Workshops

FCVERÃO 2010

02 a 06 Agosto

Sofia Neuparth

Organização para a Vertical
Movimento Complexo
O desenho deste trabalho que estuda a construção da vertical foi nascendo a partir do desenvolvimento das sessões de corpo que insistem no plano chão como lugar de escuta primeira por excelência bem como dos anos que investi em ser professora de ballet.
Embora essas aulas fossem sempre uma festa, há uns tempos atrás deixei de dar essas aulas de ballet por diversas razões mas essencialmente porque concluí que não era de facto naquela forma que residia o meu interesse embora seja claro para mim que não é na forma que está o nosso aprisionamento mas na nossa relação com ela...Fui então identificando pouco a pouco pontos ou linhas que me ligam muito à dinâmica desse trabalho e que complementam o trabalho de fundo em relação ao corpo em geral (dança, anatomia, fisiologia, filosofia) e às aulas de chão em particular:
- a árvore: a sessão é baseada na emergência do movimento desde o suporte terra ao suporte céu, relação gravidade, anti-gravidade.
- trata-se de uma sessão curta e trabalhada em crescendo, uma aula "ponto"
- inclui movimentos que evoluem no detalhe sem deslocação no espaço e movimentos em que o corpo se desloca pelo espaço rápido e enérgico.
- desenvolve rigorosamente a relação com a musicalidade (ritmo, cadência, melodia, seja com ou sem musica adicional)
- desenvolve a capacidade de ter uma zona de ti implicada numa pulsação enérgica (staccata) e outra zona de ti desenhando as ligações (legato)
- apresenta exercícios complexos sem que o bailarino se bloqueie no memorizar do exercício (trabalho de confiança e rigor na escuta do movimento)
- não tem intervalos nem pausas, a energia da aula inscreve-se no ar e não há saída possível
- tem alturas em que só apetece rir e cantar!

Destina-se a:
Bailarinos contemporâneos ou outros com avançado conhecimento do corpo e do movimento 

Sofia Neuparth Biografia
 acredito que o movimento é fonte de movimento, não acredito que o caminho de investigação se faça sózinho
Investigadora na área dos estudos do CORPO e criadora seguiu um percurso de crescimento artístico próprio tendo tido a oportunidade de desenvolver trabalho com, criadores e outros pensadores como Simone Forti, Steve Paxton, Tony Hulbert, Mary O'Donnel, Peter Hulton, Eva Karkzag, Bonnie Cohen, Bragança de Miranda ou José Gil. Professora de dança desde 1980. Nos anos 90 criou o c.e.m – centro em movimento com um colectivo de pessoas de diversas áreas do conhecimento.
Acompanha percursos artísticos e tem investido intensivamente no trabalho junto de populações diversas e na relação entre Corpo e Cidade a que chamou “Pessoas e Lugares”. Membro fundador da APPD tem sido parte activa de grupos de análise e reflexão política e, enquanto fundadora e membro da REDE – Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea, tem organizado e participado em encontros e debates sobre várias áreas da Política Cultural desde 2003.
9h – 10h30
Local: Forum Dança

Preço: 45€

 

Vera Mantero

Workshop de Composição/Interpretação
O Corpo Pensante

A relaxação, o uso da voz, a escrita, a respiração e a associação livre são alguns dos meios a serem usados neste workshop de forma a encontrarmos os movimentos e as acções que se estão a passar dentro de nós. Exploraremos alguns deles separadamente de forma a incorporá-los mais tarde em processos de improvisação mais longos e mais complexos. A ideia de entrada num estado particular de consciência será muito importante. A consciência e atenção aos sinais interiores e exteriores (awareness), o uso do espaço e a exploração de objectos e materiais não serão esquecidos.
Ironia e mãos vazias levar-nos-ão mais longe.

