 29 de Março 2018.
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