Forum Dança
Projecto Redondo
O Projecto Redondo tem como objectivo possibilitar a crianças institucionalizadas e com menores recursos sócio-económicos, o acesso a uma experiência na área artística, nomeadamente na área da dança. O projecto consiste na organização de aulas de dança criativa, especialmente desenhadas e concebidas a pensar nelas, que decorrem nas estruturas de acolhimento onde se encontram.
Estes momentos possibilitam-lhes em simultâneo um espaço de diversão e criatividade e uma plataforma de fortalecimento da confiança e capacidade de comunicação com o exterior.
As aulas são orientadas por artistas com experiência e formação na área da dança na comunidade e gratuitas para as estruturas que acolhem o Projecto Redondo e crianças que as frequentam.
Porquê?
O Projecto Redondo surge baseado na convicção de que as artes, para além do seu valor próprio, permitem que, indirectamente, se trabalhem aspectos ligados ao auto-conhecimento, valorização e fortalecimento pessoal.
Como ponto de partida temos a possibilidade de estas crianças acederem a uma actividade artística com uma forte componente lúdica e de diversão, como é a dança. A aula de dança criativa é um momento de alegria e de comunicação, em que a criança utiliza o movimento, algo que lhe é natural e inerente ao seu “estar”, como ponte para o exterior, como forma de expressão e comunicação.
Nas sessões de dança criativa, ao contrário do que sucede com outras linguagens ou abordagens em dança, não existe um modelo formal ou estético que se impõe. Propõe-se à criança a exploração de temas, imagens e situações através do movimento, do seu próprio movimento. As propostas de trabalho são criadas pelos professores “à medida” do grupo com que estão a trabalhar. Não são impostas fórmulas de movimento, mas antes solicitadas, potenciadas e valorizadas as possibilidades apresentadas pelos participantes, que serão então os criadores e bailarinos das suas próprias danças. O trabalho é feito no sentido da procura da diversidade e da individualidade e nunca no reforço da uniformização.
A criança vai, pela via do desafio, da exploração, da criatividade e da imaginação, desenhando as possibilidades e estabelecendo os limites do movimento do seu corpo, criando um património seu, de vocabulário de movimento, que se pode combinar e transformar em pequenas danças, as suas próprias danças.
As aulas de dança, em que se aprende sobre movimento, espaço, ritmo, dinâmicas e velocidades do movimento, válidas em si mesmas, servem também de plataforma para que se trabalhem outros aspectos, do domínio do desenvolvimento pessoal e social:
- conhecimento e definição de si, enquanto pessoa;
- respeito e valorização de si mesmo, enquanto sujeito capaz, que cria os seus objectos/danças, os apresenta e defender;
- respeito pelo outro, que tem o seu próprio universo subjectivo, separado e por vezes divergente do nosso;
- cooperação com os colegas da sala no desenvolvimento de várias etapas, até chegar à conquista de um objectivo final.
Subjacente a este trabalho artístico, surge a possibilidade, que podemos dizer ser uma mais valia deste trabalho, de que estejam a ser trabalhadas indirectamente algumas questões mais conflituosas ligadas aos percursos de vida destas crianças e jovens.
Não se trata de um trabalho psicoterapêutico, antes, estamos numa plataforma híbrida, característica da criação artística, em que a pessoa de certa forma se projecta no exterior através do que cria.
A dança é simultaneamente “minha e eu”.
Como?
As aulas são gratuitas para as estruturas de acolhimento e para as crianças e jovens que as frequentam. A organização/coordenação dos professores, assim como a viabilização financeira do projecto estão a cargo do Forum Dança.
A estrutura de acolhimento disponibiliza as instalações onde as aulas decorrerão (sala ampla e arejada) e organiza os grupos de crianças interessados em nelas participar.
As aulas têm a duração de 40’-60’, sendo os grupos organizados por idades (4-6 anos, 7-12 anos), que têm aulas separadamente. O horário é estabelecido conjuntamente entre a estrutura de acolhimento e os professores.
Os professores são convidados pelo Forum Dança e são artistas com formação sólida em dança, que tenham experiência prévia em trabalho pedagógico com crianças.
O trabalho dos professores é sustentado por reuniões mensais de planeamento e acompanhamento, articulando as propostas com o trabalho que está a ser desenvolvido pela estrutura de acolhimento. Estes momentos de encontro permitem que seja feita um balanço do trabalho que está a ser desenvolvido. Torna-se assim possível a correcção e reorientação de propostas que não estejam a resultar como desejado, delineando-se novas metodologias mais adequadas aos grupos.
Actividades em 2010
De Fevereiro a Junho de 2010, num protocolo com a Associação CrescerSer, Associação Portuguesa para os Direitos dos menores e da Família, irão decorrer aulas de dança criativa nas casas de acolhimento da associação, na área da grande Lisboa: Casa da Encosta, Casa da Ameixoeira, Casa do Infantado e Casa do Parque.
Cada casa tem cerca de 12 crianças, de diferentes faixas etárias, sendo abrangidas cerca de 50 crianças.
Cada professora dará 2 aulas de dança por mês, e, para as semanas em que não há a aula, serão indicadas tarefas ligadas à área da dança, a serem desenvolvidas pelos colaboradores da associação.
As professoras envolvidas nas acções a decorrer em 2010 na CrescerSer são: Carla Ribeiro, Inês Tarouca, Maria Radich e Marina Nabais.
Angariação de Fundos
Para a fase de arranque do Projecto Redondo em 2010 o trabalho das artistas/professoras será voluntário, no entanto, numa lógica de continuidade do projecto, gostaríamos de poder tornar este trabalho remunerado, consolidado a equipa e o saber específico que vão adquirindo.
Quer conceder-lhes uma dança?
Porque dançar pode ser tão importante para elas como é para si.
O Forum Dança procura angariar os fundos necessários para tornar o projecto sustentável, apelando ao envolvimento de particulares e empresas, mediante a sua contribuição financeira.
O Projecto Redondo está aberto e agradece, ao longo de todo o ano, propostas de colaboração que nos queiram apresentar.
Apoios
Agradecimentos
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Carla Ribeiro, Inês Tarouca, Maria Radich, Marina Nabais