Destina-se a:
Profissionais das artes perfomativas  ou estudantes de nível avançado

 

Vera Mantero – Biografia 

Estudou dança clássica e integrou o Ballet Gulbenkian entre 1984 e 1989.
Começou a sua careira coreográfica em 1987, e desde 1991 tem mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Brasil, Canada, EUA e Singapura.
Destes trabalhos destacam os solos “Uma rosa de músculos” (1989), “Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois” (1991), “Olympia” (1993) e “uma misteriosa Coisa, disse o e.e.cummings*” (1996), como também as peças de grupo “Sob” (1993), “Para Enfastiadas e Profundas Tristezas” (1994), “Poesia e Selvajaria” (1998), “Até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza” (2006) e a sua última criação “Vamos sentir falta de tudo aquilo de que não precisamos” (2009).
Vera Mantero participa regularmente em projectos internacionais de improvisação como “Crash Landing” e “At the table”, iniciativas da coreógrafa Meg Stuart, e “On the Edge”, iniciativa de Mark Tompkins.
Desde o ano 2000 dedica-se igualmente ao trabalho de voz, cantando repertório de vários autores e co-criando projectos de música experimental.
Representou Portugal na 26ª Bienal de São Paulo 2004 em parceria com o escultor Rui Chafes com a peça “Comer o Coração”.
No ano 2007 Vera Mantero co-realizou e montou a sua versão do filme “Curso de Silêncio” (co-realização com Miguel Gonçalves Mendes).
Em 1999 a Culturgest organizou uma retrospectiva do seu trabalho.
No ano de 2002 foi-lhe atribuído o Prémio Almada (IPAE/Ministério da Cultura Português) e no ano 2009 o Prémio Gulbenkian Arte pela sua carreira como criadora e intérprete.  
Para ela a dança não é um dado adquirido, acredita que quanto menos o adquirir mais próxima estará dela, usa a dança e o trabalho performativo para perceber aquilo que necessita de perceber, vê cada vez menos sentido num performer especializado (um bailarino ou um actor ou um cantor ou um músico) e cada vez mais sentido num performer especializadamente total, vê a vida como um fenómeno terrivelmente rico e complicado e o trabalho como uma luta contínua contra o empobrecimento do espírito, o seu e o dos outros, luta que considera essencial neste ponto da história.
www.orumodofumo.com
10h45 – 13h45
Local: Forum Dança
Preço: 65€

 

Olga Mesa

Laboratório de novas linguagens
Corpo próximo/ corpo operador
 
Sobre a natureza do olhar e a construção da memória
Simão, em que pensas?
Em nada, como se chama esta dança?
Interessa-me « o corpo próximo » no solo, tanto como um espaço físico a percorrer como enquanto uma prática do olhar em construção, situando o corpo no interior de uma paisagem transitória entre formulação e visibilidade...a necessidade de viver um percurso  físico incerto através do corpo e da sua memória, situando o olhar espectador desse corpo dentro e fora de uma visão emergente, inacabada, incompleta, ainda não visível. o.m.
Introdução I
 O corpo próximo (espaço emergente)
O laboratório de criação e investigação “O corpo próximo” evolui em paralelo com as minhas criações cénicas, com a necessidade de construir espaços de transmissão e formulação junto ao intérprete-criador, abrindo um diálogo in-situ aos processos de pensamento da minha escrita coreográfica e narrativa visual.
 O corpo próximo situa a presença como uma prática íntima do instante ainda por decifrar, ainda não necessariamente visível. Estes diálogos emergentes do olhar imprimem o seu conteudo através do corpo e da natureza das suas decisões: seus impulsos, suas dúvidas, seus desejos e suas transformações. Aquilo que necessita e intui, aquilo que lhe escapa, que experimenta de maneira involuntária. Existe na memória detes corpo próximo uma percepção e uma fragilidade que se constrói a partir da presença do outro.
Meu interesse em configurar para este corpo próximo uma prática intuitiva entre a sensação e o pensamento está vinculado na necessidade de fazer visível para o intérprete a realidade de uma arquitectura emergente do seu olhar em processo de formulação.
Construir um corpo próximo através das margens entre o espaço de escuta que o situa e o espaço de observação que o aproxima de uma realidade temporal a partilhar como outro mais íntima e pessoal.
O corpo próximo propõe, através de uma prática física da memória, um percurso do olhar do intérprete através de possíveis mecânicas espaciais e temporais do corpo dentro da sua sensação mais imediata, sua decisão como eleição possível desse intante e sua intenção como território futuro do desejo em construção.
O corpo próximo fala-nos de um corpo múltiplo, de paisagens aleatórias e memórias simultâneas: corpo espectador, corpo deslocado, corpo em transição, copro intuitivo, como no interior de outro olhar, corpo abandonado, corpo fragmentado, corpo periférico, corpo intruso, corpo cine-mato-gráfico.
Introdução II
 O corpo operador (o tempo como visão e montagem)
 O corpo operador é uma extensão do trabalho físico posto em marcha pelo corpo próximo que projecta o seu olhar e análise sobre possiveis narrações e arquitecturas espaciais dos sentidos.
Esta intrusão do objectivo fílmico como espectador (não) visível propõe ao intérprete um diálogo e prática de observação dentro de um simples disposivo de captação espacial através da presença da câmara.
Esta ferramenta de amplificação do corpo proximo proposta pelo corpo operador oferece um novo ponto de vista a explorar.
Interessa-me poder questionar através dela aspectos distintos dentro e fora do quadro cénico
Interessa-me que o corpo operador revele sua visão não através do olhar mas através da escuta e do tempo.
Não através do que vê mas através do que sente, percebe e descobre.
Um estado de escuta, de observação, livre de intenção que intercepta e propõe espaços de memória mais para além do visível.
o corpo operador que proponho propõe-se articular e questionar a visibilidade do que produzimos, mostramos e partilhamos.
 ...é a última dança, a dança final!
 Dirigido a:
Este laboratório dirige-se a estudantes, artistas e criadores interessados na investigação de novas linguagens do corpo dentro das artes performativas e visuais.
Recorreremos à escrita, à gravação em áudio de conversas e ao registo vídeo enquanto estratégias de documentação que podem reflectir os diferentes planos e mecanismos postos e prática.
Será necessária a apresentação de uma bio para realizar a inscrição.

