Forum Dança
Festival Alkantara | PEPCC Criações Individuais
26 Maio 2010, 21h, no Teatro Cinearte/A Barraca
As obras apresentadas são uma selecção dos projectos individuais dos alunos, alguns destes foram iniciados durante o curso, e outros são novos trabalhos. Esta nova geração de artistas de dança contemporânea oferece-nos assim uma amostra dos seus primeiros passos num contexto profissional.
Programa:
“Porque quando se torna um nó, já deixou de ser um laço. "
De Elizabete Francisca Santos
“A vida enorme/ La vie en or”
De Maria Lemos e Teresa Silva
Recriação da peça original A Vida Enorme, de Emmanuelle Huynh,
“Lugar Quiçá”
Um filme de Cinira Macedo, Julia Salaroli e Kandyê Medina
"Leva a mão que eu levo o braço"
De Elizabete Francisca Santos e Teresa Silva
“And So?... The End.”
De Mariana Tengner Barros
Fichas artísticas e sinopses das peças:
“Porque quando se torna um nó, já deixou de ser um laço. "
Concepção, direcção e interpretação: Elizabete Francisca
Assistência de criação/ apoio dramatúrgico: Mariana Tengner Barros
Vídeo: Tiago Lopes
Música: Rancho folclórico do Minho; Bob Dylan (Hurricane)
Projectar é como atirar à distância, é lançar de si, é estender-se, é imaginar, é ter em projecto, é fazer tenção.
Num espaço nitidamente ficcional uma figura vai-se transformando à medida que revela uma série de elementos criando ao mesmo tempo, distintos e hipotéticos cenários. Através da construção e desconstrução, por vezes quase simultâneas, as cenas sucedem-se como se pudessem pertencer a um diferente episódio, como se pudessem ser rasgos de memórias ou pedaços de projecções futuras, que se por um lado seguem uma estrutura linear por outro quase se aniquilam umas às outras.
E é nesta ambiguidade que tudo se desloca, entre aparentes acidentes, aparentes intenções e situações que desaguam de uma forma estilizada e ritualizada, como a resposta de alguém, que ao se deparar com uma situação onde tudo-pode-ser-possível, entra num jogo por tentativa. Na ânsia de se encontrar, mais se afasta de um eu real, caindo quase num modelo e num invólucro artificial, que imita mais do que experiência, que finge mais do que vive, que se atrapalha mais do que baralha.
Por entre a eleição de objectos, que retirados de um quotidiano banal evocam uma simbologia concreta, acede-se a uma existência em constrição. Porcos e diamantes. Um tapete, uma insinuação, um mundo, uma escada, um par de luvas, um ringue, uma meta, um corte, uma surpresa que não salta mas cai. Redondamente.
É produto de uma espécie de culpa contínua, que descontinuamente deixa antever um enredo auto-sabotado, na procura sistemática de uma resolução e de um discurso figurativo para se libertar da sua condição e de uma tradição que a acompanha.
Apoios: Eira 33, Forum Dança.
Agradecimentos: Francisco Camacho, João Manuel de Oliveira, Catarina Santos, Alina Bilokon, Tiago Cadete, António Mv, Paula Caruço e Maria.
“A vida enorme/ La vie en or”
Coreografia e Interpretação: Maria Lemos e Teresa Silva
Recriação da peça original: A Vida Enorme, de Emmanuelle Huynh,
Música: “Heroes” de David Bowie
Texto e Figurinos: Maria Lemos e Teresa Silva
Assistência à criação: Miguel Pereira e Caterine Legrand
A vida enorme/ La vie en or começa com o desejo de um encontro entre duas pessoas movidas pela vontade desenfreada de ir. Elas querem exceder-se, querem chegar a algo ou a algum lugar. Mas há uma falta, um estar à deriva. Coexistem o encontro e o desencontro numa mesma direcção, a fusão e o embate, o ir com e o ir contra. Escapa-se a densidade por entre tentativas de efervescer.
Esta peça consiste numa recriação da obra A Vida Enorme/ Episódio 1, de Emmanuelle Huynh, criada em 2003, a qual nos foi transmitida directamente pela coreógrafa. Durante o processo, propusemo-nos reflectir acerca do que pode ser uma recriação; e acerca do que é afinal, a apropriação de um objecto artístico, e portanto autoral, por outrem, para ser utilizado como estímulo para outras abordagens.