 

Olga Mesa - Biografia

Olga mesa é coreógrafa e artista visual, Em 1992 criou a sua própria companhia em Madrid. Reside em França desde 2005 onde tem a associação “Hors-Champs/Fuera de Campo”. É pioneira em levar as artes visuais para cena desde a experiemntação e criação de uma linguagem íntima e pessoal que a converteu numa referência para as artes performaticas europeias.

14h45 – 18h45
Local: c.e.m
Preço: 70€

 

Peter Michael Dietz

tempo de verão/época de colheitas/vamos dançar

É tão bom ... Adoro isto.... mover o corpo.
Descobrir novas referências em dança através da observação, do fazer,
e partilhando momentos possíveis de prazer ...
Este é um mês para deixar ir o stress ... para saborear e comemorar ...
Vamos mexer, treinar, exercitar, coordenar, compor, decompor, dirigir
Redireccionar, articular, performar, brincar - emocionar-se e estar presente - com outros corpos, numa situação normal, que nunca vai acontecer de novo ....
Este momento será único ....
É possível que eu esteja a mentir!! Então vem e junta-te à montanha russa....


Destina-se a:
Todos os que quiserem dançar, experienciar a sua fisicalidade

Peter Michael Dietz – Bio

Peter Michael Dietz 11 de Agosto de 1966, Danmark.
Referências e respeito ...
Amélia Bentes, Aldara Bizarro, Clara Andermatt, Paulo Ribeiro, Sofia Neuparth, Cristina Vilhena, Margarida Agostinho, Madalena Vitorino, Giacomo Scalisi, João Fiadeiro, Nuno Nunes, Úrsula Raffalt, Antony Mawson, Neergaard Gorm, Anita Saij, Kumico Kimoto, Jurgen ( Fura dels Baús), Adriana Gehres, nina, flora, Wendell Beavers, Carolina Hofs, Lisa Nelson, Steve Paxton, Mary O `Donnel, Tony Thatcher, Deborah Hay, Min Tanaka, Kazuo Ono, e e e
Nós poderíamos continuar, pelo menos estes nomes têm ou tiveram uma influência na minha constantes pesquisa......

19h – 21h45
Local: Forum Dança
Preço: 60€

 

Nelson Guerreiro

Pulsações e teorias das artes performativas contemporâneas

Neste seminário, procurar-se-á, a partir de uma abordagem teórico-prática das práticas artísticas performativas contemporâneas, apresentar as suas operações e os seus modos de produção, mas também as suas idiossincrasias, apresentando activamente alguns exemplos e referências da história da arte contemporânea, em geral, e das artes performativas, em particular, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, tais como: Marcel Duchamp, Yves Klein, Joseph Beuys, Vito Acconci, Jeff Koons, Sophie Calle, Erwin Wurm, Francis Alÿs, Rirkrit Tiravanija, Maurizzio Cattelan, Tino Seghal e Pina Bausch, Marina Abramović, Forced Entertainment, Thomas Ostermeier, Romeo Castelucci, Nature Theatre of Oaklahoma, Xavier Le Roy, Jérôme Bel, Vera Mantero, La Ribot, Olga Mesa, etc. etc.
 Procurar-se-á criar um ambiente propício para a reflexão assistida (convocando, sempre que possível, teorias, discursos e conceitos de Walter Benjamin, Jonathan Crary, Gilles Deleuze, Jean Baudrillard, Jacques Rancière, Alan Badiou, Goerges Didi-Huberman, Slavoj Žižek, Hal Foster, Joan Jonas, Nicolas Bourriaud, André Lepecky, Peggy Phelan, Rebecca Schneider, Lea Vergine, Adrian Heathfield, Alan Read, entre outros) e partilhada em torno da arte contemporânea, desde as primeiras vanguardas artísticas até aos nossos dias, almejando uma caracterização geral e particular do que se faz hoje, sem deixar de olhar para o que já foi feito, numa atitude interrogatória que busca fixar e identificar tendências, metodologias e traços comuns ou diferenciadores ao “pensar e fazer” artístico contemporâneo. Mas a viagem será feita ao contrário. Iremos em contramão. De hoje para ontem. À procura do que pode acontecer amanhã.

Nota: Como extensão deste seminário e aproveitando a participação de Vera Mantero e Olga Mesa no FCVerão 2010, haverá uma conversa com as duas criadoras moderada por Nelson Guerreiro.

Destina-se a:
Estudantes e profissionais das artes, produtores e outros interessados

 

Nelson Guerreiro - Biografia
Nelson Guerreiro é docente na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha. Paralelamente, é professor no Fórum Dança no Curso de Gestão e Produção de Artes do Espectáculo. Foi, entre 2002 e 2005, colaborador regular da TRANSFORMA AC, onde foi co-editor da revista ArtinSite. A partir de 2001, e em paralelo, voltou-se para a criação. Desse movimento, participou e desenvolveu vários projectos nas áreas da performance, do teatro, da dança e dos cruzamentos artísticos, dos quais se destacam: o projecto de experiências-situações eu e tu, tu e eu (2002); as conferências/performance: Guerrero Notebook (2003); Guerrero Notebook: Holiday Inn (2004); Guerrero Notebook: Holiday Out (2006); Um projecto de Nelson Guerreiro (2008); os espectáculos Schrëibstuck de Thomas Lehmen, em parceria com Beatriz Cantinho e Herlander Elias (2003); Vaivém: a história verdadeira de um projecto transdisciplinar (2005); Copyright – em co-criação com Patrícia da Silva – (ciclo Shall We Dance Shall We Dance – Teatro Praga - 2005); Discotheater, Teatro Praga (2006). Em 2006, foi um dos autores do espectáculo Urgências com o texto Mix-Appeal e do espectáculo A Festa(2008), ambos dirigidos por Tiago Rodrigues. Entre 2006 e 2009, escreveu textos de ensaio-ficção para o catálogo Luzboa 2006 e para o livro de artista: Vou a tua Casa: Projecto de documentação de Rogério Nuno Costa. Em 2008, colaborou com a Truta na co-criação do espectáculo West Coast. É membro da plataforma de sinergias criativas: sindicato.biz.
20h – 22h
Local: c.e.m

(De 02 a 05 Agosto)
Preço: 45€


Inscrições / Registration
+351 213428985 / forumdanca@forumdanca.pt

Uma parceria:
Forum Dança: Rua Rodrigues Faria 103
Lx Factory. 1300-501 Lisboa

c.e.m-centro em movimento:
Rua dos Fanqueiros 150 1º. 1100-232 Lisboa

O c.e.m e o Forum Dança são estruturas financiadas pelo MC/DGArtes
O fcVERÃO 2010 tem o apoio de DÉPARTS/EACEA