“Lugar Quiçá”
Realização e Interpretação: Cinira Macedo, Julia Salaroli e Kandyê Medina.
Câmara e Fotografia: Jorge Graça.
Banda Sonora: Simão Costa.
Edição: Vasco Costa.
Tratamento de imagem: Guilherme Duarte.
Concepção: Cinira Macedo, Claudia Tomasi, Julia Salaroli e Kandyê Medina.
Habitar e se fundir a um ambiente sem pertencer a ele.
Há qualquer coisa que não se encaixa, que não faz parte, mas que nasce ali, nesse momento.
O processo de criação do Lugar Quiçá teve início em 2009 no âmbito do Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica no Forum Dança com orientação da artista portuguesa Patrícia Portela. A realização e finalização do vídeo aconteceu numa residência artística oferecida pelo Forum Dança em Fevereiro de 2010. O trabalho foi desenvolvido através da colaboração de artistas de diferentes áreas, característica que determinou os traços e formas do vídeo.
"Leva a mão que eu levo o braço"
Concepção e interpretação: Elizabete Francisca Santos e Teresa Silva
Assistência à criação: Miguel Pereira, Sofia Dias e Vítor Roriz
Música: “Bang, bang” Nancy Sinatra
Figurinos: António Mv, Elizabete Francisca Santos e Teresa Silva
Apoio: Forum Dança/Edifício
Num lugar que pode ser limite, duas pessoas partilham uma atmosfera que parece apontar para um destino certeiro. Criam-se intimidades, confrontações e constatações em lugares que aparentemente fixos, se tornam mutáveis pelo teste da elasticidade das suas fronteiras e pela vivência num espaço-entre, num meio, entre dois opostos.
Numa constante vontade de se colocarem noutros sítios e de irem ao encontro do não-conhecido, surge latente a vontade de ser outro, de experienciar através do corpo do outro, de fazer parte e ela é mútua e permanente. Por vezes, elas negoceiam vontades, direcções, tomadas de decisão, emoções, numa impermanência que permite fundirem-se e confundirem-se, sem se saber mais quem está à frente e quem segue, quem comanda ou o que manda. Por vezes, deixam de ter vontade própria para surgir uma vontade mútua, num lugar cujas fronteiras de quem é quem se quebram para se darem ao outro, de maneira igual, ao mesmo tempo.
Trata-se de um jogo duplo, no qual as regras são claras mas que se esbatem quando há troca de papéis, ou quando eles não são dados. Um jogo duplo, um “you only live twice” que as une, mas que também engloba quem vê, quem testemunha, e que não deixa de parte os avanços que se dá quando menos se espera.
Há o inevitável. Ambas o sabem. Pode ser que o acaso lhe dê mais tempo.
“And So?... The End.”
Concepção, direcção e interpretação: Mariana Tengner Barros
Assistência de criação/ apoio dramatúrgico: Elizabete Francisca
Figurino: António Mv
Som: Mariana Tengner Barros
Comecei a trabalhar a partir da ideia de “Ser Brilhante”. Debrucei-me sobre isto analisando para o que me remetia esta definição, tanto a nível literal, figurativo, (glamour, as roupas brilhantes e excessivas, a festa, o mundo das “estrelas”, celebridades, etc) como a nível do significado da expressão (ser-se extraordinário, bom, esperto, genial, ter sucesso naquilo que se faz, ofuscar, reflectir luz, etc). Interessam-me as contradições nisto tudo, os “reversos da medalha”, como a falha, a decadência, os desejos e expectativas que não são concretizados ou que acabam destruídos, as ilusões, a parte “negra”, oculta, o fim. Fui construindo uma imagem, uma personagem, criatura de uma criação, de uma encenação, que é uma capa, um figurino, um símbolo de um mundo espectacular. A voz anuncia uma verdade, enquanto o corpo mantém uma mentira alicerçada na ilusão. Um excesso de um aparente entretenimento, ataca com investidas para adiar um fim, para manter tudo na mesma, para prolongar uma forma que já expirou.
Apoios: Eira, Forum Dança, Teatro Praga, O Espaço do Tempo.
Agradecimentos: Francisco Camacho, João Manuel Oliveira, Miguel Pereira, Carlos Gonçalves Costa, Alina Bilokon, Nuno Miguel, Tiago Cadete, Lucas Castro Pires, Ângelo Campota, Ivo Serra.
